Santos

Quem é o “vilão” da expulsão?

O árbitro Flávio Rodrigues Guerra expulsou David Braz e as imagens “caguetam” que não foi por ofensa e sim pelo pênalti.  Temos então um erro de arbitragem.

Um erro meio tosco, até.

É decisivo pro resultado? Não. Ele expulsaria um dos dois, trocou, expulsou o zagueiro errado, acho que meteu um caô na súmula e o Jadson fez o gol.  O Corinthians muito provavelmente ganharia da mesma forma e nem a parte tática do jogo mudaria muito. Não é um erro capital. É um erro imbecil.

O meu ponto é bem menos relevante ao clássico do que a discussão se foi por ofensas ou pelo pênalti.

Que grupo é esse do Santos que assiste um jogador ser expulso injustamente e não tem um pra ir até o autor do pênalti e entrega-lo para fazer justiça, se não com o árbitro, com o companheiro?

Ah, ninguém viu! Pera aí! O próprio autor do pênalti tinha a obrigação moral de assumir e não deixar o colega fora do próximo jogo por algo que não fez.

Enquanto os olhos vão todos para “erro em jogo do Corinthians”, ou “o juiz está mentindo”, o maior dos problemas pra mim é como que um time permite que dentro do seu grupo alguém seja injustiçado sem entregar o culpado.

Me parecia simples. Se o grupo e o autor do pênalti vão até o arbitro e esclarecem, ele expulsaria o réu confesso.  Pelo menos é o que a lógica nos dá a entender.

O Flávio Rodrigues Guerra deve ser punido pela lambança.  O Zeca, pelo Santos.

abs,
RicaPerrone

É o juiz!

Se te conforta, é o juiz!

Eu juro que compreendo que é muito difícil enxergar méritos num adversário e ainda mais cogitar a idéia de copia-lo.  Eu já fui só um torcedor sem ser obrigado a ver o futebol por outro ângulo e também estaria procurando um erro do árbitro a cada vitória do Corinthians.

Mas já são quase 30 jogos, uma liderança pouco ameaçada, um futebol constante, intenso, bem definido e muito bem jogado, embora não seja espetacular pra muita gente.

Eu acho espetacular o Renato Augusto e o Jadson trocando passes. Acho o Elias um jogador espetacular. Acho que ver um time construir mais de 80% dos seus gols em lances trabalhados espetacular.

Mas eu entendo que pra muita gente o espetáculo é malabarismo. Até pra esses, hoje, Jadson deu seu show.

Mas você ainda pode achar que é o juiz.

Talvez o fato de ter trocado 464 passes no jogo com 83% de acerto e ter cometido apenas 8 faltas em 90 minutos lhe pareça detalhe. Talvez os 14 chutes a gol contra 6 do adversário também sejam irrelevantes.

Quem sabe os 17 dribles contra 8 do adversário mudem seu conceito de pragmatismo. Ou, talvez, ainda lhe pareça ser só o juiz.

Pode ser também que as 41 entradas na área adversária com a bola dominada sejam acaso. As 22 do Santos, azar.

São 4 derrotas em 27 jogos.

Mas se te conforta, e eu entendo, insista: É o juiz!

abs,
RicaPerrone

Rolezinho

Quando um grupo de garotos corre na sua direção fazendo bagunça e te causando insegurança num lugar teoricamente seguro chamamos de “rolezinho”.

É isso que o Santos faz de melhor no Brasileirão.

Um clube com vocação pra não privilegiar nada vindo de fora. Ou é feito em casa, ou parece um estranho no ninho.  Os garotos isolados fazem muita bobagem, mas em bando ninguém segura.

Toda vez que o Santos está em situação difícil surge um monte de garotos desconhecidos para, juntos, formarem um time imprevisível, encantador e que se diverte jogando futebol.

Toda a parte pragmática do São Paulo, que tenta criar mil formas de jogar com seu bom novo treinador acaba de frente pra uma “pivetada” de branco disposta a improvisar. Não tem roteiro, manual, é arte pura.

Talento! Talvez de outra farda nem causasse tanto medo, mas parece que de branco na Vila eles ganham o direito de crescer.

Cadê o Santos que lutava pra não cair? Cadê o time em crise que ninguém “aguentava mais”?

Só conseguimos enxergar garotos, sorrisos, molecagens e o tiozão lá na frente se divertindo comandando o bando.

O Santos não tem um timaço, não tem uma torcida de massa, não é um dos favoritos ao título e a soma disso tudo lhe dá exatamente a condição que mais gosta: A de fazer molecagem.

Cuidado. Tem rolezinho no Brasileirão. E eles não tem deixado nada no lugar.

abs,
RicaPerrone

Vasco é o time mais “velho” do Brasileirão

Em estatística bastante interessante da Opta, exclusividade do blog do Rica no Brasil, surge uma nova dúvida: Seria por falta de fôlego, por falta de motivação, um modelo de futebol ultrapassado ou meramente acaso o lanterna Vasco ser também o time com maior média de idade no campeonato?

Embora a diferença na média não seja gigantesca, é reveladora. O time do Vasco que entrou em campo até aqui no Brasileirão tem média de idade de quase 27 anos (26,9).

