Seleção Brasileira

O hexa tá vindo

Eu não queria criar expectativa, mas se eu não fizer isso estou sendo cético e brigando com os fatos. A gente tem o direito de viver uma grande paixão mesmo que o risco de terminar numa grande frustração aumente conforme a entrega.

É proporcional a dor e fé.

Vai doer se não der. Mas o lado bom da vida é exatamente o que passamos acreditando, não o que passamos evitando nos decepcionar.

Eles merecem. Fazem por onde e está diante dos nossos olhos o favoritismo conquistado pelo trabalho e não apenas pela camisa amarela.

Goleamos, jogamos bem, tocamos a bola como brasileiros e temos craque. Somos o que adoramos ser. O tabu diz que somos sempre campeões quando não somos favoritos.

E eu lhes digo que o tabu que se foda.

O hexa pode até não chegar. Mas que ele  está a caminho, está.

abs,
RicaPerrone

Porque você não gosta do Thiago Silva?

Ouço essa pergunta quase todos os dias em alguma rede social ou pessoalmente. Nota-se que não sou do fã-clube do jogador pelo que digo sobre futebol, o que não implica em não gostar dele.

Mas o tema é bom e se debatido sem paquita de lado a lado, fica interessante.

Eu reconheço no Thiago Silva um zagueiro muito bom tecnicamente. Um dos melhores. Não o conheço pessoalmente, mas temos uns 30 amigos em comum. Deve ser ótima pessoa pelo que dizem dele.

Meu “porém” – que vou adorar rever em julho após a Copa – é sobre confiar no Thiago Silva.

Eu confio no Geromel. Porque? Porque todo jogo difícil que ele jogou eu o vi tomar a frente e fazer o que era preciso. Confio no Miranda pelos mesmos motivos.  Confiei em diversos jogadores a vida toda porque gostam de título e decisão.

Títulos de pontos corridos não indicam saber decidir. Indicam saber ser regular. E como acho os pontos corridos a mais broxante manifestação futebolistica do planeta, não posso atrelar ao que estou dizendo.

Thiago é o zagueiro do 6×1 do Barcelona no PSG. É o do 4×2 do LDU x Flu, o que teve crise de choro na Copa contra o Chile.

Um capitão que foi egoista em 2015 e piorou a conturbada seleção pós 7×1 após aceitar internamente e ir na mídia reclamar a braçadeira de capitão ser dada ao Neymar. Isso pra mim é, além de egoismo, desrespeitoso com o colega que ficou com a tarja.

Não gosto dele virar titular depois do Marquinhos ter segurado a bronca toda brilhantemente até aqui. Poderia virar em jogos, desfalque, contusão ou sequencia de trabalho. Não em 3 treinos.

Não gosto da forma com que se refere ao tema. Acho desnecessário ir a mídia falar que fica constrangido. Isso se conversa no quarto com o colega, não na sala de imprensa.

É pauta fácil. Qualquer entrevista tira dele uma polêmica fácil pra explorar. Se defende mal nesse campo. E só nesse, que fique claro.

Não é um grande campeão. É um campeão francês. Qualquer um que jogue no PSG ganhará o Frances sem a menor dificuldade.

O capitão de 2014 era Thiago Silva. O líder que assumiu essa postura foi o David Luiz.

Esses são os meus motivos para não confiar no Thiago. Não para desgostar dele. Apenas não enxergo nele um ícone vencedor. Vejo um Rubens Barrichello. Alguém muito talentoso mas de emocional bastante frágil.

Tecnicamente é o melhor dos 4.  Eu gosto sim do Thiago Silva. Só não confio nele. É diferente.

Talvez sem o cargo de capitão seja mais fácil pra ele lidar. Talvez isso seja um problema pra ele, como foi em 2015. Não sei. E por não saber, tenho medo.

Meu maior desejo na vida a curto prazo é voltar aqui dia 15/7 a noite e escrever que Thiago perdeu várias pra ganhar a maior de todas.  Mas hoje, ainda em 7/6, eu ainda não confio no Thiago Silva.

abs,
RicaPerrone

 

Um “tatiquês” rápido sobre a seleção

Talvez haja nessa seleção algumas discussões táticas pouco produtivas em virtude da mudança do futebol. Se vários treinadores não acompanharam, imaginem torcedores.

