seleção brasileira

Eles precisam entender

Hoje é terça-feira e nós vamos receber a Argentina no Maracanã. A seleção patina, estranha os novos métodos, disputa uma eliminatória que não tem risco de ficar fora.

O treinador sequer é o permanente.

Estive com alguns jogadores da seleção informalmente essa semana no Rio e tentei dizer algo pra eles que me parece superficial em vossas cabeças: Brasil x Argentina não é um jogo de eliminatória.

Talvez por serem amigos, jogarem juntos na Europa, sei lá eu os motivos certos, mas aquela rivalidade que existe em nós anda distante deles. E então, meus caros, nada restará em nós que não seja esperar 4 anos pra julgar tudo como lixo ou ouro.

A seleção existe o tempo todo. De 4 em 4 anos jogamos o maior torneio, não o único. E pra sermos quem somos temos que ser protagonistas em todos eles.

As convocações de jogadores com 10 partidas de titular há décadas nos desvaloriza. Mas a CBF não entende isso. O distanciamento do torcedor é natural, os jogadores sequer jogaram no Brasil em muitos casos.

Mas será que tem alguém ali pra explicar pra eles que é Brasil x Argentina? Que a gente não quer abraços antes do jogo, sorrisos e uma atuação bonita? Só queremos ganhar.

Temos que ganhar.

Pela Copa América perdida, a Copa que eles conquistaram com ajuda de arbitragem (pra variar) e principalmente porque nós não perdemos jogos grandes em casa. Somos a maior camisa de futebol do planeta. Só que pra honra-la é preciso mais do que técnica. Precisa de sangue.

E a seleção, embora conquiste resultados, seja consistente, tenha bons jogadores e resultados, não tem sangue nos olhos.

Pra ganhar da Argentina precisa bater mais do que eles. Intimidar mais do que eles. Irrita-los mais do que nos irritam com seu anti jogo.

É preciso não ter pena do tornozelo do Messi. É um tornozelo como qualquer outro. Ou alguém duvida que eles pisariam no do Neymar?

Hoje nós vamos testa-los de vez. Se estão ali pelo treinador, pelo status ou pela seleção. E se algum jogador não suportar jogar contra a Argentina, que seja desconvocado no ônibus de volta.

Essa seleção é boa, mas reza demais e briga de menos.

Hoje é dia de mostrar quem são. Porque nós ainda não sabemos.

Existe uma geração de imbecis virtuais que torcem pela argentina e estão doidos pra gritar o nome do Messi no Maracanã. Se isso acontecer será pior do que o 7×1.

E depende de vocês se vamos rir deles ou ver os juvenis aplaudi-los.

Não é só um jogo de eliminatória.

Vençam!

RicaPerrone

Preocupante?

O Brasil tem uma relação com o futebol sem igual. A paixão, que nem é por ele mas sim pelos seus resultados, cega de forma tão brutal que nem mesmo o próprio discurso se mantém em pé.

De um lado torcedores que passaram a perseguir a seleção por todos os erros cometidos por CBF e Tite nos últimos anos. De outro um treinador que de adorado foi a questionado e hoje beira o rejeitado.

Como tudo isso aconteceu? Com a mesma velocidade e falta de critério de sempre.

Aqui é Brasil, porra! Nunca haverá critérios, qualificação na crítica e menos ainda alguma coerência nas respostas.

Acabamos de ganhar a Copa América. Fomos à Copa voando, lá caimos de rendimento mas fizemos um torneio “ok”, com uma eliminação injusta, jogando melhor. Enfim, nenhuma tragédia, nenhum espetáculo. Copa Ok.

Então Tite e CBF resolvem peitar o futebol brasileiro – de quem deveriam cuidar – e fazer do negócio seleção algo mais importante que os clubes e campeonatos nacionais.  Usando a loucura do jogador por estar de verde e amarelo para vencer a disputa sem fazer esforço.

A seleção dá lucro. Os clubes, prejuizo. Mas a CBF não é uma empresa, ou não se posiciona assim. Em meio a diversas boas iniciativas pré-copa, se perdeu no pós em busca sabe-se lá de quem com atitudes como a de ir buscar na FIFA o direito de desfalcar times brasileiros pra jogar torneios sub 20 como se alguém se importasse com eles.

Ela se importa. Vende, revende, lucra. Mas e o futebol?  E nossos clubes, diga-se, todos coniventes.

Eu não dou a mínima pra resultado de amistoso ruim com estádio vazio pra cumprir tabela e encher cofre. Estamos longe dos torneios, a seleção nunca foi constante e ainda que em má fase, perde muito pouco.

