Copa do Mundo

Inglaterra 2×1 Tunísia

Cometendo o mesmo erro da seleção brasileira a Inglaterra foi a campo pra fazer o gol logo. Fez. E quando fez, achou que o pior havia passado.

Sofreu o empate e o que era festa virou drama, diria o senhor Bueno.

Aos 40 e tralalá a vitória. A seleção inglesa é uma das mais didáticas lições que um futebol comercialmente forte não quer dizer uma seleção forte.

Aliás, trata-se da menor seleção grande da história das Copas.

Joga mal, feio, nunca chega e teria, em tese, obrigação de ser um bicho papão. São os criadores do jogo, os donos do melhor campeonato do mundo, onde estão os mais badalados treinadores do mundo.

A Tunísia, coitada, fez o que deu. Uma bola ou outra tentava achar um gol e nada mais. A Inglaterra, óbvio, mandou no jogo. Mas estreou como deixa quase todas as Copas: frustrando ingleses.

abs,
RicaPerrone

Bélgica 3×0 Panamá

Longe de mim tripudiar sobre os profetas que esperam há uns 8 anos que a fantástica geração belga seja campeã do mundo. Eles são primos mais novos dos que achavam que a Colômbia seria campeã, dos que esperavam um time africano na final em no máximo 8 anos (1990) e especialmente dos que juram que o futebol será dominado pelos EUA desde a Copa de 1994.

Pois bem.

Separemos a euforia com dos fatos. O time da Bélgica é mesmo bom. Pode surpreender, especialmente numa Copa sem Itália e Holanda, dois dos mais tradicionais semifinalistas do torneio. É Copa pra chegar uma “zebra”, sem dúvida.

Mas a Bélgica não é favorita. Não é uma seleção representativa na Copa e sofreu, ainda que sem a mesma pressão das grandes, para abrir o placar contra o Panamá.

O curioso é que este mesmo Panamá de forma heroica eliminou os exemplares EUA, que para muitos mandará no futebol em breve desde 1990.

Pra onde você correr cai uma lenda. Então fiquemos com os fatos. É mais prático.

A Bélgica é bom time. O Panamá não existe. Os EUA não estão nem na Copa, as seleções africanas são fracas até hoje, a Colômbia não ganhou porra nenhuma e se a Bélgica chegar é “zebra”.  Não porque é ruim. Mas porque é a Bélgica.

abs,
RicaPerrone

Suécia 1×0 Coréia do Sul

Existe um coreano entre Brasil x Alemanha nas oitavas.  A Suécia é um time conhecido, previsível, mediano e de alguma responsabilidade com a sua participação em Copas.

A Coréia é a zebra. Mas é uma zebra que corre uma barbaridade.  Eu reconheço a evolução do futebol deles nos últimos 20 anos, mas também não ignoro os assaltos que os levaram as semifinais em 2002.

Mas tem um porém.  Neste jogo ficou claro que a Coréia joga por um lance rápido e de pouca criatividade. O próximo adversário do México busca a eficiência enquanto o México debocha dela nos contra-ataques.

O jogo torna-se perigoso na medida em que a Coréia não tem mais nada a perder. O México tem. E com aqueles atacantes deles que brincam de perder gols, não é um cenário difícil imaginar a Coréia que hoje deu trabalho pra Suécia segurar os mexicanos e embolar o grupo.

O pênalti foi. Hoje o VAR quis participar do jogo. Eles ainda escolhem. Vamos torcer pra que escolham pra nós também quando preciso.

abs,
RicaPerrone

Credibilidade

Pra que serve a sua história? Porque e por quem você escolhe entre o certo e o errado?  Pra que tanta preocupação com sua trajetória se ela de nada valer?

Credibilidade é o que a gente ganha ao longo do caminho pra, quando chegar, usarmos os créditos.

Credibilidade é algo que se conquista. Não há outra forma de tê-la se não por méritos.

Esse time do Brasil tem e merece ter a nossa confiança.  São anos jogando em muito alto nível, ganhando todas, exibindo grande futebol e reagindo bem a sair perdendo, ganhando, empatando, na chuva, no seco, na pressão, em casa ou fora.

Não há qualquer argumento que possa descredibilizar o trabalho feito até aqui e nem os 23 escolhidos para nos representarem lá.  Você pode preferir esse ou aquele, mas é inegável que estes, a maneira deles, fizeram você reconhecer que sim, eles merecem nossa confiança e respeito

Resgataram nossa maior bandeira. Foram tirar a seleção do mais humilhante momento dela e nos devolveram favorita à Copa do Mundo. Esse time tem hoje o direito de usar o que acumulou conosco: créditos.

