Fórmula 1

Um dos melhores que eu vi

Acompanho F-1 hoje como um torcedor normal. Já fui apaixonado. Já trabalhei com isso, pra quem não sabe tive site grande de automobilismo por muitos anos.

Parei pra fazer futebol que é o que mais amo. Mas nunca perco uma corrida, torço pra Ferrari e tenho coisas de F-1 pela casa toda.

Dos que vi, Senna foi o maior. Dos que admirei, muitos passarem pela Ferrari. E dos que eu lamentei a saída da equipe, ninguém tanto quanto esse sujeito que hoje deixa a F-1.

Marrento, escroto, difícil. Foda-se. Talentoso como poucos. E se tivesse escolhido melhor o carro pra onde ir, teria títulos como Hamilton tem.

Não vou condenar seu perfil pelos carros que guiou. Outros tantos foram fofos e guiaram carroças a vida toda. Alonso foi um dos melhores que eu vi. E digo sem a menor dúvida: Se ele tem o carro do Vettel, o Hamilton não tem a facilidade que tem.

A F-1 fica com apenas um gênio no grid para 2019.

RicaPerrone

Preto no branco

Talvez a manchete lhe pareça um pouco forte se você pensar na cor de pele do vencedor e do autor da cagada do dia. Mas que seja, tanto faz. Lewis é o melhor piloto do grid hoje, desde que Alonso foi guiar uma carroça.

O Vettel busca seu quinto título porque está no carro certo na hora certa. É bom piloto, muito bom. Mas deveria ser impossível um piloto como ele ter o número de títulos do Prost, do Senna, do próprio Hamilton.

A fórmula 1 hoje deixou muita coisa clara.

  • Quase sempre que o Vettel vence a corrida a Ferrari está melhor que a Mercedes. Nem sempre quando a Mercedes vence o carro é melhor que o da Ferrari.
  • Jogo de equipe é comum, faz parte, sempre fez, e carinha de espanto com isso em 2018 é desconhecimento do esporte.
  • É comum que torçam por equipes como times de futebol e não por pilotos fora do Brasil. Não se espantem com a torcida alemã ter comemorado a batida do piloto alemão.

A Fórmula 1 está emocionante, com 6 carros brigando por vitória e em tese vive um grande campeonato. O que eles que organizam não entenderam ainda é que não nos importa exatamente que 10 carros possam ganhar. Basta que o piloto faça diferença e então teremos ídolos e portanto audiencia.

Esporte é movido a ídolo. O ser humano assiste esporte pela curiosidade e admiração em ver um outro humano fazer algo que em tese ele também pode e não conseguirá.  Ao tirar isso da F-1, tira-se também a nossa vontade de assistir.

Saudades do Alonso. Embora o Vettel seja também muito bom.

abs,
RicaPerrone

Relaxa, negão!

Caro Lewis Hamilton e demais membros da equipe Mercedes;

Como brasileiro, lamento. Como jornalista, faço cara de surpreso. Como conselho, lhes peço que relaxem.

Assalto aqui é normal. O alarde é porque é com vocês e a gente morre de vergonha de quando um gringo descobre a merda que vivemos todo santo dia. A dona Maria, que lava roupa pra fora, é assaltada toda hora por homens armados e ninguém se importa.

Negão, a gente se amarra em você. Por isso também ficamos incomodados com o assalto. Mas essa parada de “arma na cara” que vocês estão aterrorizados, numa boa, nem é pra tanto.  A gente tem aplicativo pra desviar de arrastão, irmão.  Deixa de ser Nutella.

O máximo que ele ia fazer é dar um tiro e mandar um pai de familia ingles pro cemitério. Nada além disso. Uma mãe inglesa ia chorar, umas crianças em Manchester, mas só. Não vamos fazer alarde a toa né?

Afinal, não sei se você sabe, mas esses caras tiveram uma infância fodida. E você, responsável por isso, devia entende-los e não desejar mal a quem te ameaça com uma arma.

Aproveito pra perguntar se vocês os ofenderam. Espero que tenham entregado tudo com educação e respeito, até porque eles não tem obrigação de ouvir desaforo de trabalhador honesto.

Negão, se liga. Não briga com os caras, não fala mal deles. Aqui agora é maneirão ser bandido, do caralho ser pedófilo, e cult desejar adota-los.

Eu sou parte dos ignorantes estúpidos que não pensa assim.  Não sou artista, não tenho essa capacidade ímpar de entender as questões sociais do bandido entre um baseado e outro.  Eu trabalho, não dá tempo.