Minha preocupação é com a relação clube/seleção. Com o que o Tite acreditava e passou a acreditar. Com as mudanças bruscas de posicionamento das pessoas que de fora criticavam, de dentro brigam pelo erro.

Trocar de treinador? Agora? Porque empatou com Nigéria e Senegal? Seria tão ridículo quanto demitir o técnico do Atlético PR por não estar no G6 após ganhar a Copa do Brasil.

O problema não é o Tite. É a idéia.

RicaPerrone

Falta só coragem


Tite é um puta treinador. Ponto.

Desde que assumiu a seleção foi de treinador pra super herói. E super heróis não perdem nunca. Então Tite virou um “eu avisei” de uma minoria, uma decepção de outros tantos que só enxergam um placar.

O problema é que ele passou a ser o cara que só olha o placar. Talvez por medo de perder o emprego, talvez por querer demais um resultado na seleção. Fato é que o Tite que tinha convicções passou a contradize-las em campo.

Super heróis não erram.

O mito foi caindo. Não porque perdeu pra Bélgica. Mas porque tudo que ele bancou até a Copa ele mudou no dia que um simples apelo popular e midiático o fizeram mudar tudo em 2 amistosos.

Na volta da Copa, muita cena, convocados que sumiram, outros que foram mantidos sem muita explicação. A convocação absurda de jogadores em decisões de Copa do Brasil pra amistoso inútil. Enfim, o Tite foi desmontando.

Na Copa América torcida e ele chegaram a um acordo mudo: o título.

Não importava como, só importava que teria que acabar assim. Haveria perdão de cá, “missão cumprida” de lá. E sabe-se lá qual o final da história, a única coisa que já sabemos é que a seleção brasileira pode mais.  Tite passou a ser o cara que joga por 1×0 e nós aceitamos isso depois das últimas Copas.

Agora ganhamos. Não é uma Copa, óbvio. Mas é o que tem pra seleções ganharem. Copa, Confederações e Copa América. Não tem outra forma de vencer.

Assim sendo, “alívio”. Vexame não será. Zerado tu não sai. E na fila não estamos.

Então fica, Tite. Mas agora pelo jogo e não só pelo resultado. Pelo conceito e não apenas pelo título. O que ganha jogando mal é comum. O que perde jogando bem é azarado. Seja o cara que joga como nós queremos.

Ou você tem dúvida se hoje o Brasil prefere o Telê do que o Parreira?

RicaPerrone

Evidências

A gente se engana mas no final tudo volta a ficar claro. Nossa relação é intensa, covarde, abusiva. Queremos tudo de ti, damos nada em troca. Sendo você “a” seleção, diria até que somos machistas opressores. Afinal, somos “o” torcedor.

Sendo essa gangorra de amor e ódio onde a você só vale a conquista e a nós o direito a tudo, compreendo a distância.

Dessa vez nem precisamos de 4 anos para comprovar que as redes sociais são uma aberração de opinião popular não legítima validada por um mundo paralelo. Precisamos de apenas um.

Lá estavam, fingindo insignificância, sugerindo amadurecimento ao ponto de ignora-la, quando na real é só recalque mesmo. Vontade de se declarar não permitida pelo mundo moderno onde devemos odiar, contestar, cobrar e pouco se enxergar.

Nas cidades, gente na rua. No estádio cheio, cantoria. Nos bares, camisas e gritaria. E de nada valia, imagina se valesse?

A Copa América é pretexto. Nós paramos é pra brigar com nosso ego e tentar nos convencer de que não, a seleção não é mais importante.

E aí vem os fatos e quebra nossa cara. O Maracanã cheio, o soco na mesa ao apito final daquele mesmo senhor que aos 12 do primeiro tempo dizia “eu nem ligo mais. Se ganhar ou perder, tanto faz”.

Mentiroso.

Na década de 80 o Telê era pisoteado, criticado por todo lado. Em 2019 a gente jura que só queria aquele time de novo. Aquele que massacramos quando perdeu. Diferente desse que será contestado mesmo vencendo.

Brasileiro reclama. E não há nada mais nosso do que a seleção. Não há assunto com mais entendidos do que futebol. Logo, é o alvo predileto.

Vamos assim, já acostumamos. “Negando as aparências, disfarçando as evidências”…

Mas hoje, campeão no Maracanã lotado, acho que dá pra abrir uma exceção e “dizer que é verdade, que temos saudades, e que ainda pensamos muito em ti…”

RicaPerrone

Porra, Tite!

Serei breve. Direto. Quase grosseiro.

O Coutinho não é meia armador pra jogar atrás do atacante centralizado. Na Copa isso nos prejudicou, segue prejudicando.