Quando se fala da seleção brasileira atual muita gente enxerga isso aqui:

Os volantes bem “volantes”, os “meias” bem “meias” e dois “atacantes.  Era isso até outro dia, natural que ainda muita gente veja futebol assim.

Mas não é assim que o Tite enxerga a seleção.  A formação do treinador é essa:

Dentro disso, ele tem “um volante”.  Fernandinho e Paulinho já se enquadram em outro esquema de jogo, comum até, onde os meias mais centralizados vem de trás e não necessariamente são volantes de marcação apenas.

O Renato Augusto se adaptou a função do Fernandinho pra atuar ali. Mas caiu de rendimento e marca bem menos.  O Coutinho, quando titular, foi do outro lado, na vaga do Willian.

O time que hoje a maioria sugere é esse abaixo:

Ele tem um probleminha.  Uma das maiores jogadas da seleção é a chegada do Paulinho.  Ele fatalmente chegaria menos dessa forma. Mas ainda é uma opção viável. A do segundo tempo contra a Croácia, inclusive.

Por fim, o time mais ofensivo de todos. Com Renato e Coutinho, mantendo Paulinho na função de um meia mais do que volante.

Esse time sobrecarrega o Casemiro, deixa as duas “pontas” parecidas, e dá ao Brasil um poder de fogo sem igual. Mas lembrando que o Marcelo é ofensivo, talvez não funcione tão bem contra times mais fortes.

O Tite tem dúvidas. E essas são as dúvidas dele. Qual desses times vai a campo.

Se ele escalar o time da terceira imagem, com o Coutinho “centralizado”, terá cometido um erro ao não levar o Luan.

Eu não mexeria no Willian. E vejo no Coutinho uma peça que pode mudar jogo.

Mero palpite: ele começa com Fernandinho e o Coutinho entra nos jogos em que estamos ganhando na vaga do Willian e nos que estamos empatando na do Fernandinho.

Aguardemos. Mas cuidado pra não enxergar uma formação que o Brasil não usa.

abs,
RicaPerrone

Globo triplica audiência com a seleção

Redes sociais juntam todas as pessoas infelizes que até alguns anos atrás não saiam de casa, não tinham amigos e viviam amarguradas sem ter onde destilar sua infelicidade e também as pessoas normais. Essa mistura confunde, mas é fácil entender.

Quanto menos vida, mais você reclama. E não há nada melhor do que uma rede social pra reclamar. Lá, você jura que o MasterChef dá 20 pontos, que a NBA é um fenomeno de audiencia e que o Bolsonaro tem 95% nas pesquisas.  No mundo real as coisas não são assim.

Lá no muro de lamentações virtual é fácil você achar que “ninguém liga pra seleção”, que a Copa será um fracasso de atenção do torcedor e etc. Mas toda Copa se diz isso, e toda vez o mundo desmente.

Sabe qualé a audiência da Globo domingo as 11:30 da manhã?  Em média 9,8 pontos.

Sabe qualé a maior média de audiencia da Globo aos domingos? O Fantástico, em média 21 pontos.

O futebol dá uns 20. As vezes mais, depende do jogo.

A seleção brasileira em seu AMISTOSO domingo deu a Globo picos de 35 pontos.

Flamengo e Corinthians deu ótimos 28.

Há quem siga repetindo que o futebol no Brasil perde espaço, que as pessoas ligam menos e que não haverá comoção na Copa. E há a verdade.

Fique com a segunda.

abs,
RicaPerrone

Confia!

Escrevo durante o jogo. Está 0x0, a seleção não está jogando muito bem hoje. Mas a reação das pessoas, especialmente nas redes sociais, é inacreditável.

O Tite assume a seleção, muda tudo, joga bem e ganha uns 20 jogos. Convence, apaixona o povo, forma um time e faz muito mais do que dele se espera. E então chega a hora da Copa, 45 minutos de um amistoso sem tanta intensidade e criatividade, pronto: estamos fodidos.

Nada presta. O Tite é burro. Sem Neymar não dá. O Willian é ruim. O Fernandinho é retranca. O 7×1 vai se repetir. Somos um lixo. E “perder tempo” torcendo pra seleção é burrice.

Porque diabos o Brasil rejeita tanto o sucesso e o bom trabalho? Porque a gente não pode ver alguém fazer algo bom que nossa aposta é sempre que “uma hora ele vai se dar mal”?

Que merda de critério é esse que nos impede de vermos e darmos crédito a quem merece?

