Grêmio

Quem voltou melhor?

Dos 12 grandes, vi alguns. A tal parada de 30 dias normalmente gera expectativa de melhora e quase nada acontece na prática. Mas dessa vez, parece, não será bem assim.

Flamengo – Melhorou consideravelmente. Apesar do jogo contra o CAP ter sido normal e com riscos de eliminação, houve melhora. No Maracanã, um baile contra o Goiás.

Vasco – Melhorou bastante também. Jogou uma boa partida contra o time reserva do Grêmio e não fosse a arbitragem provavelmente teria vencido ao fazer 2×0. Após esse lance o time mostrou fragilidade e tomou a virada. Mas melhorou do primeiro semestre.

Fluminense – Joga hoje.

Botafogo – Melhora leve. É um time dentro de um limite apertado.  Contra o Cruzeiro é difícil porque a proposta dos dois é a mesma. Então ficou aquele jogo horrível. Mas é um time bem treinado.

São Paulo – Melhorou. Nada absurdo, mas brigou em campo e se mexeu mais. As saídas parecem mais importantes do que os treinamentos durante a Copa América.

Palmeiras – Igual. Ou seja, ganhando. O futebol não é lindo de ver, mas é altamente competente.

Corinthians – Não vi.

Santos – Não vi.

Cruzeiro – Mesmo futebol. Um time forte que não quer ter a bola pressionar 0 adversário. Espera uma chance e faz. Eu gostaria de ver mais desse time, mas inegavelmente funciona.

Atlético MG – O que se viu quarta-feira é de uma apatia assustadora.

Grêmio – Melhorou. Voltou a tocar a bola, ter um padrão e criar chances. Um jogo com reserva, outro com titulares. Ainda falta o último passe. Mas melhorou com a parada.

Inter – Não vi.

RicaPerrone

Os limites do VAR

Não vou entrar no mérito do resultado “alterado” pelo VAR. Eu discordo da discussão ir nessa direção porque há quem considere falta e jogada de origem, então se torna interpretativo.

O que não me parece interpretativo é a falta de uma regra para situações assim.

Quanto antes você pode achar um lance? 5 segundos? 10? Porque uma bola estourada pelo goleiro pode gerar um gol e não ter sido tiro de meta.

Qual o limite do que o VAR pode reavaliar?

Já ouvi falar em desafios, como na NFL e no tênis. Mas me soa absurdo imaginar que um lance onde a tv do mundo veja um erro absurdo não possa ser anulado porque “ja gastaram os desafios”.

O VAR é bom. A arbitragem é que é muito ruim.

Amadores, fazendo seu bico aos domingos enquanto milhões estão em jogo. A relação é absurda. Quase inocente.

Mas fato é que precisamos de regras onde não há bom senso. E no Brasil, sabemos, não existe bom senso. Logo, que haja mais regras.

Gol mal anulado que muda o jogo. E que não muda o fato do Grêmio ter sido melhor no jogo.

Mas não é esse o ponto. O ponto é não ter um ponto.

RicaPerrone

Fidelidade


Enfim, o Grêmio voltou a jogar como funcionava. Foi fiel ao seu estilo de jogo, a posse de bola, a não queimar pro gol de qualquer jeito. E também por fidelidade, parou na defesa do Bahia.

Renato tem no André um desafio, não um centroavante.

Antes do jogo falavam que o Luan seria o “falso 9”.  Me desculpem mas “falso 9” é o Andre, que nem faz o gol nem o pivô.  Ou seja…

Renato hoje errou na escalação e mais ainda em insistir no erro. Mas ao final dos primeiros 45 minutos o Grêmio era merecedor da vitória e dos aplausos. Tomou um gol absurdo no começo do segundo tempo e desde então bateu na barreira do Bahia.

É muito curioso ver como o futebol passa longe da lógica. Bahia e Grêmio tem, respectivamente, os melhores jogadores da Libertadores 2016 e 2017. Ambos hoje no banco.

Empate é ótimo pro Bahia, que decide em casa. E o espaço que o Bahia vai ter que dar na volta é ótimo pro Grêmio, que não tem conseguido furar as defesas coletivamente.

Nada decidido. Apenas que a fidelidade as convicções as vezes ajuda, em outras atrapalha.

RicaPerrone

O fim do ciclo ou do foco?

