São Paulo

Mortos e vivos

Não pelo derrota, pois embora favorito o São Paulo não perdeu pra um time pequeno. Mas pelo jogo. Pelo ano. Pela década, talvez.

Havia no Morumbi um jogo de merda. O São Paulo tocando de lado, nada fazendo com a bola. O Fluminense assistindo, sabendo que o treinador rival era assim e que sua arma era ser efetivo e não ter volume.

Dois gols rápidos, um jogo ruim onde ninguém queria nada com nada se transformou num jogo onde alguém queria passar o tempo e o outro apresentava aquela sua sina interminável do “tanto faz”.

Sim, o que o São Paulo transmite ao torcedor há muitos anos é que “tanto faz”.

Você sabe que, historicamente, o Fluminense precisa de uma chance pra fazer o inacreditável. Ganhar ontem era inacreditável até certo ponto. E em 5 minutos o São Paulo deu a chance do Flu sair dali vivo.

Do outro lado, mesmo na zona de Libertadores, um morto.

Um time que não vibra, que não inspira e parece entrar e sair de campo como um funcionário público que bate cartão sem perspectivas de promoção ou novos desafios.

O São Paulo  é um resort espetacular para férias em atividade. Onde pouco se cobra, onde a crise é ponderada, onde tudo funciona e a arrogância do próprio clube impede que haja uma revolta maior.

Ora, “tá tudo bem”. No São Paulo, mesmo que não esteja, está. Sempre está.

E não há crise num time em quinto. Nem faz sentido. Mas há uma indiferença irritante em campo que machuca o torcedor.

Alguém vai expulso, arruma um tumulto, perde a cabeça, grita com o companheiro. Sei lá! Mas finge que se importa.

Porque não, vocês não se importam. Isso é muito claro.

RicaPerrone

Dívidas: A proporção

Na real toda dívida é relativa. Se você deve 40 mil e ganha 30 por mes não é um absurdo impagável a médio prazo. Se você ganha 2 por mes os mesmos 40 se tornam um enorme problema.

Por isso fiz uma comparação com a dívida de 2018 e as receitas de 2018. Obviamente considerando que é apenas um cenário de um ano, que pode mudar com uma venda mais cara ou outra. Enfim.

O importante é notar a discrepância entre a receita do clube e a dívida. Assim saberemos se a dívida, mesmo alta, é realmente tão preocupante assim ou se é algo controlável se bem administrada.

O que esse quadro mostra?

Que o Botafogo e o Galo tem receitas bem mais comprometidas com dívidas. Que esses dois clubes tendem a ter mais dificuldade em paga-las, se enrolar com juros e outros fatores que deixam as dívidas ainda maiores com o passar dos anos.

O Flamengo e o Palmeiras, por exemplo, com 10% da sua receita anual pagam a dívida em 7 anos.

Enfim. Há diferença entre dever 500 ganhando 500 e dever 500 ganhando 100. E essa diferença é uma ponderação após o post de ontem mostrando apenas o valor bruto das dívidas.

RicaPerrone

Dívidas: Dos 12, só Flamengo, São Paulo e Grêmio respiram

 

As dívidas dos clubes brasileiros são assunto desde o começo da década de 2000, quando isso se tornou público de forma mais clara. Se comparada a receita, algumas dívidas que parecem aumentar apenas se sustentaram. Mas a grosso modo, todo mundo subiu o que deve.

Dos 12 grandes, Flamengo, São Paulo e Grêmio tem situação menos desconfortável com dívidas.

Não por acaso são os 3 que nos últimos anos estão quitando as dívidas e não aumentando.

Os dados são do ITAU BBA e do SportsValue.

RicaPerrone

Sim, é pra comemorar

O rubro-negro estranha. “Tão comemorando empate?”. O tricolor sorri, porque sim, estamos.

O melhor time do país com alguma sobra técnica para os demais contra um time que teve um dia com o novo treinador em crise. Se perdesse de 1×0, 2×1 eu já estaria aliviado. Empate? Porra…

É o que dá. Mas não acostuma. O SPFC contratou um treinador que gosta de futebol, portanto a tendência é que em breve a última coisa que esse time vá fazer é se acovardar.

Hoje podia. Tinha alvará.  Há anos o SPFC não preza por futebol. Tal qual o Flamengo em diversos momentos da sua história conturbada onde um empate poderia render até um não rebaixamento. Faz parte.

