Fórmula 1

Torcedor registra acidente de Bianchi

Se a FIA não liberou as imagens do acidente de Bianchi no GP do Japão, um torcedor que filmava o “reboque” na hora do acidente acabou fazendo.  Veja a batida de Bianchi e note que seu carro entrou quase embaixo do trator.  Provavelmente atingindo sua cabeça.

abs,
RicaPerrone

Hipocrisia cristalina


Acho bonito quando o ser humano pára de fingir uma situação e escancara a verdade. O jogo de equipe é tão óbvio na F-1 que passou a ser culpado sem nunca merecer. Bastava enxergar como um duelo de times e não apenas de pilotos para não precisar deste show de mentiras nos anos seguintes.

Discute-se abertamente se Hamilton deveria ou não ter cumprido a ordem e deixado Nico passar.

Ora, mas se a ordem era proibida, do que estamos falando? E se não é mais, porque as equipes “escondem” as ordens como se tivesse vergonha delas?

Se todos sabem e discutem o “Alonso está mais rápido que você”, porque temos que fingir que não houve para evitar punições? A punição ao esporte é a credibilidade dele. Muito mais negócio assumir que são equipes buscando vencer do que pilotos em busca de um título.

Aprendi a ver F-1 assim e desde então nunca mais me frustrei com nada disso.

Se eu fosse o Hamilton também não deixaria. Mas aí discutimos a relação do piloto com o seu empregador. Não a F-1 com seu publico.

Toda essa polêmica, onde até os envolvidos confessam a atitude, não pode ser discutida oficialmente porque não há um pedido oficial de mudança de posição, pois segundo pregaram aos telespectadores, é anti ético.

Não teria sido mais fácil a verdade desde sempre?

Porque o teatrinho?

A equipe quer vencer. E se não parece ético que assim seja, então que cada equipe tenha apenas um piloto. Mas entre discordar de uma regra e ser feito de idiota eu prefiro discordar da regra.

abs,
RicaPerrone

Heróis não adoecem

Ayrton Senna morreu no meio de uma corrida, quando protagonista, líder, ao vivo pra todo planeta.  É óbvio que ninguém gostaria de ver aquilo acontecer, mas também é claro o quanto tudo isso o deixou ainda maior.

Senna foi um dos maiores pilotos de todos os tempos. E desde que morreu pilotando, se tornou o maior de todos e dificilmente perderá este posto.

Não porque alguém um dia não possa guiar como ele. Mas porque guiar naquele nível e ter um final tão cinematográfico e marcante é quase como um raio cair 18 vezes no mesmo lugar.

Senna foi especial até pra morrer.

Schumacher está em coma e as notícias não são boas. Aliás, a falta delas.

Quando surge algo novo é um médico dizendo que suas chances são remotas, cada dia menores, e que tudo caminha para a morte ou um estado vegetativo.

Michael naquela cama por um longo período nos desmistifica a imagem de super-herói que cabe a todo grande ídolo. Ou eles morrem, ou vencem. Nunca se arrastam pela vida ou se mostram vulneráveis.

O super-herói alemão vai tendo um final homeopático, anunciado, gradativo.  Pragmático como ele, e tão frio quanto. Do local do acidente (na neve) a falta de notícias, impacto e comoção.

Michael não terá um final de super-herói, o que colocará fim as discussões sobre quem foi melhor.  Ayrton, ainda que no cargo de maior ídolo da minha vida, ganhou um “bônus” de valor pelo seu final.

Schumacher vai nos deixando como numa volta com safety car, interminável, lenta, angustiante.  Pouco se fala em Schumacher.

Perdemos para a rotina a noção do que estamos vendo partir. Michael numa cama sem notícias boas já é parte da nossa vida. Nos acostumamos, como há alguns anos mal perguntávamos quem venceu no domingo.

Não o conheci, mas seria capaz de apostar que Michael está odiando seu final.  Tanto, mas tanto, que eu ainda sonho que ele consiga adia-lo.

“Só um milagre”, dizem.

E não é pra isso que existem os super-heróis?

abs,
RicaPerrone

Jogo de equipe

Na F-1 sempre houve “jogo de equipe”.  E ele é simples, como qualquer outro.

O time analisa a situação, tem claramente quem é seu primeiro piloto e então determina uma mudança para privilegiar aquele que o time entende ter mais chances de brigar.

O jogo de equipe começa entre pilotos.

Felipe Massa recusou uma “ordem” sem sentido na última semana e disse, sem abrir a boca, que seria o primeiro piloto da Williams.  Neste final de semana largou atrás do Bottas e deixou tudo em aberto. Talvez um garoto teimoso, um birrento, vai saber.

E então levou uma curva pra restabelecer o que prometeu na última semana. Mais 57 voltas para confirmar não apenas ser a melhor escolha como também ter sido um dos protagonistas da corrida.

Massa meteu o carro pra cima do Vettel como se disputasse com um Maldonado. A atitude do campeão também foi parecida com a que Maldonado teria, diga-se.

