Flamengo

Fla 3×2 Bota: E o Carli?

Cada dia é mais difícil pra arbitragem o que deveria ser cada vez mais fácil.

Eles complicam até a ajuda.

Os lances do jogo mostram 2 não expulsões de rubro-negros. Uma delas, talvez, numa discussão de bar, pudesse haver contestação. A do Cuellar não há.

E justo nessa o VAR poderia entrar. Nas outras, não.

Então, após o jogo, constatado por todos que houve um beneficio ao Flamengo pelas não expulsões, surgiu a imagem do lance do gol do Botafogo.

De fato o Carli empurra o jogador do Flamengo e graças a esse empurrão há espaço para o gol do Cícero.

Fato também que a bola não está em jogo ainda.

Mas o fato se torna bastante contornável se notarmos que um árbitro de vídeo pode ver tranquilamente que o gol surge muito em virtude do empurrão e, portanto, se não dá pra dar falta, dá pra talvez mandar voltar a cobrança?

Não sei. Me parece que seria a decisão sensata. Anular o gol e mandar cobrar de novo já que a bola não estava em jogo, mas a “falta” interferiu diretamente no gol.

A arbitragem é ruim. E lances como esses não serão facilmente resolvidos por mera incompetência.

Cuellar deveria ter sido expulso. O que não anula o argumento rubro-negro de que se o gol não saísse o jogo seria outro. Ou seja, nada mudou. Choro dos dois lados, juizes errando e agora com um atrativo a mais:  o erro é digital.

RicaPerrone

Jesus, juiz e juízo

Jesus corrigiu com inteligência o problema ofensivo que o Flamengo tem hoje com a perda de 4 jogadores de frente de alto nível. Voltou Gerson pra onde ele não deveria ter saído, colocou Cuellar e deu liberdade pros laterais.

O Botafogo tem uma proposta muito consciente do que pode fazer com esse time. Toca, prende a bola e não vai pro risco. Mas a diferença dos dois times é muito grande, e quando isso acontece ou o rival é tão conservador quanto (Cruzeiro) ou a pressão vai existir, tal qual os espaços.

O Botafogo jogou bem. Tentou usar os espaços dados, fez 2, mas, aceitemos, o time do Flamengo é bastante melhor.

Ao ponto: arbitragem.

Erros decisivos. Rafinha e Cuellar mereciam o vermelho e dificilmente o resultado seria o mesmo com 9 x 11. Portanto houve grande interferência no resultado.

O que não muda o bom jogo do Botafogo, nem a boa virada do Flamengo que o empurra pros braços do torcedor pra quarta-feira.

Ambos tem que virar algo no mata-mata. A vida do Flamengo ficou mais promissora. Pudera. Um está  atrás de sobreviver e o outro ostentando. O fato do jogo ter sido equilibrado e ter tido erros de arbitragem refletindo no resultado é um elogio ao Fogão, não muito pro Mengão.

Seguimos. Porque é a quarta 21h30 que ambos saberão se vivem um crise ou uma lua de mel com seu torcedor.

RicaPerrone

Como a banda toca

Jesus foi puramente treinador. Ignorou o campeonato, o clube, o histórico e a relação de confiança com o torcedor. Resolveu por conta e risco que trataria o jogo da Libertadores como um jogo qualquer.

Se vence com Rafinha na frente, é gênio. Perdeu, que aguente. Não pelo Rafinha. Pelo conjunto da obra. O erro? Tentar fazer com que o Flamengo se adapte a ele e não o contrário.

Isso é jogo pra fechar a casinha e ganhar de meio a zero. Não porque prefiro, mas porque é Flamengo numa Libertadores. Na menor chance de dar merda, vai dar. É isso que ele parece ignorar e não saber.

Vilão? Não. Eu compreendo o Rafinha na frente. Não compreendo o Cuellar fora jogando lá. Aqui, semana que vem, é bem razoável. Mas aí é capaz dele escala-lo.

O Flamengo tem, entre vários erros, uma dose escandalosa de azar na Libertadores.

Perde Everton, Arrascaeta, toma um gol no começo e tem um a mais. Diego se machuca. A bola do segundo gol é sacanagem. Desvia no único lugar que podia pra entrar no único espaço possível.

Lá vem vocês com o papo do investimento. E eu insisto no meu papo de que investimento pesado em reforço caro, na América do Sul, é papo furado. A gente faz, quem compra é europeu. E normalmente ganha quem faz, não quem compra.

