Valdivia

Palmeiras perde um desfalque

Média de 4 gols por ano, participação em praticamente metade dos jogos do clube por temporada, uma média de 2,2 cartões amarelos para cada gol marcado.

Nos últimos 5 anos, 3 gols por temporada.

Contra o Santos, 10 jogos, 4 derrotas, 2 vitórias.

Contra o São Paulo, 15 jogos. 7 derrotas, 3 vitórias.

Contra o Corinthians, 15 jogos, 5 vitórias pra cada.

Nestes 45 clássicos, 4 gols.

Uma torcida dividida entre os fatos e o sonho de ter Valdívia na plenitude de sua forma, algo que só acontece a cada 4 anos por uns meses.

O maior salário, o pior custo/beneficio.

Hoje o Palmeiras “perde” Valdívia.  Se livra de um desfalque, muda o foco, assiste ele jogando no Chile o que há tempos não jogava no Palmeiras.

E então, pela milésima vez, o palmeirense se pergunta: Me fará mais falta o Valdívia que perdi do que o desfalque que me livrei?

Por via das dúvidas, se é que após tantos anos ainda há dúvidas: Não.

Valdívia é uma “perda” que reforça. Do mesmo “pacote” que Luis Fabiano e Kleber Gladiador.

Jogador de organizada. Tão confiável quanto.

abs,
RicaPerrone

O jogo que ninguém perdeu

Ganhava o Galo até os 49 do segundo tempo. Quando Rafael Marques empurra pra dentro nos acréscimos dos acréscimos o Allianz Parque explode e confirma um de seus primeiros jogos memoráveis.

Com boas jogadas, duas propostas de jogo bastante diferentes e um Galo que mesmo desfalcado não abriu mão de tentar atacar quando teve a bola, a abertura do Brasileirão foi em grande estilo.

Sem interferência de arbitragem, jogo corrido, bem jogado e com emoção até literalmente o último segundo.

Pro palmeirense pode parecer uma tragédia empatar em casa contra um time misto. Mas pelo que apresentaram em campo, não foi.  Aliás, no fim das contas, o Palmeiras saiu quase no lucro com o empate.

O que não quer dizer que o time jogou mal. Na verdade teve alguns defeitos, mas passou longe de ter jogado mal.

Tal qual o Galo, que considerando ter entrado com time misto, fez uma partida espetacular.

Naquele Allianz Parque com bom público não apenas empataram Palmeiras e Galo, como não perdeu ninguém. Nem mesmo o mais doente alviverde com seu ingresso criminoso a preço de diária de hotel de luxo.

Além do grande jogo e da emoção no fim, ainda teve a dignidade de participar do coro que, enfim, teve palmeirenses separando organizada deles. Afinal, palmeirenses torcem pro Palmeiras, não pra torcida do Palmeiras.

abs,
RicaPerrone

Valdívia, “a gostosa”

Sua mãe lhe avisou, você não ouviu. Seus amigos lhe disseram, você achou que era inveja. Você mesmo chegou a algumas conclusões racionais avaliando a situação, mas não colocou em prática.

Não é amor. Nem de lá, nem de cá.

Você sabe que ela te usa, que gasta muito dinheiro, que não se comporta bem com seus amigos e que normalmente te deixa sozinho nos eventos.  Sua vida sexual é rara, quase mensal.

Mas quando você reavalia e pensa em se separar, ela sai do banho de camiseta e calcinha, cabelo molhado e te dá o melhor sexo de sua vida.

Por 20 minutos te faz feliz como nenhuma outra faz. E então, mesmo sabendo que nada vai mudar, você se entrega à paixão e ignora a razão para ter, brevemente, algum prazer.

Ela pode ter todos os defeitos do mundo. Você alterna entre momentos que os detesta e outros que finge não vê-los.

E se por um lado a lógica te obriga a buscar um novo “amor pra vida toda”, uma “companheira pra todas as horas”, alguém mais presente e que use menos seu dinheiro, o coração diz tudo ao contrário.

É ela que você quer.

Porque?

Porque não?

Afinal, ela é gostosa. Muito gostosa.

abs,
RicaPerrone

Valdívia – Rindo a toa

palmeiras

Eu também daria risada a toa se pudesse ser o pior custo benefício de uma empresa e ainda pudesse colocá-la contra a parede pra renovar comigo.

Valdívia é o que há de mais perturbador à lógica.

Porque diabos um jogador que atua, em média, 45% da temporada é o maior salário do clube, idolo da torcida e ainda se coloca em condições de pressionar por uma renovação?