O líder Corinthians, que também não tem um time de garotos, tem média de 25 anos. Os mais jovens são Grêmio e Goiás, com média de 23,2 anos.

Veja a lista:

1 Vasco da Gama 26.90
2 Chapecoense 26.78
3 Palmeiras 26.14
4 Atlético Mineiro 25.97
5 Fluminense 25.47
6 Cruzeiro 25.41
7 São Paulo 25.10
8 Avaí 25.00
9 Corinthians 25.00
10 Flamengo 24.97
11 Internacional 24.92
12 Joinville 24.86
13 Coritiba 24.80
14 Ponte Preta 24.54
15 Figueirense 24.38
16 Atlético Paranaense 24.29
17 Santos 24.26
18 Sport 23.73
19 Grêmio 23.23
20 Goiás 23.20

Além deste dado o Vasco lidera também na estatística de cartões. É o time mais punido com cartões amarelos e vermelhos no campeonato. Foram 74 cartões em 21 jogos. 8 vermelhos.

abs,
RicaPerrone

Os confrontos

É mata-mata, olho no olho, futebol como deve ser. Sorteados os confrontos das oitavas da Copa do Brasil, que passa a ser o foco de pelo menos 6 clubes brasileiros nas próximas semanas.

Entre eles, dois classicos regionais. Mas pra mim, e isso não tem a ver com uma aposta sobre resultados, o que se saiu melhor foi o Vasco. Explico individualmente por confronto.

– Internacional x Ituano  – Em tese, um jogo fácil pro Inter estar nas quartas. Em tese.

– São Paulo x Ceará – Ao contrário do Ituano, o Ceará tem um poder de fogo em casa muito maior. Uma torcida maior, pressão, enfim. SPFC é amplo favorito mas tem que tomar cuidado. Não é moleza.

– Cruzeiro x Palmeiras – Jogaço! Porque parte da torcida do Cruzeiro contestava Marcello Oliveira pela fraqueza dele no mata-mata. A que não queria sua saída, condenava o time.  E agora?  Não poderia ser melhor pra ambos.

– Flamengo x Vasco – Esse jogo é disparado o mais polêmico de todos. Pelo que houve no estadual, porque o Eurico vai tentar criar mil factoides pré jogo, até mesmo levar pra São Januário, não duvide. Mas enfim. Achei o melhor sorteio possível pro Vasco. Porque? Porque se ele perde pro Flamengo do jeito que está, nada muda. É previsível. Mas e se passa? Pode estar ali uma oportunidade única de reverter um cenário no clube.  Ser muito favorito num clássico é ruim. E o Flamengo vai confrontar seu pior inimigo: o favoritismo.

– Fluminense x Paysandu – Parece fácil mas não é. Assim como o jogo do SPFC, o adversário faz uso da casa, tem torcida forte e transforma o jogo lá em parada dura. Tem que caprichar no Maracanã.

– Grêmio x Coritiba –  Pelas fases, o Grêmio é bastante favorito. Mas novamente lembro que é um time de torcida forte em casa. E mata-mata isso pesa.

– Atlético-MG x Figueirense – Acho que o Galo passa sem grandes problemas até pelo que vem jogando em mata-mata nos últimos anos.

– Corinthians x Santos – Clássico, com leve favoritismo ao Corinthians que embora tenha mais time e esteja melhor, tem o foco dividido. O Santos pode jogar tudo na Copa do Brasil. O Corinthians, vice líder do Brasileirão, não.

Não vou dar palpites de quem passa por enquanto porque ainda é cedo. Mas o sorteio da Copa do Brasil já é uma das coisas mais legais do futebol e que movimentam o esporte em dia sem jogos.

Gostei muito dos confrontos, especialmente porque moro no Rio e poderei viver de perto essa “loucura” que será o Flamengo x Vasco.

abs,
RicaPerrone

Felizes para sempre

O que faz uma gente lotar o estádio com um time comum, em busca de nada, em situação ruim na tabela e sem nenhuma grande novidade em campo ou promoção?

O que carrega essa gente toda pra lá?

O Flamengo.  Mais do que uma situação, um rival ou uma estréia, basta ter Flamengo com cara de Flamengo e eles topam tudo.

Alguns discutem “o quanto cantaram”, outros “que não venceram”, mas na real o impressionante é a facilidade com que se movimenta essa multidão. Pra um lado e pra outro, diga-se. Do céu pro inferno e vice-versa.

Foram ao Maracanã ver Flamengo. E viram.

Um time que empurrado joga o que não sabe, faz 2×0 e flerta com metas surreais.  A volta do intervalo, o jogo ganho que empata, a bola que não entra e a paz que vira inferno.

O Maracanã que pulsava agora come unhas, briga com ele mesmo entre os que tentam impor incentivo e os que acham que não merecem naquele momento. Essa gente que avalia um jogo do chão ao teto do estádio, ponderando atuações de meias, volantes e torcedores.

“Tamo cantando pouco!”.  Ou os aplausos quando sai o público recorde.  Seja na manifestação que for, a megalomania rubro-negra é diferente de tudo. Eles cantam, empurram, e quando param… se aplaudem! “Que torcida é essa?!?”.