Um jogo ruim lhe dá escolhas. Ou você vaia, ou você empurra. Tem time que  a gente olha de cima e vaia, tem time que a gente olha de baixo e empurra. E tem time que a gente dá a mão e anda do lado.

Você sabe o que esse merece. Não é hora, ainda, de reclamar, menos ainda de validar os insuportáveis seres humanos do “eu avisei”.

Nós é que avisamos! Vai ter hexa! Confia.

abs,
RicaPerrone

O VAR credibiliza o “roubo”

Primeira coisa a dizer: sou a favor do VAR e da tecnologia no futebol.  Partindo daí, consigo desenvolver um raciocínio.

Toda vez que um juiz erra o torcedor é obrigado a engolir por conta dele “não ter visto”, “não ter 20 cameras”, “ter que decidir em segundos”.

Ok, isso foi dito para o torcedor por 100 anos. Ele entendeu, concordou e mesmo que tenha ataques quando “roubado”, ele acaba engolindo e segue o jogo.

A partir do momento em que você tem as mesmas cameras e possibilidade de um arbitro interromper o jogo para alertar uma irregularidade, você está dizendo ao torcedor que toda vez que houver um erro é roubo. Sim, pois se ele viu, é intencional.

O gol da Espanha é um “roubo”. Todo mundo viu o Diego dar na cara do zagueiro Pepe. Se o juiz de video pode interromper, porque não o fez ainda mais com a bola parada?

Cabe alguma discussão se houver ou não a mão na cara? Não. Então… porque não?

Como você diz ao torcedor portugues que aquilo é legítimo retirando o argumento do “não viu”?

O lance do Jesus, interpretativo. O do Miranda, não. Ele é impedido de subir pra bola porque o atacante o desequilibra na hora da disputa. Não é muito discutível. Aconteceu.

Porque o arbitro com 60 segundos de replays e comemorações não avisou?  Você diz o que pro torcedor? Que ele “não viu”?

Viu. E se  viu e pode falar, a FIFA escolhe: ou para sempre e corrige, ou faz sem o arbitro de vídeo e deixe o futebol no imaginário popular.

Uma coisa é você ter ajuda de tecnologia para resolver lances. Outra coisa é você ter ajuda quando convém, para alguns lances, e validar na cabeça do torcedor que ele foi ROUBADO.

Isso seria o maior tiro  no pé da história do esporte. Dizer a seus fãs que não é como deveria ser mesmo quando algo permite isso.

Revejam o VAR.  Ou ele moraliza o futebol ou ele valida a má fé.

abs,
RicaPerrone

Brasil 1×1 Suiça

Provavelmente “assustada” com a dificuldade das protagonistas vencerem na estréia, a seleção brasileira entrou determinada a não ser mais uma delas. Jogou por 25 minutos o que se espera dela. Toques rápidos, pressão, controle absoluto do jogo.

Gol do Coutinho. 1×0.

Ufa! Não vamos tropeçar na estréia. O gol que era um problema se demorasse a sair, saiu.

E então, relaxaram. O Brasil perdeu por completo a vontade de fazer gols. Assistiu a Suiça tentar sem sucesso jogar nos minutos finais do primeiro tempo e ainda assim saiu dele tranquilo, vencendo, sem ser ameaçado.

Gol da Suiça. Irregular, foi falta. O Miranda não perde de cabeça, ele é impedido de subir.  E então o drama que se previa para 90 minutos agora tem 40 pra ser revertido.

Tudo começa a acontecer conforme o pessimista imaginava. Nervosismo, ferrolho dos caras, dificuldade de criar, a bola não entra, e acaba empatado.

O que evitamos aos 20, devolvemos a nós mesmos no segundo tempo. Mais uma vez, como acontece em 95% dos casos, a seleção brasileira sai de campo com um resultado muito atrelado ao psicologico.

É óbvio que somos melhores que a Suiça e o jogo em si mostra isso. Foram 21 chutes contra 5. Mas isso não basta.

Neymar precisa ser mais simples. Ele é cobrado como dono do time, mas não precisa aceitar essa condição em todos os lances. Pode tentar ser em alguns deles. Todos, não.

E a tal ousadia e alegria do time virou nervosismo e cruzamento na medida em que a Suiça se fechou feliz com o resultado.

Vamos classificar e vencer os próximos dois jogos. Não tenho dúvida disso. Mas é preciso jogar 90 minutos, seja qual for o adversário. Isso é Copa do Mundo, e do outro lado haverá sempre um time disposto a dar a vida para ganhar da gente.

abs,
RicaPerrone

México 1×0 Alemanha

O México foi à Copa com um treinador que levou de 7, contestado, brigado com a imprensa, com jogador acusado de envolvimento com trafico, uma polêmica orgia com prostitutas na véspera do embarque e pouco glamour.