Arthur e Casemiro são dois “meias” que jogam a bola de lado a maior parte do tempo. Não são volantes que entram como era o Paulinho, por exemplo. O time fica previsível, o único armador é o Coutinho e ali nem é a posição dele.

O Neres tá cru. O Cebolinha entra e faz rigorosamente o que dele se espera.

Neymar faz muita falta. Não só pela técnica, óbvia e gritante, mas pelo senso de protagonismo.  Ser fominha as vezes é ruim, outras vezes é a representação do cara afim de correr o risco de errar mas também de resolver o jogo.

O Felipe Luis é muito bom lá atrás, muito fraco na frente. O Marcelo era bom na frente, fraco atrás. A seleção segue sem ter equilíbrio daquele lado. E não tem opção.

Jesus e Firmino são bons. Mas passam muito longe de serem os substitutos de Careca, Adriano, Romário e Ronaldo. Muito longe.

E por fim, o Tite.

Brilhante até a Copa. Confuso nela, perdido depois dela.

Decisões sem critério. Falta de coerência com o que pregava, prejudicial aos clubes e sem ousadia alguma. Buscando na “mesma praça, no mesmo banco as mesmas flores e o mesmo jardim….”

Mexe nesse time, professor. Ou vão mexer em você.

RicaPerrone

Perdendo a unanimidade

Após a Copa do mundo Tite já deixou de ser tão idolatrado quanto antes por conta de suas escolhas que ao entender de muita gente – e da minha – fez o Brasil não ter tido a Copa que esperávamos.

Após a Copa Tite teve um novo ciclo anunciado e não está sabendo conduzi-lo.

Se como treinador reclamava, hoje na CBF não tem o direito de ir contra seus próprios conceitos. Convocação dos jogadores da semifinal da copa do Brasil foi algo inacreditável.  Ele ou a CBF, tanto faz. Quem não evitou cometeu um erro estúpido a troco de nada.

A CBF tem por vocação curiosa fazer algumas coisas muito difíceis darem certo e as mais simples estragarem tudo.

Tite tem que pensar no time dele? Tem. Ele é pago pra ser treinador da seleção e não para fazer o calendário de merda que os nossos clubes aprovam.  Mas ainda assim, questiono:

Vai testar melhor o jogador contra El Salvador ou vendo ele atuar numa decisão de casa cheia, Tite?

É melhor o Everton fora do Grenal pra você avaliar treino dele nos EUA?

É esse tipo de analise de desempenho que vamos levar como exemplar e diferenciado nos próximos 4 anos de um cara que idolatramos até outro dia por se postar e prometer ser coerente e diferenciado?

Foi. Não tem sido.

Na Copa foi convencido sei lá por quem que seu esquema que funcionava devia mudar. Perdemos.  Pós Copa virou ajudante de um sistema absurdo que prejudica clubes e competições a troco de nada. Gerando raiva pela seleção, rejeição ao treinador e NENHUM beneficio ao futebol brasileiro.

Eu não sei bem o que o Tite está tentando fazer. Sei que não condiz com o que ele mesmo acreditava. E então, discordo.

abs,
RicaPerrone

Mas e se….?

Eu fico imaginando de cá, enquanto mal consigo pegar no sono, como estão eles lá, já dormindo para o jogo de amanhã. Eu imagino a tensão, o “medo” que dá jogar uma Copa sendo Brasil e todas as consequências terroristas que a mídia aqui coloca.

E então eu pergunto: o que pode acontecer? Medo de quê?

“Imagine se a gente perde!?”

“Imagina se eu erro e faço um pênalti?!”

“Imagina se eu perco a bola do contra-ataque?!”

Senhores, se um dia um time de futebol representando a seleção brasileira estivesse sentado na concentração e alguém lhes dissesse: “Imagine vocês perdem a Copa de 7 pra Alemanha em casa!?”, o que aconteceria?

Seria inevitavelmente a maior das tragédias possíveis de se imaginar. E então eu lhes pergunto: na prática, o que aconteceu?

Nada.

A lição é simples de ser entendida. Uma vez o Loco Abreu disse que não havia tragédia alguma em perder um pênalti. Que era só futebol. E se por um lado o torcedor não quer ouvir isso, a história diz que, sim, é “só isso”.

Imagine 4×0 pra Bélgica. 10 dias de ESPN culpando todas as gerações dando 0,2 no ibope, o Sportv criando teses, o Galvão puto, uma dúzia de manchetes por aí, uns 3 vilões, todos na Europa na mesma semana e segue a vida.

Porque na real, nada acontece “se…”.