Por mais que a gente brigue com os fatos por uma perspectiva melhor, eles ainda são fatos. Os times que ganham muitos campeonatos ou vivem grandes fases tendem a começar uma queda após 3 ou 4 anos. Esse auge dura normalmente esse período, o que não se sabe é quanto dura a seca.

Se é o caso do Grêmio? Não sei dizer de fora, mas me soaria normal se fosse. O que pode ser um ponto contrário a isso é exatamente a idade dos principais jogadores, que pode ser visto como “barriga cheia” ou como “experiência”. Depende.

Talvez o time do Grêmio esteja fazendo o básico esperando a hora de crescer. O time tem surtos, como o jogo contra o Fluminense com 35 minutos absolutos. E tem jogos onde dorme em campo, que hoje são maioria infelizmente.

Embora eu saiba que é uma perda de tempo tentar prorrogar por muito tempo um time campeão, ainda assim cabe as diretorias tentar. E o Grêmio tenta cometendo alguns erros.

André é um erro. O Paulo Victor não é um goleiro ruim, mas não substitui o Grohe. Marinho é um folclore, não um grande jogador.

Mas ainda assim há um fator imponderável que é o individual. Perder o Arthur é duro. Perder o Arthur e o Luan é quase um tiro no meio da testa.

Não sei os motivos, não o conheço. Mas o Luan não é o Luan desde a convocação pra Copa sem seu nome na lista. Óbvio que abateu, a quem não abateria ser o melhor da América em 2017, ter sido “o cara que mudou o time” na conquista Olímpica e ficar de fora na Copa?

Mas a demora pra retomar é enorme. Luan parece ter desaprendido as mais básicas noções de futebol e isso é impossível. Não dá pra diagnosticar de longe, apenas registrar o tamanho da perda.

Com algumas peças já veteranos e outros jovens já campeões, o Grêmio parece não ter a gana que tinha até 2017/2018. Talvez a perda do Luan, do Arthur e mais alguns nomes sejam possíveis de repor. A perda daquela vontade absurda de ganhar, não.

RicaPerrone

Não é simples assim

Outra vez uma câmera pegou um grito racista no futebol brasileiro. Por coincidencia com o mesmo time do caso Aranha, e sabemos ser mera coincidencia pois esse é um grito não tão incomum no futebol, infelizmente.

O ponto é o que fazer a partir deste momento.

Os mais afoitos vão no óbvio da rivalidade e pedem que punam o clube. O que é um absurdo sem tamanho, mas é um absurdo com jurisprudência.

Outros pedem o correto, que é a identificação individual do autor e a responsabilização pelo ocorrido. Simples assim.

Nem tanto.

Todo mundo aqui sabe o que acontece num estádio. Quem não sabe sugiro que pare de ler pois vai virar “grego” pra você.  É um ambiente enlouquecedor, com surtos inimagináveis e onde fazemos coisas que jamais faríamos em nosso juizo perfeito.

Não nos dá direito, no entanto, de cometer crimes. Mas por mais absurdo que isso seja, culturalmente o estádio ensinou as pessoas que elas podiam SIM cometer crimes ali sob o argumento de ser parte de uma torcida e não um indivíduo.

Quem briga no estádio nunca foi julgado como quem briga na rua. Quem atira uma pedra no estádio jamais pagou por tentativa de assassinato. E quem comete racismo ou qualquer outro tipo de preconceito no estádio nunca saiu de lá sequer com um puxão de orelhas.

Então fomos nós, todos nós, que criamos esse ambiente e o trouxemos até aqui como algo comum.  Pegar uma pessoa, o clube, uma torcida e condena-la como a responsável por algo incomum também é um pouco hipócrita.

Acho que o problema é maior. Vem de fora do estádio pra dentro, mas é muito do fato de que dentro do estádio há uma lei paralela e isso tem que acabar. Mas não só pro racismo. Pra tudo.

Precisamos parar de falar da “torcida do…”  e falar do fulano. Precisamos punir individualmente e com as regras da rua, não do futebol.  Ser racista não implica em perder pontos no Brasileirão, mas em pagar na justiça.

O futebol é o gatilho pra atitudes que não tomaríamos de cabeça fria. Eu sei, você sabe, não sejamos hipócritas de dizer aqui que jamais num gol, numa derrota ou algo do tipo não fizemos algo parecido. Especialmente porque, repito, sempre foi algo “autorizado” dentro do estádio.