Que status é esse que o reserva da seleção chilena tem num clube recentemente rebaixado, cheio de problemas e que ele não conseguiu amenizar?

Em 2014, Valdívia fez 29 jogos. Apenas 4 gols.

Em 2013,  27 jogos, 4 gols.

Em 2012, 34 jogos, 3 gols.

Em 2011, 28 jogos. 4 gols.

Numa média, Valdívia joga menos da metade da temporada e faz míseros 4 gols por ano.

Que diabos de cenário tem este “craque” pra vir a público pressionar o clube e falar em “sacanagem” forçando uma renovação sabendo que seu valor para o Palmeiras é muito maior que pro mercado?

Quanto vale um Valdívia de azul? De vermelho e preto?  Sem a chantagem emocional de ser ídolo, Valdívia é um bom jogador que não tem mercado na Europa, que não merece o salário que ganha e que tem números incontestáveis de ser um péssimo custo/benefício.

Sob qual argumento o Palmeiras vai renovar com ele? O de que a torcida o adora?

Um novo Palmeiras, como se ensaia, não merece ser refém de um jogador que além de não entregar quase nada ainda joga a torcida contra o clube.

Valdívia é ruim pro Palmeiras.  Como ídolo, como meia, como investimento.

abs,
RicaPerrone

Péssimo negócio

Você pode avaliar um jogador na hora de contrata-lo de diversas formas. A mais apaixonada é pelo que você espera que ele faça. A mais lógica pelo que ele fez até hoje.

Valdívia, dizem, estaria negociando com o Flamengo. Rodrigo Caetano, porém, me afirmou que, hoje, a chance é zero.

Dizem também que seu salário é de meio milhão de reais. Eu entendo a carência do palmeirense pelo passado recente onde até Kleber Gladiador, a mentira mais bem contada da história do futebol brasileiro, virou ídolo.

Valdívia, ao contrário de Kleber, é tecnicamente um jogador diferenciado. Porém, aos 31 anos, não é mais hora de prometer e sim de fazer um balanço de sua carreira.

Nos últimos 5 anos de Palmeiras, jogou em média 28 partidas por temporada. O clube tem jogado em média 70.  Menos da metade deles com seu principal jogador.

De todos os gols que marcou desde a sua volta (16 – Média inferior a 4 por ano) , apenas 3 foram contra times grandes. Destes, apenas um numa vitória do Palmeiras.  (Contra o São Paulo no Paulistão de 2014).

Sua condição física é absolutamente contestável. Em raríssimas ocasiões fez uma sequencia grande sem se contundir no meio do caminho.

Eu não vou discutir o custo/beneficio de Valdívia pelos 500 mil. Serei mais bacana e vou avaliar numa possível redução pela metade de seu salário.

Você pagaria 250 mil reais a um jogador que não está em campo em 50% dos jogos, que nos últimos 5 anos fez 16 gols, sendo 3 em times grandes e que tem 31 anos?

Eu não.

abs,
RicaPerrone

Porque você? (Chile 3×1 Austrália)

Porque torcer por Chile ou Austrália?

Quando a bola estava perto de rolar na Arena Pantanal fiz uma rápida viagem pela história e descobri que ambas não dizem quase nada ao futebol mundial.  Mas que o Chile diz um pouco mais.

Lembrei que a Austrália é uma representante do mais fraco e que adoramos ver zebras no futebol. Mas na verdade um empate ou mesmo a vitória australiana representaria o fim das chances de uma “zebra”.

É no Chile que depositamos aquela vontade muda de ver a Espanha, ex-melhor do mundo, de volta ao seu mediocre lugar.  É o fim do insuportável tic tac, é o golpe final que sacramenta a morte daquele que a Holanda já atropelou.

Não, a Austrália não pode fazer isso.

O Chile, com essa torcida que vimos hoje, com nossa ajuda em terras cariocas… porque não?

Quando ouvi o hino do Chile, não tive mais dúvidas.  O melhor pro futebol nesta noite era ver Valdívia e seus colegas “quase craques” levando o Chile, “quase zebra”, a uma possível decisão contra a Espanha, a “quase ex protagonista”.

E pelo espetáculo daqueles que viajaram para acreditar no inacreditável, pela impotência australiana e  também pela fila no Outback, resolvi: Serei Chile!

E mesmo não acreditando no ímpeto dos 15 minutos iniciais, por um segundo repensei a vontade de enfrentá-los.

