Maracana

O relógio parou (Chile 2×0 Espanha)

Acabou. A geração que fez da Espanha uma seleção notável está no fim, cansada, de salto alto, tentando aprender a lidar com o protagonismo que nunca tiveram.

Não faça cara de espanto. Espantado estava eu quando via a mídia transformar uma safra incomum em “escola espanhola”, ou colocar a Holanda como zebra diante dela.

Espantado fico quando vejo brasileiros brigando por Diego Costa, jogador que escolheu ser espanhol mesmo sob a promessa de Felipão que seria chamado. É direito dele, como é nossa a de vaia-lo e humilha-lo no Maracanã.

Se virou espanhol pra jogar a Copa, a boa notícia é que vai passar em HD ao vivo pra Espanha até a final.

Apática, cheia de toquinhos de lado, fazendo cara de quem não precisa provar mais nada, sai da Copa dando vexame, tomando goleada, olé, andando em campo.

Foram 700 toques de lado hoje. O Chile deu só 400, mas pra frente.

O futebol da Espanha por um momento agradou na Eurocopa. Na Copa de 2010 e na maioria dos outros jogos, chato, covarde, defensivo.

O relógio parou. O tic tac acabou.  No lucro, mas acabou.

Nos vemos na Russia, onde provavelmente não será sequer cabeça de chave.

abs,
RicaPerrone

Una mierda (Argentina 2×1 Bósnia)

Fifa.com

Com a Copa tive a oportunidade de estar pela primeira vez na vida diante dos meus maiores rivais. E acredito que isso seja novidade para 95% de brasileiros e argentinos, já que nos “odiamos” a distância quase que o tempo todo.

Tão longe que até surgem pequenos surtos de “até gosto deles” de ambos os lados em períodos sem confronto. Até que eles vieram ao Brasil participar da nossa Copa do Mundo.

Atuaram num Maracanã mais deles do que nosso, com uma vitória contestável, uma atuação muito fraca e um adversário que estreava em Copas.  Se foram pra ver um show ou um time favorito, viram apenas um covarde time com 5 zagueiros, 3 volantes e bico pro Messi resolver.

Taticamente a Bósnia é muito melhor treinada que a Argentina. Mas tecnicamente, não dá pra comparar.

O jogo era pano de fundo. Na verdade o que todos queriam ver naquele Maracanã era como seria um jogo de futebol com brasileiros e argentinos lado a lado, mesmo que só um deles estivesse em campo.

E sim, deu muita confusão. Todas bem resolvidas pelos seguranças, mas deu. E se o jogo fosse entre Brasil e Argentina uma tragédia teria acontecido no Maracanã. Numa visão otimista, que tento levar sempre comigo, o jogo desta tarde serviu para dizer à Fifa que existem jogos de futebol e “Brasil x Argentina”.

Se tratar um possível confronto desses como um simples jogo, terá sido co-autora de qualquer tragédia anunciada.

São fanáticos, são orgulhosos do país deles e fora do estádio até gentis. Mas quando a bola rola não se comportam como quem vê futebol, mas sim como quem disputa os limites de um continente com o vizinho.

Provocam, tentam ir no seu limite e não agem em momento algum como visitantes. Querem tomar sua casa e fazer dela o que bem entenderem.

Não. Não é assim.

É um delírio sem igual achar que podemos misturar os dois numa mesma arquibancada e ver argentinos chamando negros de “macacos”  e “putos” quando fazem um gol sem que isso cause reação. As pessoas aqui, mesmo as mal educadas, estão em sua casa e devem receber visitas, não se adaptar a elas.

Há uma lei na arquibancada que quem frequenta conhece bem. Quem vive de Chelsea na TV não sabe o que é futebol, tem apenas uma idéia.  Você não pisa no território inimigo passando dos limites. Um dia eles virão no seu e essa relação é muito complicada.

É o jeito deles. Honestamente, por mais que eu os odeie quando o tema é esporte, eu nem acho que seja madoso. Mas é muito irritante.  É um convite a uma confusão e ela vai acontecer, como várias vezes aconteceu isoladamente no Maracanã hoje a tarde.

Curioso ver o número de brasileiros que foram lá torcer pra argentina e mudaram de idéia durante o jogo. Ou a simpática relação de “vamos ver o Messi” que aos 30 do primeiro tempo já era um sonoro “Messi vai tomar no cu”.