A Alemanha é o nerd que senta na primeira fileira. Vai longe, papai se orgulha, mas não chega a ter uma vida divertida pra ostentar. Apenas resultados.

No confronto dos dois é óbvio a qualquer moderno comentarista de futebol que a Alemanha vá ganhar o jogo. Mas o futebol é apaixonante exatamente por isso.  Jesus não garante título aos fiéis, nem é aceitável imaginar que o diabo o faça com os de caráter duvidoso.

A bola entra, não entra, muitas vezes por acaso. Não fosse a burrice individual mexicana, poderia ter sido uma goleada. A quantidade de contra-ataques claros para marcar foi assustadora.

Seguindo a lógica, a partir deste resultado, Brasil x Alemanha se enfrentam nas oitavas.

Eu não tenho medo. Pelo contrário, acho que PRECISAMOS desse jogo. Elimina-los seria a morte de um fantasma, e perder pra eles seria “aceitável” por ser um grande time.

O México nos daria obrigação, favoritismo e pressão. Sem contar a sorte que esses caras tem contra nós.

Vem aqui, Alemanha! A gente tem umas contas pra acertar…

abs,
RicaPerrone

Sérvia 1×0 Costa Rica

Sérvia e Costa Rica deram o recado: o jogo mais importante da seleção é hoje contra a Suiça.  Os dois times tem pouca ousadia, pouca organização tática e quase nenhum padrão ofensivo de jogo.

A Suiça é tranquilamente o melhor do grupo, tirando a gente, claro. O que não significa que será 1×0 na Suiça e 4×0 nas demais. Significa apenas que, em tese, o jogo de hoje deve ser o mais complicado.

A Sérvia é melhor que a Costa Rica. Pouco melhor, mas melhor. E se tivesse um pouco mais de calma e talento teria matado o jogo num contra-ataque.

O que ficou nítido foi exatamente a falta de ambição em marcar o segundo gol. E a falta de decisão da Costa Rica para empatar.

O Brasil deve passar de fase sem dificuldade. Não só pela nossa qualidade mas pelo nível de Sérvia e Costa Rica. Um dos piores jogos da Copa até aqui.

abs,
RicaPerrone

Croácia 2×0 Nigéria

Se a Argentina abriu mal a Copa, pode se preparar porque não será daqui pra frente que a coisa ficará mais fácil. Nigéria sem nada a perder, que é a única condição de perigo que eles apresentam. E a Croácia se mostrando consideravelmente mais organizada.

Se fosse amanhã Croácia e Argentina e eu tivesse que colocar alguns reais, seria na Croácia. E assim sendo, considero a classificação em primeiro da Argentina hoje um risco.

Isso significa enfrentar a França nas oitavas, provavelmente.

Futebol consistente da Croácia, bem articulado e sem sofrer pressão adversária. Poderia até ter sido mais. A Nigéria é ainda um time que entra em campo com pouca noção do que vai fazer com a bola.

Eu até diria que um dia, quando entenderem isso, serão fortes. Mas como ouço isso desde 1986 e não acontece, desisto. Os africanos caminhavam para o protagonismo. Quando o futebol mudou e se tornou mais intenso, pensado, tático e físico do que técnico, voltaram a condição de grande zebra.

Saudades, Okocha, Amokachi e Kanu.

abs,
RicaPerrone

Peru 0x1 Dinamarca

Tudo que não podia acontecer pro Grupo C ficar desinteressante aconteceu. Agora é torcer pro futebol não confirmar a lógica tão cedo e permitir que a última rodada não seja decorativa.

A França venceu, confirmou os 3 pontos e deixou a Austrália com 0.  Peru jogou bem, mas perdeu. A Dinamarca enfrenta a França só no último jogo. O que isso significa? Que uma vitória absolutamente provável da França contra o Peru e outra da Dinamarca sobre a Austrália mata o grupo já na segunda rodada.

O futebol apresentado pelo Peru não merece ser eliminado de véspera. Ao contrário do que sugere sua camisa e tradição, o time foi melhor que a Dinamarca e só não venceu por incompetência na hora de decidir lá na frente.

Cueva perdeu pênalti. E o técnico Gareca achou melhor não usar o Guerrero antes de estar perdendo. Decisão pra lá de errada, já que cansado, com uma perna só, gripado e tendo discutido com a esposa o Guerrero é melhor que todos os outros atacantes do Peru.

Agora é esperar uma zebra ou ver o grupo se resolver já na rodada 2. Eu queria a zebra, achei que o Peru merecia mais sorte. Mas contra a França, acho que ela não virá.

abs,
RicaPerrone