Mas hoje podem reclamar de um lance, um treinador, do empate. O que quiserem! Menos de não terem sido recompensados pelo ingresso.

Se foram lá pra ver Flamengo, viram.  Sofrido, inesperado, lotado, entre o céu e o inferno e sempre te deixando sem saber o que pensar:  Em qual Flamengo acreditar? No do primeiro ou do segundo tempo?

Tanto faz. Cada dia mais me convenço que o rubro-negro vai ao Maracanã mais pelo prazer de enche-lo do que pela certeza de ver o time ganhar. Que aliás, nunca existiu tratando-se de Flamengo.

abs,
RicaPerrone

O público nos pontos corridos

Lá se vão 12 anos de pontos corridos. O que eu mesmo defendia há mais de uma década, hoje sou radicalmente contra.  Mas ainda tem uma parte dos torcedores que gosta do formato, especialmente cruzeirenses, sãopaulinos, colorados e santistas. Porque será?

Durante estes 12 anos os públicos variaram de acordo com os que disputavam título e os que ficavam de férias mesmo jogando. Mas nada diferente do que acontecia na era dos mata-mata.

Veja as estatísticas de público desta nova era.

Não se preocupe. Se empolgue!

Eu gosto muito de notar como os jogos de futebol são avaliados sem o menor critério por causa de um ou outro lance que determina o placar final.  Acho divertido, tosco, mas no fundo futebol é isso.

Hoje vi vários santistas “chateados” com o empate contra o Sport. Eu entendo, empatar em casa, contra um não favorito, enfim. Mas se eu fosse santista eu teria terminado o jogo muito feliz.

Explico.

Foi de longe o melhor jogo que assisti no Brasileirão até aqui. Devo ter visto uns 20, talvez. Nenhum com 900 passes trocados, média de acerto superior a 84%, jogo intenso, veloz, com menos de 20 faltas, incríveis mais de 30 chutes a gol, dribles e velocidade.

O Sport não me surpreende. É um time bem armado e que deu pra notar logo na primeira rodada. Vai ser o “bicão” ali em cima enquanto os grandes não engrenam.  Mas o Santos, que não é cotado por ninguém a grande coisa esse ano, fez uma partida de encher os olhos.

Se o Santos não entender este jogo como tropeço pode fazer bem mais do que se espera dele no campeonato.

abs,
RicaPerrone

Fim

Era 2002, último ano que o futebol brasileiro teria um campeão que ganhava do vice. Chegava a “Era homeopática”, onde ser regular virava mais importante do que ser brilhante.

Em maio daquele ano o Santos tinha um time mediocre. Sem dinheiro, sem um treinador competente e sem perspectiva, apostou “no que dava”. Dali vieram Elano, Robinho, Diego, Renato e um time que, diria eu, foi o último campeão brasileiro que fez o país suspirar.

Das pedaladas consagradoras e constrangedoras de Robinho até 2015 foram diversos campeonatos, vendas, compras, neymar, crise, glórias, idas e voltas.

Até que um dia Elano, Renato, Robinho e Ricardo Oliveira, consagrados, ricos, veteranos, voltam a jogar na Vila Belmiro.

E veja você, caro torcedor, como o futebol é incrível. Ele poderia ter dado ao “novo Palmeiras” uma glória de boas vindas. Afinal de contas, é mesmo um prazer poder tê-lo protagonista de novo.

Mas foi saudosista, cruel, imponderável, talvez tentando nos dar um recado.  Deu ao Santos o título nos pênalits, encerrando aquele time fantástico representado por 4 dos seus protagonistas.  E juntos, de branco, na Vila, deram a que tende a ser sua última volta olímpica daquele time.

Porque aquele Santos de 2002/03 encerra seu ciclo hoje. E o futebol nos faz pensar, como sempre usando seu filho mais querido, o Santos, que nestes últimos 12 anos não conseguimos repetir nada igual.

Talvez ele queira nos dizer algo. Talvez seja mera coincidencia.

Eu acredito em coincidencias. Mas não na que insinua que o futebol e o Santos tenham uma relação comum.  É lá que tudo começa a mudar.

Que seja eterno o Santos de 2002. E que se repita. Sempre. O maior número de vezes que conseguirmos.

abs,
RicaPerrone

Renda e Público 2015

O blog não acompanhará apenas os dados de público e renda do Brasileirão em 2015. Vamos de janeiro a dezembro considerando todos os campeonatos através dos borderôs oficiais dos clubes.

Algumas considerações:

– Os clássicos no Rio de Janeiro tem torcida dividida. Logo, o público e a renda bruta do jogo são computadas para os dois clubes. Apenas a renda líquida é exclusiva de cada um.

–  Os planos de Sócio Torcedor de cada clube que constam descontados no borderô não estão nestes dados. Ou seja, da renda líquida o quanto o clube “devolve” para o programa sócio torcedor, não é computado.

– Os clubes não divulgar borderôs de Libertadores. Para que haja uma renda líquida nos dados, usamos a média do clube de % líquido e temos um valor estimado.