Eu nunca tive qualquer pudor em dizer que precisamos odiar a Argentina e vice-versa para que exista paixão pelas seleções. Sem rivais não há sentido, mas tem um preço.

Brasileiros e Argentinos não podem assistir um jogo de futebol sentados lado a lado.

É o que acho. E pelo que vi hoje, vamos continuar achando sem saber a resposta.  Esse time deles não chega na final pra descobrir.

abs,
RicaPerrone

21.05

Há exatos seis anos, por volta desta mesma hora, eu estava sentado num quarto de hotel escrevendo a crônica que me faria ser apresentado à torcida do Fluminense.

Aprendi, contra minha vontade, naquela noite, que tudo que eu achava que sabia sobre futebol não passava de uma grande bobagem, afinal, todos nós só sabemos enxergar isso com a visão de um clube em relação aos outros.

Eu explico.

Todo torcedor enxerga o seu clube e a relação de cada rival com o dele, não com o futebol. Nunca avaliamos como eles ganharam mas sim como nós perdemos. Equívoco justificável, diga-se. Mas ainda assim, um equívoco.

Maldito vinte e um de maio de 2008.

Dia em que tive que assumir pra mim mesmo, ainda fardado com as cores da derrota, que era justo perder.

Bendito vinte e um de maio de 2008.

Dia que escrevi algo tão puro e apaixonado que acertei o alvo contrário do que meu site, sobre o SPFC na época, buscava.

Passam os anos eu volto ao mesmo estádio, praticamente no mesmo setor, com os mesmos times e vejo, de novo, a derrota ser “justa” e improvável.

Só que hoje não sofri. Graças ao vinte e um de maio de 2008, quando entendi do que se tratava o futebol.

E aqui estou, as 2 da manhã do dia 22 de maio, de novo, derrotado pelo Fluminense, numa virada espetacular, com a sensação que “tivemos o jogo nas mãos”, quando na verdade só criávamos o cenário para que eles escrevessem, de novo, uma história sem fim.

Salve vinte um de maio. Agora, também, o de 2014.

abs,
RicaPerrone

Meu primeiro Fla-Flu

Eu nunca tinha assistido a um Fla-Flu no Maracanã. E continuarei sem assistir na medida em que este novo Maracanã só tem o nome e o endereço do antigo. Mas, ainda que seja ele o dono da plástica mais mal sucedida de todos os tempos, não deixa de ser quem é.

Ali um Fluminense muito mais time que o Flamengo, que é muito mais confiante que qualquer outro. O que sentia de fora posso constatar lá de dentro: Não há nada que o flamenguista respeite mais no universo do que o Fluminense.

E vice-versa.

Traduzido em ódio, ofensas, apelidos maldosos, seja lá o que for. Mas é o único clássico em que a nação rubro negra não entra cantando vitória. E, pela história ou pela mística, o Tricolor sente isso.

Tanto sente que reage com uma falsa certeza de vitória, que na verdade não passa de uma insuportável vontade de não ver os seus desertores por cima.  É a eterna vontade de “se vingar” de uma rebelião que originou o seu maior combustível.

Flamengo e Fluminense se abastecem desde sempre.

E hoje, quando Fred marcou, o rubro-negro soube estar diante de uma virada improvável. Não pelo placar, mas pela diferença técnica dos dois times.  Passar pela “melhor pior defesa do Brasil” não é tão simples quanto pensam os tricolores, nem tão difícil como insinua este principio de Brasileirão.

Aos 30 do segundo tempo desenha-se o mais puro Fla-Flu.

A torcida do Flamengo se inflama em busca do improvável.  Tão improvável que lhes parece até natural.  E tão confiantes no impossível que conseguem fazer dos últimos 14 minutos de jogo um cenário confuso onde não está claro quem é quem.

Aquele contra-ataque que determina o resultado coloca fim a tensão de uns, a fé de outros.

É o “Ai, Jesus!”.

Fui conferir. Nenhuma lenda desmentida. Era tudo verdade.

O Flamenguista, com ou sem razão, olha pra todos de cima. Pro Flu, olha de frente.

Não é a toa.

 

abs,
RicaPerrone

E se…?