Qual motivo para não confiar e torcer pra esse time? Não existe. É a melhor preparação pra uma Copa que o Brasil já fez em todos os tempos. Sério, profissional, meritocrata. E ainda assim, procura-se motivos para desmerecer.

Eu sei que as redes sociais sao o muro de lamentações do mundo. Sei também que todas as pessoas sem amigos frustradas e amargas que há 20 anos viviam em casa escondidas hoje habitam com fervor as redes sociais. Mas a influência tem que ser oposta.

Não nos tornarmos amargos como eles, mas eles se tornarem mais leves como nós.

Gol do Neymar! Porra!

Tchau, vou ver o jogo. E sim, vou torcer, comprar camisa, chorar, comemorar, beber, gritar. Porque Copa é Copa! E quem não gosta de Copa não gosta de futebol. Simples.

abs,
RicaPerrone

No album: Seleção 1994

Todo album da Copa sai antes das convocações finais e dos cortes. E portanto tem diversos “erros”.  Aqui a seleção do tetra no album de 1994.

Ricardo Rocha e Ricardo Gomes se machucaram. Palhinha e Evair também não foram à Copa.  Faltaram neste album Viola, Paulo Sérgio, Ronaldão, Aldair, Leonardo, Mazinho e um tal de Ronaldo, que ainda tinha 17 anos.

O maldito Shakhtar

Eu não vejo, nem você.  Não se faça de super herói pra atingir seu alvo. Não temos como avaliar um jogador que não assistimos jogar. Temos uma idéia pelo que ele era, uma outra base pelo que ouvimos falar, talvez alguns números para se basear. Mas ver, ninguém viu.

A lista só tem um defeito

Tite foi como sempre coerente. Competentíssimo, levou o que avaliou em todo o período pra Russia sabendo que não está sendo injusto com ninguém.  Ele seria se não levasse Geromel. Os demais são todos bem argumentáveis.

Alguns dos argumentos faço pelo Tite, inclusive.

Arthur – Perdeu a vaga por contusão. Era dele, mas como tudo na vida funciona assim, o ruim de se machucar é exatamente abrir espaço pra outro. O Fred entrou, treinou muito bem, ganhou a vaga e ficou. É do jogo. 90% dos jogadores quando ganham posição são em cima da contusão do outro. Ele estará na próxima.

Taison – Eu não vejo o Shakhtar jogar. Ao contrário dos outros 99% dos jornalistas esportivos, sou capaz de dizer sem me sentir menor por isso: eu não vejo o campeonato ucraniano.

Luan – Não se encaixa em posição nenhuma da formação da seleção.  O 4141 do Tite não tem espaço pra um meia/atacante de pouca recomposição e centralizado. O Luan infelizmente, pra esse esquema, sobra. Mas, poderia ter ido pelo exato motivo que encontro o defeito da convocação.

Cássio – É um grande goleiro. Acho o Grohe em melhor fase, mas não tem nenhum absurdo em ele preferir o Cássio. Normal.

Fagner – Justo. É o melhor lateral do Brasil. E se precisar dele, joga e dá conta.  /

Enfim, esses são os “polêmicos”. Dito isso, vou para o que achei um erro.

A seleção reserva é um espelho da titular. Tite tem absoluta certeza que esse time jogando dessa forma irá vencer a Copa. Se precisar do centroavante alto que ele tanto buscou, não tem. Um meia mais central de frente pro gol (Luan), não tem. Ele tem 11 e mais 11 reservas que atual na mesma função.

Uns mais pra cá, outros pra lá. Mas você não vai olhar pro banco e ver uma chance de mudar o jogo pra bola alta, pivô, um cara que entra driblando mais pelo meio. É o banco do que se tem em campo. Vamos trocar 6 por meia duzia e rezar pra meia duzia estar numa tarde mais feliz.

Esse é o erro pra mim. A seleção não tem opção de surpreender ninguém. Todos sabem como ela joga e ela jogará exatamente dessa maneira.

Tem dado certo. Mas acho que não custava ao menos um jogador pra quebrar isso. Seja um Luan pelo meio, um Talisca pra bater de fora ou até um William José pela bola alta.

Como em 2010, se olhar pro banco estará olhando pro campo. De resto, nada a contestar sobre a lista e o ótimo trabalho da comissão técnica da seleção desde que assumiu.

abs,
RicaPerrone