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Decisões

O campeonato de pontos corridos não tem decisão. Ele tem uma soma determinante de regularidade, sorte, momento em que se enfrenta os principais adversários e uma reta final que privilegia quem tem jogo pra ganhar de presente (entrega-entrega) e quem abriu ponto suficiente pra não precisar deles.

Neste domingo, o Brasileirão colocou a prova Corinthians e Atlético MG. Os dois jogariam partidas fora de casa contra adversários complicados de serem batidos em suas casas. E ao final do dia, duas goleadas. Uma pro Corinthians, uma contra o Galo.

Por mais que haja um erro ou outro de arbitragem pra cá ou pra lá, em momentos como esse se tornam incontestáveis algumas conquistas. Não, o Corinthians ainda não conquistou. Mas está perto.

É justo que conquiste. É o melhor time, é o mais equilibrado, o mais perto do “novo futebol” que buscamos, e também aquele que decidiu quando tinha que decidir.

O atleticano é um tanto complexado desde a Libertadores contra o Flamengo na década de 80. Toda vez que um time não mineiro ganha dele, o discurso de “favorecimento”, “eixo” e o escambau se repete. Se repente tanto que perde importância.

Senhores, sejamos tão práticos e coerentes quanto o Brasil todo foi em vossa Libertadores:  É merecido! Uma salva de palmas pra você e segue o jogo.

Hoje o Brasileirão perguntou quem estava pronto pra ser campeão. E o Corinthians levantou a mão sozinho.

abs,
RicaPerrone

Após susto, Lixeira passa bem

Após ser covardemente agredida pelo jogador Fred, a lixeira da Arena Pernambuco identificada por “Lixeira do corredor” passa bem e pode voltar a receber lixo nos próximos dias.

O crime aconteceu ao final do jogo entre Sport e Fluminense, onde visivelmente irritado com o resultado, o marginal atingiu a vítima com um chute. Controlado pelos demais da gangue, a briga não foi além.  As demais lixeiras, num ato curioso que demonstra falta de união da classe, sequer se moveram.

A lixeira foi internada em estado grave mas já teve alta. Foi reparada por uma equipe médica e já pode voltar as suas atividades após delicada cirurgia.

image“Até quando vamos ter que tolerar esse tipo de agressão enquanto trabalhamos? Que país é esse?!”, disse um cinzeiro próximo a lixeira.

Revoltados, os lixos recicláveis disseram que podem abandonar as cores e usar todos o mesmo tom, dificultando a identificação do povo na hora de jogar o lixo fora.

Lixeira do corredor era mãe de um pequeno cesto de banheiro e trabalhava na Arena há mais de 1 ano.

O marginal agressor não foi detido, mas o STJD o denunciou.

O Fluminense, nome que se dá ao bando que ataca lixeiras em Arenas, ainda não respondeu a acusação. Especula-se que um caminhão de lixo pode ser incendiado pelo grupo nesta madrugada.

A polícia está atenta.

abs,
RicaPerrone

Opostos

Assisti Inter x Fluminense. No meu ipad coloquei o Corinthians x Sport e no final das contas eu não podia ter feito escolha melhor. A aula mais didática do mundo da diferença entre times que treinam pra não perder e achar gols no individual e times que treinam o coletivo na frente e atrás.

Sport e Corinthians jogaram intensamente sabendo o tempo todo onde deveriam estar, o que fariam com a bola e como tentariam o gol.

Inter e Fluminense pegavam a bola, olhavam pra frente e procuravam alguém que pudesse resolver.

A diferença pro futebol que queremos do que alguns ainda jogam é muito simples. É um time treinado coletivamente para agredir e defender e que dentro disso a técnica desequilibre.

O Fluminense é um time fechado, onde ninguém troca de posição, todos esperam que algum dos medalhões resolva num lance individual. Não tem NADA ofensivo treinado.  Absolutamente NADA!

O 4231 mais irritante do mundo, que não muda nem a paulada, e um time com Cícero e Ronaldinho que não tem a bola no chão no meio campo.

O Inter, coitado, vem de uma paulada absurda! E jogando desorganizado fez o dele numa expulsão que facilitou. Justa, diga-se. O que não foi justo foi o Alex não ter sido expulso em seguida quando quase quebrou a perna do Pierre.

Enquanto isso, na Arena, Corinthians e Sport trocavam passes e construiam jogadas da defesa pro ataque. Um esporte diferente, uma evolução absurda do jogo de Porto Alegre.

Não vou ousar sair cagando regra de que é o Tite, é técnico gringo, etc. Até porque acho que o treinador do Sport não nasceu em Madrid. Mas enfim.