Mas massificar a responsabilidade é uma puta cagada.

Exatamente o contrário é o que imagino ser o caminho pro fim da violência no futebol e também, por consequência, desse tipo de crime.

Individualizar o erro. Então, por favor, parem com essa coisa de “gremistas racistas”, “tem que tirar ponto”, entre outros fatores que tornam o erro desportivo. Ele é social. Não se trata de futebol.

RicaPerrone

Grêmio 4×5 Fluminense: Sem comentários

Algumas das coisas que mais queremos na vida custam caro. Não me refiro a dinheiro, mas a testes e momentos de insistência em nossas próprias teses que não temos coragem de bancar.

Entendo. É pressão, saúde, comodidade, dinheiro fácil. Mil motivos que nos levam a mudar o que acreditamos para “ir levando” sem tantos problemas pelo caminho.

O que o Fluminense fez hoje foi muito além de um jogo épico de futebol.

Com 30 minutos do primeiro tempo o Grêmio ganhava, brincava de jogar bola e já tinha o jogo resolvido. O Fluminense que toca a bola desde o goleiro não fazia mais sentido e pela frente havia um óbvio final trágico para a idéia, o técnico e alguns titulares.

A goleada desenhada, a crise devidamente pronta, o treinador e suas certezas na rua. E naquele momento a gente olha pro campo e vê o Fluminense repetindo a jogada. Pega a bola e toca, toca, toca. E aí você cansa e diz: “Demite esse maluco! Porra, tomando 3×0 e não muda essa merda?!”.

Não.

Porque ele tem certeza do que está fazendo. Gostemos ou não, seja amanhã o motivo de uma tragédia ou de um título, o Fluminense joga assim e ponto final. Teve todos os motivos do mundo hoje aos 30 do primeiro tempo para jogar tudo pro alto e se proteger do pior.

Não.

Insistiram diante do óbvio fracasso. Até que em 90 minutos a tragédia virasse uma de suas mais épicas páginas.

No momento onde desistir era mais fácil e qualquer covarde recuaria, o Fluminense bancou o que está fazendo.

Sem “poréns”. Absolutamente nada hoje é discutível. Neste domingo o Fluminense não é um time pra discutir, analisar, criticar e nem mesmo elogiar. Apenas aplaudir. E em pé.

RicaPerrone

Avaí 1×1 Grêmio: Onde está?

Já estamos em maio. O Grêmio de 2017/2018 não apareceu e um “novo” não parece se firmar. Uma dose de apatia, outra de mudança de estilo. Faltam alguns decisivos nomes como Luan, que não consegue mais render.

O jogo contra o Avaí é apenas mais um dessa série do Grêmio que sabe o que fazer com a bola e não faz. Que tem a fórmula do sucesso e não usa. E que espera a volta da individualidade brilhar além do Cebolinha.

Dá sono. Não é muito ameaçado por ter uma baita zaga, mas também não ameaça. Tem a bola e não cria. E passou a dar alguns chutões que não era característica do time vencedor dos últimos anos.

Passou da hora. Parece no piloto automático e nele ninguém chega muito longe.

Tem decisão semana que vem. E time com sono não decide nada.

RicaPerrone

Grêmio 1×2 Santos: É isso!

De tudo que pensei assistindo a Grêmio x Santos hoje de manhã a frase que melhor resume é o título do post: “É isso!”.

Era isso que eu queria ver. Dois times grandes que tem o protagonismo como idéia e não como oportunidade. Que buscam jogo, tocam a bola e sabem o que estão propondo.

O Santos é abusado. Nem tem time pra ir pra dentro, mas vai. Seu treinador é diferenciado, não porque tem métodos incríveis, mas porque tem uma mentalidade diferente do “não perder”.

Por ser gringo, blindado. E por ser blindado pode ter essa ousadia. Como Osório podia, como o Abel não poderá. Usa e usa bem o crédito. Montou um Santos improvável que dá gosto de ver jogar e que se nega a jogar feito um nanico, simplesmente porque não é.

O Grêmio tomou 2 gols e parou no detalhe. Foram 25 chutes a gol. Atuação de gala do goleiro do Peixe e um jogo emocionante do primeiro ao último minuto.

(aliás, ja notaram como os jogos das 11 são mais intensos?)