Mas se liga! O importante é vocês estarem bem e, principalmente, eles também.

Sei que estão soltos e em casa. O que já nos alivia. Já pensou que tragédia se um de vocês dá um tiro e machuca um dos meninos de fuzil? Porra… não quero nem pensar.

Boa corrida pra vocês!  E cuidado na volta! Ouvi falar que vocês tem problemas com terrorismo lá …  Eu hein?

abs,
RicaPerrone

O nosso inglês

Quando o Senna morreu descobrimos que nunca gostamos de F-1. Como em quase tudo a Globo nos ensina burramente a amar a possibilidade de vitória, não o esporte. E assim é com tudo, especialmente num esporte onde essa “chance de vitória” pode ou não estar ali.

Vieram os coadjuvantes candidatos a protagonistas. Uns nos encheram de esperança, outros de vergonha. Alguns sem ser notados, outros notadamente mimados.  Mas nunca mais alguém conseguiu arrancar suspiros do torcedor brasileiro.  “Bons” tivemos alguns.  Mas “bom” não basta.

Lewis Hamilton é negro, o que já nos dá uma leve identificação mesmo que trate-se de um brasileiro albino. É carismático, não segue as regras, é meio maluco, ganha, corre riscos, peita, adora o Brasil, compartilha conosco o mesmo super-herói, e mesmo não tendo nada conosco faz questão de nos incluir em sua história.

Lewis tuita música da Anitta. É amigo do Neymar, usa o Cristo Redentor no capacete e não pode ver uma camisa do Senna que pára e tira fotografia.

Não há qualquer dúvida.  Hamilton é o maior brasileiro desde Ayrton Senna na F-1.

E por mais que eu torça contra, pois prefiro a Ferrari, eu não consigo evitar um sorriso quando ele vence. Porque sua vitória é, de alguma forma pouco explicável, o mais perto que nós estivemos de Ayrton desde 1994.

Não me refiro a títulos, talento, nem mesmo ao uso da marca verde e amarela. Me refiro a nos representar. A ultrapassar sem precisar, pelo mero gosto de  vencer. Desafiar os números, a história, os limites e até a nacionalidade imposta pela natureza.

Desculpem, ingleses.  Esse negão é nosso. Vocês o tem por algum engano.

abs,
RicaPerrone

F1 2017 – Vale cada centavo

Já era bom, “virou passeio”.  O F-1 2017 é o jogo mais real e surreal de corridas que já vi.  Simplesmente porque te dá a realidade da F-1 e a opção de guiar carros antigos em pistas atuais.

Mas quem compra esse jogo, tenho pra mim que é pela temporada e não pelos extras. E a temporada 2017 está perfeita, gostosa de jogar com nível de detalhes assustador.

Acho que  ja já vem uma atualização para corrigir um bug ou outro que dá na imagem quando chove as vezes. Mas é bem pouco, e normal pro lançamento.

Tem uma opção muito legal de desafios. Você pega um cenário em andamento, e ele diz o que você tem que conseguir fazer. É realmente muito divertido até em virtude da facilidade de reiniciar quando você erra.

Gráficos, sons, jogabilidade, realismo. O jogo é incrível! E quando você termina a corrida e coloca no replay, nem jogo é.  Vira filme.

Vale cada centavo!

abs,
RicaPerrone

A hora certa

Nem tudo na vida tem uma hora certa pra acontecer, mas quase tudo tem um momento em que não pode ser.  E se tem algo que não pode acontecer nesta semana é avaliar Felipe Massa enquanto piloto de F-1.

Eu contesto muito o bom senso de quem usa um momento de ternura para discursar sua amargura.  Tenho enorme pé atrás quanto a pessoas que puxam os outros pra baixo para tentar se sentir no mesmo nível delas.

Uma vez, me lembro bem, briguei com um puxa saco da Globo.com enquanto Carlinhos Brown concorria ao Oscar. Ele debochava do cara  pelo twitter durante o evento que o consagraria. Eu contestei, disse que não era o momento, que não fazia sentido. Que quem era ele pra estar “debochando” de quem está ganhando um Oscar?  E assim acabou nossa relação.

É como ir num casamento e computar os ex da noiva durante a cerimonia. Não faz sentido, é constrangedor, tosco, pequeno.  E pessoas que nascem pra ser pequenas não tem cura. Mas as que ainda tem, podem reavaliar a semana de Felipe Massa.

Eu não vou dar uma linha de opinião sobre o que acho dele como piloto. Eu me recuso. Simplesmente porque este sujeito está encerrando um ciclo de mais de uma década, cheio de amigos, aplausos, cenas comoventes como a dos boxes em interlagos, abraçado a sua linda família e indo pra casa rico descansar.