Massa disse pra equipe que queria ser o primeiro piloto. Hoje, confirmou o pedido.

E no próximo GP, não tenha nenhuma dúvida: Se houver uma escolha, será por Felipe.  Hoje, domingo, dia 6 de abril, ele é o primeiro piloto da Williams.

Não por uma decisão pré-estabelecida para possíveis “jogos de equipe”. Mas por ter topado o jogo e vencido o mais importante “jogo de equipe” que há na F-1.

Mais um! Mais um!

abs,
RicaPerrone

Sem teatro

Felipe não é Barrichello.  As condições são parecidas mas a postura não.

E não vou medir muito as palavras para tentar separar os dois. Enquanto Rubens assina e se faz de vítima, Massa não fazia teatro. Porém, ambos escolheram a mesma condição. A de figurante.

O recorde de Barrichello em Gps disputados diz, pra muitos, que ele é um grande nome do nosso esporte. Pra mim diz que foi o cara que mais tentou e não conseguiu. Um esportista do qual sinto vergonha.  Do Massa, não.

Felipe é menos piloto que Rubens. Mas quando entregou, o fez sem teatrinho. Quando resolveu peitar, o fez da mesma forma.

Nós sabemos que sua condição na Ferrari era de segundo piloto. Ele também sabia.  Na Williams, não. E por coerência, optou por desobedecer e estabelecer limites dentro do seu ambiente de trabalho.

Felipe é muito mais piloto hoje a noite do que era quando acordou.

Não tenho nenhuma ilusão que aos 32 anos “surge um campeão”.  Isso é bobagem, tentativa de vender um produto que perde audiência ano após ano. Mas surge, sim, um respeitável sujeito que não nos enganou.

Não se fez de coitado quando optou por ser coadjuvante, nem vilão quando resolveu ser competitivo.

Não ganhamos um campeão. Nem um ídolo. Mas um cara pra torcer domingo que vem.

abs,
RicaPerrone

Flea Schumacher

Você conhece o Michael, o Ralf, talvez tenha ouvido falar na Corinna, na Cora, no Mick, na Gina.  A família Schumacher não é exatamente uma novidade pra quem gosta de esportes, especialmente a F-1.

Mas talvez a Flea você não conheça.

Em 1996, já campeão do mundo duas vezes e estreante na Ferrari, Schumacher estava em seu boxe quando viu um fiscal de pista afastar a pontapés um vira-latas que rondava aquela área em Interlagos.

Michael deixou o que estava fazendo e foi pedir que o rapaz não tratasse o animal daquela forma. O fiscal explicou que era um vira-latas e que vivia por ali procurando comida e alguma atenção.

Cheio de pulgas, carrapatos e sarnas, a cadelinha olhava com o rabo entre as pernas para a conversa dos dois. Até que Michael se aproximou e a tratou com carinho.

Voltou ao boxe, chamou sua esposa e pediu que ela levasse a cadelinha para um veterinário próximo para dar vacinas, tratar as pulgas os carrapatos, além de um bom banho e ração.

Corinna fez isso enquanto Michael treinava. E retornou com a cadelinha feliz da vida. Após as devidas “carteiradas” para que pudessem entrar com um cachorro no hotel, Schumacher perguntou se ela tinha dono. Informado que não, resolveu adotá-la.

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E não mandou para uma ONG paulistana com uma verba mensal. Levou a cachorrinha para a Suiça, onde mora, e desde então “Flea”, que significa “pulga”, se tornou parte da família Schumacher.

A partir de então Flea mora num castelo, come do bom e do melhor e tem outros irmãos cachorros, a maioria adotados pelo piloto.

De vez em quando ia a algum grande prêmio passear com o dono.

Força, Schumacher!

abs,
RicaPerrone

Números e mitos

No esporte números são como biquini. Mostram tudo, menos o que interessa. Vettel é tetracampeão mundial de F-1 e isso é um feito impossível de dimensionar.

A facilidade para se atingir tal número, no entanto, não.

Stewart, Lauda, Piquet, Senna, Fittipaldi, Alonso e Prost são alguns dos pilotos que não tem mais títulos que Vettel na F-1.

Todos eles, imagino, pelo menos até aqui, melhores que o alemão. Que diga-se, é ótimo!

As vezes uma ponderação sobre uma determinada conquista torna-se uma crítica ou menosprezo. Não é o caso. Acho Vettel um puta piloto, mas não acho seus números proporcionais ao grau de dificuldade.

Ao contrário do que diziam sobre Schumacher, acho que ele tem adversários sim. Melhores do que ele, inclusive. Mas não há uma corrida com a Red Bull.

E eu chego a essa questão ao ver o garoto subir pela quarta vez no mais alto lugar do automobilismo mundial e me perguntar: “Quantas corridas geniais eu vi esse tetracampeão fazer”?

Duas? Três? Cinco, no máximo?

A F-1 conseguiu tirar do piloto uma parte muito grande da responsabilidade pelo resultado. Ainda assim, são brilhantes. Mas o que você imagina quando se fala num “tetracampeão”?