Dá pra virar? Claro que dá! Sem Arrascaeta, Diego e Everton? Mais difícil. Mas dá.

Semana que vem o Flamengo opta entre dois cenários comuns a sua história. Ou enche o estádio pra cobrar e sai dali sob pedras e em crise, ou entra pelo “milagre” e sai dali santificado.

Aguardemos. Mas que dá, dá.

RicaPerrone

Ainda há “Flamengo” no Flamengo

Se os salários tão em dia, o Barra Music não atrai o elenco, a paz está reinando e o clube virou exemplo de gestão, algo tinha que permanecer intacto: a vocação.

Hoje cedo eu conversava com um amigo rubro negro, o Dudu, e falávamos exatamente no cenário. Casa cheia, time bem, euforia, favoritismo… conhecendo futebol, o Flamengo passa. Conhecendo o Flamengo, o circo tá armado.

Chega a ser curioso como algumas coisas no futebol se repetem independente de quem está vestindo a camisa. Parece que ela se sobrepõe ao jogador e conduz pelo clube. O Flamengo tem essa vocação para criar festas improváveis e estragar as festas planejadas.

Não era o gramado. O Atlético conseguiu segurar o Flamengo. Lá, fez até pra ganhar e bem o jogo. Aqui não, mas conseguiu evitar que o ataque do Flamengo funcionasse.

Tem azar também, é claro. A perda do Arrascaeta no começo, o gol perdido pelo Lincon. Mas enfim.

É fato que dos três jogos pós Copa América o que destoa é o Goiás, não o Flamengo, nem o CAP.   O incômodo fica pelos pênaltis.

Dos 42 em diante o Flamengo mostrou que precisa de algo mais pra ganhar uma Libertadores, se de fato a quiser. Um pede pra sair porque tá cansado. Aos 43? Com pênaltis por vir, Rafinha?!

Os outros batem os pênaltis como se estivessem tentando fazer golaço. Todos fracos, sem raiva, sem competição. O Flamengo que foi pras cobranças não foi o que brigou pela vitória em campo nos 2 jogos.

Ainda há “Flamengo” no Flamengo.  Pro bem, e pro mal.

RicaPerrone

Quem voltou melhor?

Dos 12 grandes, vi alguns. A tal parada de 30 dias normalmente gera expectativa de melhora e quase nada acontece na prática. Mas dessa vez, parece, não será bem assim.

Flamengo – Melhorou consideravelmente. Apesar do jogo contra o CAP ter sido normal e com riscos de eliminação, houve melhora. No Maracanã, um baile contra o Goiás.

Vasco – Melhorou bastante também. Jogou uma boa partida contra o time reserva do Grêmio e não fosse a arbitragem provavelmente teria vencido ao fazer 2×0. Após esse lance o time mostrou fragilidade e tomou a virada. Mas melhorou do primeiro semestre.

Fluminense – Joga hoje.

Botafogo – Melhora leve. É um time dentro de um limite apertado.  Contra o Cruzeiro é difícil porque a proposta dos dois é a mesma. Então ficou aquele jogo horrível. Mas é um time bem treinado.

São Paulo – Melhorou. Nada absurdo, mas brigou em campo e se mexeu mais. As saídas parecem mais importantes do que os treinamentos durante a Copa América.

Palmeiras – Igual. Ou seja, ganhando. O futebol não é lindo de ver, mas é altamente competente.

Corinthians – Não vi.

Santos – Não vi.

Cruzeiro – Mesmo futebol. Um time forte que não quer ter a bola pressionar 0 adversário. Espera uma chance e faz. Eu gostaria de ver mais desse time, mas inegavelmente funciona.

Atlético MG – O que se viu quarta-feira é de uma apatia assustadora.

Grêmio – Melhorou. Voltou a tocar a bola, ter um padrão e criar chances. Um jogo com reserva, outro com titulares. Ainda falta o último passe. Mas melhorou com a parada.

Inter – Não vi.

RicaPerrone

Compreensível

O rubro-negro sempre foi megalomaníaco. Sua postura nunca foi proporcional aos resultados e a graça do Flamengo é exatamente essa. A facilidade com que se vai do céu ao inferno e a injustificável confiança em momentos não tão favoráveis.

Ser Flamengo é esperar o improvável como tendência.