Honestissimamente, é meu papel julga-lo como esportista durante sua carreira. E também meu papel como ser humano aplaudi-lo ao final dela. Naquele momento não avaliava-se Felipe Massa. Apenas nos despedíamos dele e permitiamos que um sujeito que guiou uma Ferrari na F-1 pudesse abraçar sua família e se emocionar.

É como Carol e Renato no gramado da Arena. Querer julgar, avaliar ou dimensionar aquilo não é ser crítico, mas sim ser um imbecil. Como quem tenta fazer chacota de um brasileiro que foi indicado ao Oscar no momento da entrega do prêmio?

Tem disso. A vida é feita de meia dúzia que fazem história, uma dúzia que a conta, e todo o resto que vaia ou aplaude, sem maiores funções.

Tenha você o papel que for, o faça com mais sentimentos e menos pragmatismo.  A vida faz sentido porque Felipe parou os boxes das equipes para abraça-lo, porque Carol e Renato se abraçaram em campo, e não porque você acha que “está na regra e tem que punir”.

A regra existe para sobrepor a falta de bom senso. Quando há bom senso, a regra é mera formalidade.

Parabéns, Felipe! Eu queria ter sido você naqueles 20 minutos após o abandono do GP Brasil.  Talvez não tenha conquistado títulos, mas uma família, o respeito e a amizade de todos os colegas e aplausos de um autodromo cheio devem ter um valor semelhante. Domingo você foi campeão.

abs,
RicaPerrone

F-1 2016 – Review

A versão 2015 me pareceu um “coloca correndo o que der”. A  2016 veio bem completa! O modo carreira, os níveis de ajuste e dificuldade, tal qual a qualidade na imagem.  O jogo é incrível e mesmo a F-1 não vivendo seu melhor momento, vale a pena comprar.

Nem preciso falar que tem todas as pistas, modo multiplayer, campeonato completo e tal. O que acho bacana falar:

  • Gráficos incríveis! Parece filme
  • Tela de jogo melhorou com mais informações ao piloto
  • Achei mais real o desgaste de pneus com a diferença que isso faz na pista
  • Sistema de largada novo, bem interessante
  • A diferença entre os carros é razoável. Não é tão real até porque teriam que atualizar toda semana. Mas daria hein?
  • Adorei escolher meu capacete na carreira
  • O processo de entrar numa corrida ou retomar a carreira ficaram mais rápidos

É o melhor jogo de F-1 já criado até hoje.

Joguei todos, desde o primeiro até o 2015. E me refiro a toda evolução desde o “Enduro”.  Cada um dentro das suas perspectivas da época, eu nunca vi algo tão completo e bem feito. Tão preenchedor de tudo que os fãs podem esperar de um game de F-1 quanto esse.

Dá pra se divertir rapidinho, levando horas, num modo bem difícil ou num intermediario. A quantidade de níveis de dificuldade deixou a coisa interessante. Você tem mais precisão pra acertar seu nível.  Eu ganhei corrida de Renault, fui mexendo, até brigar em décimo segundo.

A única coisa que não gosto muito é a data de lançamento. Acho que devia ser um game feito pra lançar em março, com a temporada. E updates corrida a corrida ajustando as performances.  Seria mais empolgante, talvez.

Mas eu não tenho medo algum em recomendar: Pode comprar! O jogo é incrível!

abs,
RicaPerrone

Não mexe em nada não…

Não me lembro se um dos meus avôs ou se meu pai que falou isso algumas vezes. Mas quando eu chegava numa casa organizadinha, tudo limpinho, a primeira coisa que ouvia era: “Não mexe em nada não…”.

Pra que o risco de estragar se está tudo certo? A F-1 não entendeu nada.  Viu heróis ganharem corridas de ponta a ponta, viu equipes disputarem campeonatos internos e nada disso fez dela uma categoria pior. Ao contrário, raros foram os anos onde o campeão tinha uma adversário de outra equipe com carro semelhante.

Também gostaria que fosse mais equilibrado. Mas esse equilibrio não precisa e nem pode ser forçado.

Foram tantas mudanças de 2000 pra cá que acho que a própria evolução da categoria foi prejudicada.  Um festival pra impedir as Mc Laren, outro pra impedir Schumacher, outro pra tentar parar as Brawn, depois as Red Bull, agora as Mercedes.  Nenhum efeito prático que não a descaracterização do que já era um sucesso.