Ao final da partida, “é isso!”.

É só isso. Ou tudo isso. Independente do resultado, dois times dispostos a propor algo, impor sua forma de jogar e não se acovardando em campo feito um time de série C em busca de uma bola.

Quando falam que o nosso futebol não é igual o europeu, me nego a aceitar que seja por qualidade. É por mentalidade. Quando não somos frouxos, funcionamos. Quando copiamos ou nos intimidamos, somos piores.

Somos Renato e Sampaoli. Porque são dois sujeitos irreverentes, cheios de marra, com convicções e coragem. Somos o Diniz, que arrisca. Fomos Luxemburgo, Telê.

Somos. Ou fomos. Sei lá. Mas queria muito que voltássemos a ser.

RicaPerrone

Enfim, a estréia

Em 2019 o Grêmio já foi até campeão, mas ainda esperava aquela atuação de Grêmio. Não me refiro a um jogo do estadual qualquer, nem mesmo a uma goleada. Mas a um jogo decisivo onde o Tricolor fosse manter a bola, controlar o jogo e construir a vitória com calma.

As características de um Grêmio vencedor estavam faltando. Ontem sobraram.

Longe de um show, mas com a segurança de um time que volta a ter confiança e fazer o que sabe. Não adianta tirar desse time sua principal característica e esperar resultados semelhantes. O Grêmio do começo da Libertadores queimava a bola. O Grêmio dos últimos anos não entregava a bola de jeito nenhum.

Ontem houve controle, protagonismo, iniciativa e calma. Falta o Alisson soltar um drible antes a bola, o André ser mais centroavante do que pivô, uma aproximação mais criativa do meio, mas num geral o time voltou a ter postura.

O Libertad perde pouco em casa. Esse ano foi só pro Olímpia, clássico, e ano passado foram 6 derrotas, sendo 2 pro Olímpia, uma pro Boca.

Ganhar lá não é a moleza que pareceu ontem. Como nada do que o Tricolor conquistou nos últimos anos pareceu fácil como em alguns momentos foi. O Grêmio faz do jogo “fácil”. E não vinha fazendo.

Enfim, o Grêmio.

RicaPerrone

Não vale nada

O campeonato Gaúcho “não vale nada”.  Todo torcedor diz isso durante meses até que a óbvia final aconteça. Quando frente a frente Grêmio e Inter o que menos importa é pelo que estão brigando, mas sim quem ganhará a briga.

Briga é um termo feio. Mas Grenal nem é esporte.

Aos 8 minutos era claro que intimidar era mais importante que jogar. E que portanto ninguém jogaria.  Existe jogo truncado, jogo catimbado e o Grenal. Esse último nem jogo é.

Todas as expectativas foram atingidas. Sem gols, porque em Grenal destruir é o ato mais comemorado. Com cartões, porque tem que chegar mais duro que o normal. Com polêmica, porque mesmo se tivesse sido pênalti hoje haveria metade do Sul dizendo que não.

E com um final apoteótico. Porque Grenal é Grenal.

O Gauchão nada mais é do que um pretexto pra esse jogo acontecer decidindo algo. São meses protocolares até que se chegue o dia do confronto final, que as vezes sequer acontece.

Pois quando acontece, há um ritual. E nele já está incluso a provável expulsão do Dalessandro.  Provável e merecida. Porque no caso dele não é preciso ver o que ele fez pra saber que o cartão é justo. Dalessandro entra em campo merecendo a expulsão todo jogo. As vezes consegue, as vezes não.

Justo? Sim. O Grêmio é melhor ainda do que o Inter. Embora esteja bem abaixo do Grêmio dos últimos 2 anos, esse time fez um campeonato melhor do que o rival e jogou um pouco melhor ontem também.

Em boas mãos. Nas do cansado Portaluppi, que já virou ditato no céu. Por lá, meteoros e cometas brincam dizendo que “essa Estrela tem Portaluppi”.

Agora o Grêmio volta pra sua Libertadores sofrida. O Inter pra sua Libertadores tranquila. Em dias estarão dizendo que “isso é o que vale”.

Mas valeu. O estadual é briga de dois irmãos em casa de portas fechadas.  Pouco importa o que o mundo vai ver de nós. Desde quem a gente saiba aqui em casa quem bateu em quem.

RicaPerrone