Bola no chão, jogo intenso, movimentação, ataques treinados. O coletivo definido.  Não é “dá no Diego Souza”. Ele é parte de um esquema e dentro dele faz diferença.  Não é o quanto o Elias ta em boa fase. Ele está em todos os lugares do campo e o time se defende e ataca com ele.

É incrivelmente superior o jogo de Sport e Corinthians do que apresentam Inter e Fluminense.  Mas a tabela computa 3 pontos, não dá notas por avaliação.  Assim sendo, haverá briga até o final neste equilibradíssimo Brasileirão.

Nos placares. Porque em campo tem gente sobrando e tem gente devendo.

Ah! O pênalti!? Achei pênalti.

abs,
RicaPerrone

A camisa e o time

Gremistas não vão racionalizar por motivos óbvios e até justos. Em casa, contra o Sport, é Grêmio ou nada!

É o que sugere a camisa, até mesmo a posição do Tricolor na tabela. Mas passada a euforia do grande jogo e do resultado não tão bom, vamos voltar a realidade.

Tecnicamente o time do Grêmio não é suficiente para estar onde está. É um time que joga bem perto do seu limite para ser o quarto colocado. Hoje, contra um Sport muito organizado e também muito perto do limite, os gaúchos até mereceram a vitória.

Mas não há aquela distância entre eles que obrigue uma goleada num jogo desses. Já vi o Grêmio ganhar partidas muito menos animadoras do que a de hoje. E se os três pontos não vieram, o Grêmio que em maio foi colocado no pacotão lá de baixo do campeonato segue brigando por G4.

Entre a perspectiva e o resultado há um ganho enorme. Entre a camisa e o que se pode esperar dela hoje, uma perda.

O Grêmio fez hoje um jogo de time grande.

abs,
RicaPerrone

Santos guerreiros

Tem alguns jogos do campeonato de pontos corridos onde ele te pergunta até onde você quer chegar.  Hoje, mesmo me parecendo claro que o Fluminense não tenha notado, foi a primeira vez que o campeonato lhe perguntou isso.

A resposta foi “não sei”.

A vitória contra o Sport em casa pode parecer significar 3 pontos apenas. Mas não é isso. Se ganha hoje dorme em segundo ao lado do São Paulo, com um time não favorito a sua frente, o que lhe dá a condição de protagonista no campeonato.

Treina uma semana e muda o status, vira a chave. O time que não sabia se sobreviveria sem Unimed disputaria a liderança do campeonato já na sétima rodada, onde o quarto grande já teria sido enfrentado.

E então, sem talvez ter dimensionado as consequências deste jogo, o Fluminense entrou em campo absolutamente disposto a evitar uma derrota.

No intervalo alguma coisa mudou. Mais ousado, mas ainda um time muito bonzinho.

Eu faria embaixadas contra o Fluminense no Maracanã.  Juro.

Esse time não tem ninguém que vá me dar um pontapé se eu fizer isso. E as vezes, como dizemos nos bares por aí, um time vencedor precisa de “um bandido”. Talvez dois.  Mas um time todo de “atletas de cristo” é foda.

Gerson e Fred se revoltam. Os demais não reagem ao erro, ao apito, ao gol perdido.  São bons garotos, mas o futebol não é um concurso para coroinha da igreja.  É uma competição onde o sangue nos olhos faz pontos.

Fluzão! Guerreiros sorrindo de barba feita e gel no cabelo ninguém respeita.

abs,
RicaPerrone

Não se preocupe. Se empolgue!

Eu gosto muito de notar como os jogos de futebol são avaliados sem o menor critério por causa de um ou outro lance que determina o placar final.  Acho divertido, tosco, mas no fundo futebol é isso.

Hoje vi vários santistas “chateados” com o empate contra o Sport. Eu entendo, empatar em casa, contra um não favorito, enfim. Mas se eu fosse santista eu teria terminado o jogo muito feliz.

Explico.

Foi de longe o melhor jogo que assisti no Brasileirão até aqui. Devo ter visto uns 20, talvez. Nenhum com 900 passes trocados, média de acerto superior a 84%, jogo intenso, veloz, com menos de 20 faltas, incríveis mais de 30 chutes a gol, dribles e velocidade.

O Sport não me surpreende. É um time bem armado e que deu pra notar logo na primeira rodada. Vai ser o “bicão” ali em cima enquanto os grandes não engrenam.  Mas o Santos, que não é cotado por ninguém a grande coisa esse ano, fez uma partida de encher os olhos.

Se o Santos não entender este jogo como tropeço pode fazer bem mais do que se espera dele no campeonato.

abs,
RicaPerrone

Um “final” de campeonato

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Era 20 do primeiro tempo, por aí.  O Sport perde a bola na intermediária ofensiva, o Botafogo retoma, joga na frente e corre em contra-ataque pro gol.  Num ritmo fora do comum, numa objetividade digna de 44 do segundo tempo com o placar contra.