Não vou mentir que acho a idéia do ibope cair no Brasil preocupante. Brasileiro não gosta de esporte, gosta de torcer. Com o que tem lá hoje não dá pra torcer muito, então, não assistem.

A idéia do treino não é ruim. Mas na prática foi.

As vezes todos os nossos discursos do que fazer não funcionam na prática. A diferença é que a F-1 tem como saber se funciona, nós não.

Agora eles sabem.  Mas vão criar uma fórmula e mante-la por anos? Não. Vão remediar a falta de disputa da Mercedes. E amanhã, quando a Ferrari passar, eles mudam de novo.

Até que morram abraçados num dos melhores produtos esportivos do mundo.

abs,
RicaPerrone

Review – F1 2015

Bom, dá pra começar dizendo que o jogo “é do cacete!”.  Comprem! Ponto.

O que vem a seguir são ponderações que vão detalhar o meu gosto pessoal por um game de F-1.  Mas que não mudam em nada o fato do jogo ser, no mínimo, muito bom!

Gráficos – Incrível! A grama mexe com o vento no replay. É realmente um filme.

Som – O motor da F1 ficou uma porcaria mas até que no game eles deixaram de uma forma não irritante, tal qual os motores de verdade. Gostei da solução.

Rádio – É bem legal a interatividade da equipe com você no jogo. O cara avisa diversas coisas relevantes pra corrida.

Online – Muito bom! Joguei diversas vezes e embora seja um jogo difícil de se divertir online em virtude da má fé alheia, a parte que cabe ao game funciona!

Modo carreira – Não tem. Senti muita falta. Era divertido.

Opções – Pouco configurável. O basicão tá lá. Não dá pra reclamar.

Bugs – Ainda tem vários. Natural. Mas devem consertar fácil. Em 1 semana eu ganhei uma corrida e me deram segundo lugar, o rádio me passou uma informação errada, tomei punições por alguns erros que não cometi. Mas nada que não se ajeite com uma atualização aqui ou ali.

Melhor do jogo – Os replays. São incríveis!

Diversão – Eu diria que no modo dificil, com cambio automatico e controle de tração você vai se divertir tenso. Se você diminuir as ajudas dali pra frente é um game que não relaxa, mas sim te desafia. O que é ótimo, tem pros dois gostos.

Eu gostei muito. Tenho jogado todos os dias desde então e tido as mais diferentes experiências dentro de cada corrida.

Nota – 9,0

abs,
RicaPerrone

O que não fazer na F-1

Felipe, eu não faço idéia do que vai acontecer daqui pra frente. Acho que nem você.  Mas a sua estréia nos fez ter no mínimo vontade de acompanhar a próxima corrida.

Não porque você vá vencê-la, mas porque queremos saber o mais rápido possível se estamos diante de um campeão, um bom piloto ou de mais uma vítima do complexo de vira-latas.

Eu acompanho F-1 há muito tempo. Já tive site, trabalhei diretamente com isso, e possivelmente nessa época devo ter noticiado alguma conquista sua ainda no kart. Mas acredite: Nao é de vencer ou perder que estamos falando.

– Não aceite ser o bobo da corte. Se for pra fazer figuração, nunca vá a TV dizer em janeiro que este ano poderá ser campeão ou fingir que tem condições de igualdade na equipe.

– Não espere um momento impactante para se fazer de vítima do contrato que assinou. Ou deixa passar, ou se banca e ganha a corrida. Mas não faça disso um drama pra sentirem pena de voce.

– Nós não idolatramos pessoas que temos dó. Não nos faça sentir pena. Nunca. Sob hipotese alguma.

– Saiba que os maiores pilotos dessa categoria que você está entrando peitaram as condições inicialmente sugeridas a eles.

– O brasileiro não gosta de automobilismo. Gosta, agora, de você. Então, se você não puder nos divertir, não ha nada no grid que nos chame atenção além do Massa.

– Ao contrário de Rubens, Bernoldi, Zonta, Burti e Massa, você não está substituindo Senna. Logo, ninguém espera que você seja o maior de todos. Mas por estar substituindo coadjuvantes, esperamos protagonismo. Não se omita.

– Não jogue sua equipe contra o povo. É burrice, covardia, anti ético e você pode acabar sendo uma piada e não um ídolo.

– Nós ainda não te amamos. Mas queremos muito. Então, nos dê ousadia e coragem. Não queremos um campeão na Sauber. Queremos um cara pra fazer numa pista tudo aquilo que gostaríamos de fazer pelo país e não sabemos como em nosso dia a dia.

E parabéns! Começou brilhantemente bem!

abs,
RicaPerrone