Hoje no alto, mas ainda sem a coroa, o Flamengo é o time a ser batido.  E a soma disso com uma reprimida demanda megalomaniaca de décadas esperando por esse momento causa certa euforia perigosa.  O adversário do Flamengo, hoje, é a ejaculação precoce. Fora isso, nada vai detê-lo.

Ao SPFC cabe reerguer. E sim, eu sei o que você pensou com essa frase após ler sobre ejaculação precoce.

Fato é que hoje não teve. E se não teve justo no improvável duro encontro com o cabisbaixo São Paulo, há sim que sair do Maracanã feliz.

Tu quer o “mundo de novo”. Nós, hoje, só a vaga na Libertadores.

RicaPerrone

Diniz? Sem muro!

Não sei se no lugar do Leco eu arriscaria tanto. Mas de fora, sabendo que o que está na reta é deles e não meu, gosto da escolha.

Diniz é 8 ou 80. Ele tem algo, porém, que me lembra o Telê.  Ele não abre mão do que ele acredita por causa do resultado. Telê foi chamado de burro e pé frio por 20 anos até chegar no SPFC e ganhar tudo daquela maneira.   Eu não sei se concordo, mas sei que gosto de quem acredita no que está fazendo.

O Fluminense jogava bem mais do que podia. A bola não entrava, o time perdia por um lance e falta de qualidade técnica. Mas o time comprou o barulho do Diniz.

Se o SPFC comprar, qualidade técnica tem. E talvez ali teremos um encontro de uma idéia nova com um time talentoso.

Porque não?

É um treinador de rápido diagnóstico. Você sabe rapidamente se o time comprou ou não. E se não comprar, pode demitir em 1 mes porque não vinga nem a pau.

Mas se comprar, com Hernanes, Daniel, Pato… gosto do que posso imaginar ver em campo.

RicaPerrone

Cuca é diferenciado. O SPFC não mais.

Em 2004 o Cuca chamou o presidente e disse que não tiraria mais nada daquele time.  Que era pra trocar.

Com a base que ele montou o SPFC conquistou o mundo.

Foi rodar por aí, ganhou Libertadores, fez história. Voltou pra ver se dava jeito e não deu. Embora o problema da apatia tenha sido, no mínimo, melhorado.

Foi à direção e disse que não tiraria mais nada dali. Que era pra trocar.

Cuca é diferente. Sempre foi.

O SPFC idem. Não é mais.

As trocas constantes e os bons times fracassando são sintomas de uma diretoria perdida, de um clube viciado e de um cenário não tão simples quando parece.

Trocar o Leco? Não resolve. Eu nasci lá. Sou sócio há 40 anos. O Leco é um representante de uma diretoria cansada, viciada e que não alterna poder há muito tempo.

Desde 2003 o clube tem as mesmas pessoas no poder e, sabemos, isso costuma não dar muito certo.

Alternar poder é importante mas é preciso notar quando ele se alterna de fato. Trocar um diretor por outro da gestão anterior na presidência é a manutenção do poder.

Leco é um grande tricolor. O conheço desde moleque, discordo, concordo, mas não duvido em nada do seu amor pelo SPFC.  O Cuca passou, outro virá, se a bola entrar, Leco será o melhor.

Futebol é assim.

O que eu faria? Manteria o Mancini até o fim do ano perdido – o time vinha bem na transição com ele – ou buscaria uma peça nova. Zago, por exemplo. Alguém que andou estudando, tentando algo diferente.

Entre um cansado e um novato, sempre o novato. No mínimo vontade garantimos.

Boa sorte, Cuca. Você nem vai precisar. E ao SPFC idem. Esse precisa de muita.

RicaPerrone

Analista de placar ninguém precisa

Fico absolutamente constrangido quando noto que, em 2019, algumas pessoas que trabalham no futebol ainda não notaram do porque é tão apaixonante. Pra alguns é caso de ganhar ou perder, o placar diz tudo.

E se diz tudo, que fique quieto. Pois já está dito.

Hoje cedo me deparei com uma manchete na Globo dizendo que o empate no Morumbi foi “brincar com a cara do torcedor”.

É foda.  Mas vamos lá.

Primeiro que o CSA se propôs a não jogar, esperar uma bola, aconteceu e por isso o empate. Como deve ter acontecido umas 6 milhões de vezes no futebol o time menor tentar impedir o jogo e jogar por um contra-ataque.

Segundo e mais importante: o SPFC jogou uma partida consideravelmente melhor do que vinha jogando. Finalizou 30 vezes, sofreu com 2 chances de gol contra 9 criadas.

Se isso não é ter um bom desempenho, voltemos ao placar. E pra comentar placar basta um poste.