O Botafogo joga os últimos 10 minutos de uma derrota durante 90.  E talvez este seja o caminho de evitar a até aqui provável queda para a série B.

Não exatamente pelos pontos, mas pela tabela, pela crise, pelos salários, pelo time em si.  Não sei te dizer se “merece”.  Sei que tentam a todo custo, em campo, merecer ficar.

E hoje, de novo, não mereciam perder.

Jobson correu feito um desesperado até não ter mais pernas. E ainda que sem elas, continuou correndo.  O time do Botafogo tratou cada bola dominada como uma chance e até chegou a criar algumas. Mas fez de todas elas a “última bola”.

Não será a última, mas eles também não podem prever qual será a determinante.  Assim sendo, arriscam, se doam e merecem a sua presença e apoio nessa reta final.

É muito difícil diagnosticar qualquer coisa num clube cuja hierarquia básica (salários) não existe mais.  Mas não é difícil acreditar que esse time que vive aos 44 do segundo tempo possa fazer o “gol salvador” ainda que nos acréscimos.

Esse Botafogo não me dá prazer em ver jogar. Mas de alguma forma me comove.

E torço pra que o suor dos jogadores possam merecer mais a permanência do que as decisões da direção do clube merecem a queda.

abs,
RicaPerrone

Te pegou

Fred é tudo que um ídolo pode ser.  Artilheiro, vilão, herói, piada, vítima, perseguido, polêmico, vencedor.   O torcedor do Fluminense odeia ter que amar o Fred, mas ama.

Até mesmo aquele mais rebelde Young Flu que se nega a aceitar estar diante de um dos maiores nomes da história de seu clube, no fundo, adora o Fred.

Porque ele não joga sempre. Mas quando joga, sempre resolve. E quando resolve raramente é num jogo qualquer. Fred é protagonista de todas as semanas do Fluminense desde que chegou. E por consequencia, do futebol brasileiro.

Não há segunda-feira sem Fred.

Hoje, acho que pra quem é de fora, não há um Fluminense sem pensar no Fred.  Pra eles, lá dentro, sei que Conca ocupa mais espaço no coração tricolor. Mas é mais fácil ser Conca, convenhamos.

Regular, firme, bom jogador, quase mudo, pouco contestável e imune a qualquer conflito.

Fred é Renato Gaucho moderno. Fala o que pensa, faz o que quer, assume a condição de capitão, lidera um grupo, divide a torcida, resolve jogos, se faz fundamental até pra que o descartaria facilmente.

Você pode não gostar do Fred. Mas tem que, no mínimo, reconhecer que nem todo mundo consegue sair do inferno na sexta pra ser ovacionado no domingo.

Ele te pegou, de novo.

abs,
RicaPerrone

Como não cai?

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Dizem por aí nas arquibancadas rubro-negras que “time grande não cai”. Eu discordo, muito, e espero não ter que vê-los convencidos do contrário em dezembro. Mas na real, se há uma tese a ser desenvolvida sobre isso talvez seja que “o Flamengo não cai”, mesmo tendo flertado tantas vezes, e porque não cai.

É repetitivo falar da torcida dos caras e isso revolta tricolores, botafoguenses e vascainos. Óbvio, é o ponto pouco discutível de uma lenda criada, mantida e hoje comprovada sobre a tal “força da nação”.

Não me diga que não é verdade, menos ainda que não faz tanta diferença. Estamos na rodada 14, os caras estão na lanterna. Qualquer um estaria fazendo protestos e só juntando cacos pra empurrar nas rodadas finais e desesperadoras.

Eles se anteciparam. Estão lá ao dobro do valor do ingresso cobrado pelo Flu, também carioca, vice líder até domingo.

Não é promoção, nem futebol, menos ainda pelo nível do adversário. Não me diga que é “flapress”, fica até desagradável numa segunda-feira como essa.

São os donos das ruas, comemoram não a vitória, mas a grande atuação que tiveram.

Não o time. Eles mesmos!

É raro, talvez único. Mas rubro-negros avaliam seu desempenho após o jogo como se fossem um jogador.

E não são?

Quem cruzou aquela bola ontem? Quem empurrou de cabeça? Quem não desistiu mesmo merecendo vaias e empurrou como se merecessem aplausos aos 40 do segundo tempo?

Era dia dos pais. Todo rubro-negro tinha todos os motivos do mundo pra não estar lá.

Mas enquanto todo mundo acorda e pergunta “porque ir ao Maracanã”, o rubro-negro se pergunta “porque não”?

abs,
RicaPerrone