Mas passou. Junto com as bolas que não entraram da Austrália, que sim, jogou o suficiente para um empate que não veio.

Mas, chileno que fui, fiquei feliz.

Porque temos um grupo cheio de alternativas onde se previa óbvio.  Óbvio é o toque de lado quase insuportável que camufla um esquema defensivo numa mentira bem contada sobre “posse de bola”.

Viva quem arrisca. Viva Chile!

abs,
RicaPerrone

Luganos, Concas e Valdívias

Diego Lugano, Dario Conca e Valdívia tem algo em comum.  Talvez ninguém  note pois a parte técnica e a aparência física dos 3 não tem absolutamente nenhuma semelhança. Mas os três representam quase a mesma coisa para seus clubes.

Lugano é um “dios” no São Paulo. Um jogador idolatrado pela sua raça, postura e carisma. Fora do clube, é um zagueiro de algum respeito, hoje desempregado, muito longe de ser o zagueiro dos sonhos de qualquer grande clube. Mas, para o sãopaulino, nada pode ser mais perfeito que Lugano naquela defesa.

Valdivia é um jogador de bom nível técnico, reserva da sua seleção, nada cobiçado por clubes grandes da europa e que não tem, fora do Palmeiras, o papel de craque ou “soluçào”. Aos palmeirenses, no entanto, Valdívia representa muito mais do que um meia chileno de valor médio no futebol. Foi vestindo verde que ele debochou do rival São Paulo e conquistou um Paulistão que, na época, aliviava o sofrimento do torcedor palmeirense.

Dario Conca é o melhor jogador dos 3 que citei. Mas talvez o menos reconhecido internacionalmente, já que a referência de um jogador mundo a fora é sempre a seleção, lugar onde Conca não chegou.  Mas no Flu, aquele do Fred, existe antes de tudo o “Flu do Conca”. Para eles, internamente, Conca é o grande representante do Fluminense vencedor da geração recente. Para fora, este cara é o Fred.

E se você tentar discutir o valor destes jogadores com um destes torcedores vai se deparar com um abismo. Para tricolores, Lugano é um zagueiro fantástico que resolveria os problemas do São Paulo.

Na verdade ele é um jogador esforçado, de grande identificação com o clube, porém lento, violento e que fora do esquema de 3 zagueiros não rende metade do que rendeu no São Paulo. Ainda assim, um bom jogador.

Valdívia é um jogador de mercado restrito, tido como eterno machucado, jogador de pouca decisão e de muito mais polêmica do que futebol. Lá dentro, a esperança de gols e lances geniais.  Valdívia não é sequer destaque da seleção do Chile.

Conca foi pra China, ganhou muito dinheiro, não é sequer cotado para seleção e clubes maiores da Europa. No entanto, com mais um ou dois anos disputaria fácil o cargo de maior jogador da história do Fluminense, talvez. Fora dele, um meia argentino que ninguém compraria pra revender, mas sim pela entrega e regularidade.

Destes, 2 jogam novamente em seus “ex-clubes”. Um negocia para voltar.

Apenas Conca conseguiu manter o conceito que a torcida fazia dele. Valdívia perde este espaço toda quarta e domingo há mais de 2 anos. Lugano, aos 33, sem clube, fatalmente seria também menos jogador do que imagina o sãopaulino quando sonha com o mundial de 2005.

Vale a pena arriscar perder o “dios” Lugano para um zagueiro contestável?  Valeu o “mago” Valdívia virar o “chinelinho” para tantos ex-apaixonados?

Quando Romário, Ronaldo, Zico, sabemos buscar de volta um ídolo e um jogador absolutamente fora de série. Quando nos citados, há um risco.

Vale a pena correr este risco?

abs,
RicaPerrone

Xadrez para iniciantes

Eu não jogo xadrez porque não sei. Se tentar, vou cometer erros estúpidos que não se justificam a qualquer pessoa com alguma dose de conhecimento no assunto.

Jayme entrou em campo buscando ser o melhor treinador do país.  Assim como Muricy fez ontem, tentou usar um esquema com 4 jogadores de frente e nenhum pra levar a bola até eles. Assim como Muricy, precisou estar perdendo para colocar um meia e arrumar a própria bobagem.

Futebol é simples. Eles é que complicam pra justificar as fábulas que ganham.

Qualquer time com esta formação perderá o meio campo pro adversário. Valdívia, com espaço, deitou e rolou. 2×1, fácil demais andar naquele meio campo onde as camisas brancas eram maioria absoluta.