Não acho o resultado bom, nem normal. Menos ainda acho que um time que correu até o último minuto criando oportunidades esteja brincando com a cara de alguém.

Desrespeitoso, covarde até eu diria. Sem contar com o a absoluta falta de respeito ao CSA.

“Ah mas tá na zona de rebaixamento!”.  O Cruzeiro também está.

Ontem vi um resultado ruim num jogo onde o treinador escalou perto do time que a torcida queria, com um primeiro tempo massacrante, só que a bola não entrou.

As vezes entra, as vezes não. Fosse óbvio seria basquete. Amamos porque não tem lógica.

Ao contrário do que um simples placar, o despeito e desrespeito de jornalistas sobre um time por um resultado, o que vi ontem foi evolução. Jogou bem mais do que vinha jogando. E só não saiu do Morumbi com 6×1 a seu favor por detalhes que fazem do futebol apaixonante.

Péssimo resultado. Não uma péssima atuação.

RicaPerrone

Não é esse o time

Eu acho que o Cuca vai encontrar. Mas não consigo imaginar que seja esse. Gosto dos volantes, da defesa, mas não acho que o Daniel vá funcionar ali, nem vejo no JuanFran isso tudo.

Pato, Pablo e Raniel. Os três fora num mesmo jogo é de fato muito difícil. Mas ainda assim, o que me incomoda é a criação.

Aberto não dá porque tiraria o Antony. De lateral tira o JuanFran. Ok! Então. E aquele bom e velho 352  que tanto funcionou já no Morumbi?  Porque não?

Pato e Antony na frente, Daniel e Reinando abertos como alas, Juan na zaga onde pode fazer o que sabe que é defender. Acho uma idéia que potencializa muito mais alguns jogadores do que esse time preso ao sistema que TODO MUNDO usa hoje em dia quase como regra.

O empate com o Grêmio reserva é bem ruim. Óbvio que é. Em casa time que briga por título tem que ganhar, de reservas então, mais ainda.

Mas o empate me incomoda menos do que ver o Daniel no meio e em virtude disso o time todo afunilando jogada pra busca-lo.

É um mero palpite. Mas acho que funcionaria melhor, e acho que o Cuca vai rodar e acabar testando isso uma hora.

RicaPerrone

VAR: Raniel merecia expulsão?

 

A imagem é de um jogador cometendo uma imprudência, no máximo. Ele não vê o jogador do Vasco, está olhando pra bola e portanto é óbvio que não há agressão.  Ainda recua a perna quando vê que vai atingir o vascaíno.

Se não há agressão, não deve haver o VAR. E constatando em 50 minutos perdidos olhando as imagens era pro juiz marombeiro ter entendido o óbvio: Se nem ele e nem os colegas com o vídeo chegavam a uma conclusão é porque não foi uma agressão

Assim, sendo, amarelo e fim de papo.

Errou.

RicaPerrone

 

O SPFC não cabe numa Arena

As vezes eu acho que passa. Tem dia que eu até penso nem me importar mais, tamanho o desgaste que isso dá no dia-a-dia. Mas quando um  clube não precisa nem de uniforme e nem de uma bola pra parar o futebol e se fazer protagonista, algo está muito vivo ali dentro.

O Morumbi que já foi de Raí, de Luis Fabiano, Kaká, Hernanes e Lugano foi entregue a Daniel. Ao vivo, a cores, ali mesmo.

As vezes você se baseia apenas em o que ganhou, quando na verdade não é bem isso. Ou, pelo menos, não é só isso.

Ali havia gerações que não ganharam. Mas marcaram. Ídolos sem taças. Mas ídolos. E outros lendários, hoje criticados em suas funções como meros mortais que jamais serão.

O capitão da seleção brasileira, recém chegado da Europa onde jogou em dois gigantes, emocionado porque pela primeira vez na vida, já rico, campeão e consagrado, estava onde de fato sonhou estar.

Ali no palco havia títulos. Mas não era isso.

Identidade. Pertencimento. Saopaulinismo.

Sim, inventei agora essa última.

Não sou bobo de achar que é só o meu, ou de ignorar as festas alheias. Quero mais é enaltecer os rivais, pois ganhar deles torna-me ainda maior.

Moderno, o futebol clama por arenas, ingressos caros, piso de marmore e cadeiras estofadas.  Mas que espere. Ou pelo menos que de nós, desista.

As arenas são belas, lucrativas e cheias de atrações. Mas não tem do nosso tamanho.

RicaPerrone