Nunca o flamenguista foi tão “insuportável”.  Também pudera, se nunca tiveram estrutura, contas em dia, dinheiro em caixa e ainda assim já mantinham o otimismo acima da taxa do explicável, imagine agora.

Como você racionaliza e contém o rubro-negrismo do sujeito diante de um time de milhões, reforços de valores inimagináveis há poucos anos, um treinador europeu, jóias surgindo da base… enfim. O mais pessimista dos flamenguistas hoje almoça olhando passagem pra Dubai.

Vai? Não sei. Mas hoje, com esse time, uma goleada dessas, casa cheia, reforços chegando, é muito pouco provável que algum argumento ou “porém” tire do torcedor a euforia natural de um Flamengo que rascunha ser o que nunca foi, embora já tenha sido dono do mundo.

Jesus ainda não pode ser julgado. Mas o fato de ter tirado do futebol brasileiro a obrigatoriedade de escalar um time com 3 na frente e uma formação espelhada nos rivais já lhe dá algum crédito.

O Flamengo hoje jogou o que dele se espera. Pelo time que tem, pela mobilização que a torcida está fazendo, pelas condições de treino que jamais tiveram.

Estamos falando de alguém que  esperava picanha, comia cupim, as vezes “passava fome” e hoje está sentado no melhor rodízio da América do Sul ajeitando o talher pra começar a comer.

Você pode até duvidar se ele vai matar a fome. Mas não pode condena-lo pela expectativa.

RicaPerrone

Diagnóstico confuso

A medicina é mais simples. Você faz o exame, ele diz o que você tem, te dão as opções de cura e segue o jogo. No futebol as coisas  não são bem assim.

O Flamengo ontem foi parte de um jogo muito bom. Mas por mais que tenha sido bom, o adversário foi quem mandou na partida por 80% do tempo, fez 3 gols anulados, teve um lance de pênalti muito discutível e portanto esteve bem perto de decidir a vaga no jogo de ida.

Mas foi 1×1. Ótimo resultado pro Flamengo. Se olharmos as chances de gol, ainda melhor.

Melhorou do Flamengo do primeiro semestre? Sim. Teve uma proposta diferente. Cometeu muitos dos mesmos erros, voltou a fazer algo que detesto que é cera de time pequeno, como a ridícula cena do Gabriel rolando por uma bola na canela. Mas até aí, é escolha e não desempenho.

O fato é que você tem um grande jogo, uma leve melhora no desempenho e também uma possível goleada.

O Atlético reclama do pênalti. Eu também teria dado. Não achei falta no Rodrigo, achei trombada. Mas obviamente todo flamenguista vivo discorda disso. O que não dá pra discordar é que o Atlético esteve bem perto de fazer 5 ou 6 gols no Flamengo. E se metade dessas bolas entrassem hoje não haveria análise e sim protestos.

Se for pra escolher, fico com o meio termo. O CAP jogou muito bem. O futebol insiste há alguns anos em nos provar que a qualidade técnica é cada vez menos significante.   O Flamengo tem muita, se pressiona a cada reforço que anuncia, e se frustra a cada partida.

Um grande jogo.  Mas o rubro-negro que encheu os olhos não foi o Flamengo.

RicaPerrone

Pelo que, Ney?

Neymar não se apresentou ao PSG. Diz o clube que não sabia, ele que tinha avisado. Honestamente, tanto faz. Nos dois casos a probabilidade dele deixar seu terceiro cube pela porta dos fundos é real, e por mais que ele tenha seus argumentos e motivos, a história costuma omitir todos eles.

Aos 27 anos Neymar tem a extrema capacidade de ser disparado o melhor jogador do país. A capacidade de jogar bem a maioria dos jogos em que atua, ser considerado um “jogador problema” mesmo que sua vida extra-campo não interfira em suas atuações e, artilheiro de Libertadores e Champions, campeão todo ano desde que entrou em campo pela primeira vez, não é ídolo de clube nenhum.

Pior: quando sai, sai batendo a porta.

Rapidamente penso que é um erro. Ao tentar me recordar de outros “ídolos sem clube” vou a Romário, Ronaldo, Edmundo e logo percebo que a idolatria está ligada ao fim, não ao durante.

Os três casos que citei jogaram em rivais, saíram brigados, voltaram, foram e, no fim, levaram a camisa onde escolheram terminar.