Vettel é um garoto que vai fazer história na F-1, não tenho dúvida. Aliás, já fez.

É o dono absoluto de uma categoria onde sequer é o melhor piloto na pista. E por isso, só por isso, me incomoda ver o Vettel já tetracampeão mundial.

Neste domingo, onde todos vibraram com a conquista do simpático garoto, eu me senti meio que “enganado”. Como se alguém pudesse diminuir os números dos meus grandes ídolos sem ter metade do trabalho que eles tiveram.

Vettel não tem culpa. Talvez ele seja melhor que o Schumacher e o Senna. Mas ele nunca vai poder provar isso.

A F-1 não deixa.

abs,
RicaPerrone

Diferentes e tão iguais

Massa, Rubinho, tanto faz. Muito esperamos e pouco nos devolveram. Não por culpa deles, já que não nos prometeram nada. Foram até a Ferrari, é um caminho brilhante, indiscutível.

Os dois demitidos e rotulados como coadjuvantes. Não fossem brasileiros, lembrariamos deles como de Irvine, Patrese, Coulthard ou outros tantos figurantes na F-1.

Sim, sou ferrarista. Torci pelos dois mesmo não concordando com o status de “piloto da Ferrari” em ambos os casos.  Em especial, Barrichello, piloto pelo qual tenho considerável rejeição desde que se prestou a fazer tipo pra torcida na Austria contra sua equipe.

Massa não é como Rubens. É menos talentoso, mas muito mais transparente. Jamais fez de sua condição natural de segundo piloto um crime cometido pela equipe onde ele era a vítima. Assinou, aceitou, ponto final.

Rubens era um chorão sem causa.  Assinava, renovava, fazia cara de surpreso quando o óbvio acontecia porque nunca foi capaz de aceitar sua condição de coadjuvante. Que bom seria se isso fosse combustivel pra uma reação. Mas não.

Na Austria, quando fez  a cena que fez, o mundo sentiu pena dele. E eu tenho muita pena de quem tenta gerar pena.

Massa sai da Ferrari porque seus resultados são comuns, a equipe disputa o título praticamente com um piloto só e porque um campeão do mundo está disposto a voltar. Não há muito o que argumentar.

Nos dois casos, coadjuvantes de um gênio.  Em um dos casos, um fiel escudeiro de pouca competência que aceita ser o que é. Em outro, um infiel pseudo revoltado que reclama, chora e assina de novo.

Massa não guiou mais pela Ferrari que Barrichello. Mas não fez mal a imagem da equipe e nem se fez de moleque quando assinou contrato.

“Chegar a Ferrari”  é do caralho. O que se faz nela depende do que foi proposto.

Massa foi lá ser figurante e quase foi campeão. Rubens disse que seria protagonista e passou longe de qualquer conquista.

Valeu, Felipe!

Pelo que guiou? Nem tanto. Mas pela honestidade com que lidou com a sua condição dentro da equipe.

abs,
RicaPerrone

História

Somos saudosistas por natureza. Tudo que já foi parece sempre melhor do que aquilo que é ou da perspectiva do que pode chegar.  Essa característica do ser humano não sou eu quem vai tentar explicar. Mas vou tentar não repetir.

Quando acordei as 7 da manhã ansioso para ver a corrida que deixei gravando não tinha nada a ver com “um brasileiro na disputa”. Tinha a ver com o fato de estarem na pista no mínimo 4 pilotos acima da média fazendo história todo final de semana.

Eu vi o Schumacher, ídolo, ganhar tudo na Ferrari e vi graça nisso por ser ferrarista, por saber o quanto a equipe tentou se reerguer e o quanto o alemão era diferenciado nos detalhes para não precisar do confronto, não para correr deles.

Mas cansei de ouvir e repetir que sentia falta de ter ao seu lado uma legião de “craques” como tivemos em outros tempos. Hoje, por algum motivo, me peguei pensando que um dia direi ao meu filho ter visto Hamilton, Kimi, Alonso, Vettel e quem sabe mais um desses novatos na mesma pista.

Talvez com o mesmo orgulho de quem viu Senna, Mansell, Prost e Piquet, talvez menos. Bem menos.

Não sei.

Não consigo imaginar o que seria do Ayrton na Ferrari, nem do que teria sido do Prost se a McLaren pedisse pro piloto vir patrocinado. Sei que eram gênios, como não tenho dúvidas de que Fernando Alonso está neste patamar de qualidade. Um pouco mais, um pouco menos, não sei, só os próximos 10 anos vão me dizer. Mas é um fora de série, como é o Vettel, como tem o Hamilton a mesma “loucura” gostosa de assistir que tinha o Mansell.

“Não é mais a mesma coisa”. E não, não é. Nunca será.

Mas talvez ainda possa ser muito bom. Como está sendo ver estes 4 caras na pista dividindo curva e escrevendo a história que eu vou contar pros meus netos e filhos dizendo que “antigamente era melhor”.

abs,
RicaPerrone