O “e se…” é o maior terror que a gente coloca na nossa cabeça a troco de nada. Porque cada drama é só nosso modo de ver as coisas. O medo de perder não apenas tira a vontade de ganhar como nos limita a defensores de uma condição que sequer foi atingida.

Agora, “e se …” a gente joga muito, ganha, vai pra final, é campeão, vocês voltam pro Brasil nos braços do povo, calando os idiotas, reconhecendo os que apoiaram e aliviam a vida dura de uma nação? Eternizam seus nomes, orgulham seus filhos e netos, fazem história e ainda ganham muito dinheiro?

Esse é o “e se…”dos campeões do mundo do dia 15.

Não há nada pior do que o 7×1. E se esse não causou nada demais além da tristeza de uma derrota no futebol, teremos medo de quê, agora?

Pra cima deles.  Mas não tentem preservar algo que não é nosso, nem se preocupar em não perder. Não temos nada a perder.

O cinturão não é nosso. Não adianta só se esquivar. Tem que bater até derrubar. Então, batam!

abs,
RicaPerrone

Aceita, volta e vamos!

Não é um dia pra contestar, nem pra se empolgar. A seleção alterna bons momentos com claros momentos de desequilibrio nos jogos e isso não pode acontecer em mata-mata.

Vou ser prático, fazer por tópicos e simplificar o que eu penso do time até aqui.

Coutinho:
Sua entrada como meia é a pior coisa que aconteceu ao time. Para que ele atue nessa posição o Tite desequilibrou todo o time voltando o William na direita, prendendo mais o Paulinho e perdendo altura e recomposição defensiva no lado justo do Marcelo. Coutinho pode jogar como vinha nas eliminatórias: na direita.  O time fica equilibrado com Renato e Paulinho apoiando os lados direito e esquerdo, Casemiro centralizado, e dois jogadores leves nas pontas.

Neymar e Coutinho:
Quanto mais o Coutinho joga perto da área, mais ponta o Neymar vira. E quanto mais o nosso melhor jogador se afasta do gol, menos gols eles faz.  Vale tudo isso apenas pra ter o chute do Coutinho de fora da área?

William:
Está mal. O time com Coutinho ali voava. Não tem porque não mexer após testar e não funcionar.

Jesus:
Isolado, preso, precipitado e não está rendendo nem como fazedor de gols nem como pivô. Hora de testar Firmino.

O time:
O mesmo que se tornou inquestionável até a Copa. Não tem motivos pra mexer e insistir num time que oscila tendo um pronto e testado em casa:  Casemiro,. Renato, Paulinho, Neymar, Coutinho e Jesus (Firmino).

Dito isso, boa noite e que venha o México!

abs,
RicaPerrone

Credibilidade

Pra que serve a sua história? Porque e por quem você escolhe entre o certo e o errado?  Pra que tanta preocupação com sua trajetória se ela de nada valer?

Credibilidade é o que a gente ganha ao longo do caminho pra, quando chegar, usarmos os créditos.

Credibilidade é algo que se conquista. Não há outra forma de tê-la se não por méritos.

Esse time do Brasil tem e merece ter a nossa confiança.  São anos jogando em muito alto nível, ganhando todas, exibindo grande futebol e reagindo bem a sair perdendo, ganhando, empatando, na chuva, no seco, na pressão, em casa ou fora.

Não há qualquer argumento que possa descredibilizar o trabalho feito até aqui e nem os 23 escolhidos para nos representarem lá.  Você pode preferir esse ou aquele, mas é inegável que estes, a maneira deles, fizeram você reconhecer que sim, eles merecem nossa confiança e respeito

Resgataram nossa maior bandeira. Foram tirar a seleção do mais humilhante momento dela e nos devolveram favorita à Copa do Mundo. Esse time tem hoje o direito de usar o que acumulou conosco: créditos.

Um jogo ruim lhe dá escolhas. Ou você vaia, ou você empurra. Tem time que  a gente olha de cima e vaia, tem time que a gente olha de baixo e empurra. E tem time que a gente dá a mão e anda do lado.

Você sabe o que esse merece. Não é hora, ainda, de reclamar, menos ainda de validar os insuportáveis seres humanos do “eu avisei”.

Nós é que avisamos! Vai ter hexa! Confia.

abs,
RicaPerrone

No album: Seleção 1994

Todo album da Copa sai antes das convocações finais e dos cortes. E portanto tem diversos “erros”.  Aqui a seleção do tetra no album de 1994.

Ricardo Rocha e Ricardo Gomes se machucaram. Palhinha e Evair também não foram à Copa.  Faltaram neste album Viola, Paulo Sérgio, Ronaldão, Aldair, Leonardo, Mazinho e um tal de Ronaldo, que ainda tinha 17 anos.