Não se trata mais de dinheiro. Neymar está absolutamente rico. Trata-se de bem estar, de necessidades pessoais e prioridades que vem com a maturidade. Eu nunca vou condenar o Neymar como a maioria faz, simplesmente porque com 40 anos eu faria muito mais merda do que ele faz com 27 se tivesse 20% do dinheiro que ele tem.

Mas vejo um erro se repetir, que é a saída pelos fundos. E uma coisa mudar: não é pelo dinheiro.

E se não é pelo dinheiro e pelos títulos, pois já tem ambos de sobra, é pelo que?

Protagonismo? Voltar pro lado do Messi seria estranho.

Paz? Num clube onde a torcida vai cobra-lo em dobro após a saida?

O que te move hoje, afinal?

RicaPerrone

Flu não pode “vender” o Pedro pro Flamengo

Quando o Flamengo foi comprar o Dourado, que na época era o melhor jogador do Fluminense, eu escrevi que a venda pelo valor que fosse machucava o Tricolor por outro aspecto.

Pedro é ainda pior.

Jogador bom você vende pra um time maior. Quando o Flamengo vai ao Fluminense e compra um jogador (a não ser que pague a multa) ele está se distanciando do rival e abrindo vantagem.

O Flamengo não pode ser uma etapa pra quem joga no Flu. Deve ser o rival. A etapa é Fluminense -> Europa. Sem Flamengo no meio.

O poder de compra é maior, as dívidas sem fim do Flu idem. Mas algumas coisas tem que ser preservadas. Negociações entre clubes rivais podem existir se ambos estiverem dispostos. Troca de jogadores que não estão rendendo, algo assim. Mas um grande ir no rival e comprar um jogador fundamental pra ele torna a relação desigual.

Quando isso acontece duas vezes em seguida, carimba uma nova realidade. Há um “maior” e um “menor” nessa rivalidade. E isso não é bom nem mesmo pro maior.

O Flamengo querer comprar tá na dele. Mérito dele poder comprar. O Fluminense é que não pode vender. Que arrume outro, que venda 20% mais barato, mas que dê ao seu torcedor o gesto simbólico esperado de dizer “pra você, não”.

Ou assume um posto inferior ao seu maior rival e então começa a institucionalizar o apequenamento.

RicaPerrone

Loucura!

O que aconteceu ontem em Brasília no jogo do Flamengo é uma loucura.  Mas uma loucura exposta para que repensemos nosso nível de radicalismo e senso de importância das redes sociais.

No estádio a óbvia reação do povo ao ver um presidente eleito por ele em começo de mandato é aplaudi-lo. E no estádio a reação foi de festa ao ver o presidente da republica sendo simpático ao Flamengo e colocando a camisa.

Note que ele não está em campanha. Então não tem “lado” em clube ou qualquer instituição que se relacione como representante maior da nossa nação.  Isso seria um absurdo em setembro de 2018. Em junho de 2019 é algo comum e bastante inteligente por parte de qualquer empresa do país.

Entendam a diferença de candidato a presidente.  Candidato não se apoia, presidente você respeita e quer/precisa ter bom relacionamento.  Ele está lá eleito, não colocado a força.

Enfim.

A parte mais impressionante disso tudo é, de novo, a diferença entre a vida real e a rede social. No instagram do Flamengo você tem a nítida sensação que o Brasil é um pais petista que odeia o Bolsonaro. No estádio, vida real, você acha que ele é a figura mais popular do país.

Não temos dúvida sobre em qual mundo acreditar. Mas temos que repensar a importância dada as redes sociais na medida em que números e mais números nas mais diversas áreas comprovam sua não capacidade de refletir as maiorias.

Os programas de maior comentário na rede social dão as vezes 3 pontos. As vezes 1. O mundo real está vendo outra coisa, só que não está comentando em tempo real com celular na mão.

20% da população brasileira tem um twitter.  Por mais que seja uma amostra, é uma amostra nichada de uma classe social específica com hábitos específicos e interesses comuns.

Não há nada de errado no que fez o Flamengo ontem em dar a sua camisa ao presidente da república. E nem o presidente ao ser simpático com o esporte mais popular do país e aceitando colocar a camisa do clube.

O que há de errado é a loucura em volta de algo tão comum, aceitável e compreensível. Porque pra muita gente nesse país a vida tem bateria, os amigos tem nick e a verdade tem hashtag.

Mas não tem.

RicaPerrone