De possível rebaixado a “veja bem, vamos aguardar”, o Botafogo gera dúvidas e supera as expectativas do mais otimista dos torcedores, se é que há algum.

Não porque venceu o Criciúma, mas porque encontrou Daniel, jovem de 20 anos que era uma promessa na base do Cruzeiro e o Fogão foi busca-lo em 2013 para aguardar a hora certa de lançar.

Não foi hoje sua estréia. Mas foi, também.

Qualquer um pode vencer o Criciúma. Por 6×0, nem todos. E isso causa um delicioso desconforto em quem avalia as reais possibilidades do clube na temporada.

Rebaixamento, como muito se falou? Já não sei mais. E se…?

E se o Carlos Alberto jogar bola? E se o Daniel for um novo grande craque?  E se este trio, que se completa com Sheik, surpreender todo mundo?

E se for apenas um surto de bipolaridade e o “rebaixado” volta aos campos semana que vem?

Não sei. Nem você sabe mais.

E isso, por si só já torna tudo mais interessante.

Porque não é pra ser. Nem diria que será.  Apostar? Nem pensar.

Mas vai que…

abs,
RicaPerrone

Quanto vale o show?

Tirando a ignorancia que acompanha qualquer opinião sobre futebol, há argumentos para os dois lados na questão dos ingressos. Não me iludo com certas teorias, mas não posso aceitar que seja tão simples quanto parece.

Mas parece.

E se tem uma coisa que muito se fala no futebol é “profissionalismo”.  Mas vejamos.

Eu assumo um restaurante que está meio velho, a comida é ruim e cobro média de 20 reais por prato.  A situação está feita, estou sem grana, quase falido.

Então eu invisto, troco as cadeiras, faço empréstimo e melhoro pelo menos o ambiente do restaurante.  A comida, no entanto, continua ruim. Mas para que ela melhore, eu preciso de dinheiro. Então, crio um programa de fidelidade e subo o preço dos pratos para 50 reais.

Assim, forço o consumidor a usar minha fidelidade.

Mas o prato continua não valendo nem os 20. Porque diabos alguém pagaria 50, ou mesmo faria uma fidelidade para poder almoçar ali sempre se a comida é ruim?

Porque tem fome. E porque só existe este restaurante capaz de sacia-lo.  E então isso caracteriza oportunismo, abuso ou estratégia?

Você está vendendo pela necessidade da sua empresa e pela falta de opção do consumidor. Não porque seu produto vale o que você pede.

E não me faça o comentário dos “eu paguei meia” porque isso não é preço, é CONDIÇÃO.

Eu não consigo entender como profissional pedir mais dinheiro a você e te oferecer a mesma porcaria no jantar. Eu preciso melhorar o jantar para, então, te pedir mais dinheiro.

E alguns clubes não conseguem entender essa lógica. Mas não entendem com classe, fazendo um puta discurso de “profissional”, justificando “contas a pagar” e não sei mais o que.  Então eu pergunto a estes caras se eles acham justo virem comer no meu restaurante ao dobro do preço para “me ajudar”?

Não é justo. É compreensível, mas não é profissional.

Por pensar assim me oponho aos ingressos caros no Brasil. Ninguém paga pra sentar em cadeira nova, mas sim para assistir a um grande jogo. E me desculpem, mas estes só serão “mais valiosos” quando conseguirmos não vender nossos jogadores todos pra Ucrania.

Antes disso é pedido de esmola, não venda de produto. O que não me parece, nem de longe, “profissional”.

abs,
RicaPerrone

 

Xadrez para iniciantes

Eu não jogo xadrez porque não sei. Se tentar, vou cometer erros estúpidos que não se justificam a qualquer pessoa com alguma dose de conhecimento no assunto.

Jayme entrou em campo buscando ser o melhor treinador do país.  Assim como Muricy fez ontem, tentou usar um esquema com 4 jogadores de frente e nenhum pra levar a bola até eles. Assim como Muricy, precisou estar perdendo para colocar um meia e arrumar a própria bobagem.

Futebol é simples. Eles é que complicam pra justificar as fábulas que ganham.

Qualquer time com esta formação perderá o meio campo pro adversário. Valdívia, com espaço, deitou e rolou. 2×1, fácil demais andar naquele meio campo onde as camisas brancas eram maioria absoluta.