Aí vem o segundo tempo e o treinador corrige a tentativa de criar um novo conceito de como jogar futebol. Volta pro simples.

O Flamengo empata, vira, goleia.

Kleina não consegue fazer nada para tentar sair da situação que o Flamengo o colocou. A moleza de ter o meio campo todo pra ele virou um nó quando os 3 “atacantes” do Flamengo passaram a receber a bola pelo chão.

O Palmeiras parecia completamente incapaz de sequer arriscar uma jogada para mudar a situação. Constrangedor. Mas em 45 minutos passou de protagonista da rodada a goleado e em crise.

Mugni não é um gênio e em momento algum a formação do Flamengo está atrelada a sua qualidade.  Ninguém joga com 4 atacantes e nenhum meia sem estar apostando claramente no bico pro alto.

Isso não é estratégia. É desespero.

Ninguém pode entrar em campo desesperado. Só sair dele.

Não há futebol sem criação. Há algo parecido que eventualmente até funciona. Mas futebol, não.

abs,
RicaPerrone

Foi só futebol

Em 2008 Valdívia marca o segundo gol do Palmeiras sobre o São Paulo e elimina o tricolor.  Na comemoração, muda de direção e passa na frente do Rogério para mandá-lo calar a boca com um gesto.

Rogério não gosta. No meio de um empurra-empurra, dá um “tapa” no rosto do chileno.

Dois dias de discussão na tv para tentarmos achar um vilão e um mocinho, ou, no máximo, dois vilões.  Valdívia é um tremendo folgado, Ceni um puta cara cheio de si.  O encontro dessas duas personalidades não daria certo no Big Brother, num emprego, nem num campo de jogo.

É do jogo. Basta ter jogado pra saber.

Você tem todo o direito de ser marrento e provocar, desde que saiba o que isso vai gerar. Hipocrisia  condenar o Ceni por se irritar com Valdívia.  Quem não se irritaria?

E o chileno, por sua vez, faz isso contra o SPFC e contra o Itaperuna. É dele, e apanha o suficiente por isso.

O gesto de Valdívia alimenta o futebol.  Se eu fosse o Rogério, teria enfiado o pé nele, exatamente como tentou fazer. Mas também, se eu fosse o Valdívia, talvez fizesse questão de passar de novo na frente do Rogério comemorando a vitória.

O problema é que estamos sempre dispostos a nos colocar apenas em um dos lados.  E dependendo do que for, achará um vilão e um mocinho.

“Ah mas o Valdívia não fez nada!”.

Fez, claro que fez.  E dai?! Qual problema se ele é provocador desde que aguente as consequências?

Não vejo mal nenhum numa dancinha que menospreze o adversário. Desde que o dançarino apanhe sem se fazer de vítima.

Ação, reação.  Futebol.

Só isso.

As “lindas cotoveladas de Pelé” são hoje os detestáveis “jogadas de mau caráter”.

É a nova geração. Aquela onde o Merthiolate não arde…

abs,
RicaPerrone

O campeão voltou

Já era hora. Desde setembro de 2013 o palmeirense sabia que “ia voltar”.  Em novembro, teve certeza.  Desde então, aguardava ansiosamente a materialização de tudo isso.

Não, não é contra o Rio Claro que o Palmeiras vai se postar gigante novamente. Nem líder de seu grupo no Paulistão. Era diante de um grande, num confronto a sua altura, que o Palmeiras mostraria ao palmeirense estar de volta.

E num Pacaembu onde apenas ele queria vencer, nada mais justo.

Não houve “baile”, “massacre”, nada parecido.  Houve uma postura de quem precisava vencer contra um time que parecia não se importar tanto assim com o resultado.

Este sim, nem foi, mas precisa voltar.

O Palmeiras fez 1×0 numa jogada improvável e desde então esperou o São Paulo vir pra cima. Surpresa: Os times do Muricy não vão pra cima.

E assim, assistindo e marcando forte, o Palmeiras levou o jogo todo até matar num pênalti no fim.  Em toda segunda etapa, pelo menos até onde me lembro, o SPFC sequer chutou no gol adversário.

Méritos da defesa do Verdão, também.  Aliás, Lúcio só sairia mais feliz se ainda tivesse feito o dele.  Sua “vingança” foi quase completa.

Mas o importante é que, enfim, após um longo ano na incômoda situação de estar onde não deveria, o palmeirense pode olhar para os fatos e dizer: Agora sim, “o campeão voltou”.

abs,
RicaPerrone