Aí vem o segundo tempo e o treinador corrige a tentativa de criar um novo conceito de como jogar futebol. Volta pro simples.

O Flamengo empata, vira, goleia.

Kleina não consegue fazer nada para tentar sair da situação que o Flamengo o colocou. A moleza de ter o meio campo todo pra ele virou um nó quando os 3 “atacantes” do Flamengo passaram a receber a bola pelo chão.

O Palmeiras parecia completamente incapaz de sequer arriscar uma jogada para mudar a situação. Constrangedor. Mas em 45 minutos passou de protagonista da rodada a goleado e em crise.

Mugni não é um gênio e em momento algum a formação do Flamengo está atrelada a sua qualidade.  Ninguém joga com 4 atacantes e nenhum meia sem estar apostando claramente no bico pro alto.

Isso não é estratégia. É desespero.

Ninguém pode entrar em campo desesperado. Só sair dele.

Não há futebol sem criação. Há algo parecido que eventualmente até funciona. Mas futebol, não.

abs,
RicaPerrone

Uma noite de futebol

Quando se fala em “futebol” noto que a enorme maioria das pessoas tem dificuldade em entender exatamente do que se trata. Para alguns, um clube e nada mais. Para outros, uma competição e ponto final.  Para outros tantos, um negócio.

O que o Maracanã recebeu neste sábado foi o futebol em seu mais puro significado.

Popular, acessível, lotado, brasileiro, imprevisível, injusto, emocionante e apaixonante.

O Fluminense jogou bem. Havia 50 mil pessoas no Maracanã pra ver um jogo a 10 reais que valia 10 reais.  Não era a fase do Fluminense determinando a lotação. Era o simples conceito de entender que Fluminense e Vitória na terceira rodada vale 10 reais, não 60.

Mas os nossos dirigentes querem fazer mágica. Eles assumem um restaurante, trocam as cadeiras, continuam com a mesma comida ruim. E então, resolvem cobrar o triplo pelos pratos para que, com a renda, possam melhorar de fato a comida.

Há alguma lógica nisso?  Deve haver, afinal, eles usam terno e dão palestra.

Mas, enfim. Voltando a realidade, o Maracanã recebia futebol e devolvia tudo que ele pode oferecer. Um jogo cheio jamais será igual um jogo com 10 mil pessoas. Simplesmente porque o público é a razão de qualquer espetáculo e vê-lo diante dos seus olhos dobra sua motivação por algo mais.

O chute, o desvio, o gol. O inacreditável gol do Vitória.

A pressão, as chances que não se concretizavam, a torcida que não sabia se viveria uma noite triste ou uma virada épica.

Um contra-ataque, um chute errado, virou drible. O último passe, o erro no domínio, e o gol.  Tudo errado, e deu certo. O Vitória fazia 2×0 no Maracanã que não podia vaiar. Podia, naturalmente, apenas não acreditar.

Mas até pra cair a ficha teve cena. No finalzinho o gol que causa esperança e o escanteio que busca feitos na memória. Mas não, hoje não.

Se o Fluminense ganhasse, seria apenas esporte. O melhor contra o pior, simples demais.

Era futebol. E então, para coroar a noite popular no Maracanã, nada mais adequado que uma bela de uma zebra.  E tristes, não revoltados, eles vão pra casa sem os 3 pontos. Mas com uma história pra contar.

E isso sim é futebol. O resto é educação física.

abs,
RicaPerrone

Quando tudo faz sentido

É claro que profissionais querem seus salários.  Natural de todo ser humano estar mais ou menos motivado e determinado quando cumprem com ele o combinado.

Não acho anormal um “acerto” de dívida mudar um rumo. Ao contrário, hipocrisia as favas, o dinheiro move quase tudo na vida. Jogadores, como você e eu, trabalham por ele. E o merecem.

A troca de treinador pode ter mudado uma peça na formação do Flu, claramente mais ofensiva e dentro da lógica de um time que tem qualidade na frente. Eu só vi o Cristovão jogar contra Horizonte e Figueirense em casa, logo, não sei se ele vai achar Jean e Diguinho suficientes para um Cruzeiro em Minas, por exemplo.

Por enquanto, ótima idéia de usar o time mais ofensivo. Funcionou, e mais do que isso, hoje o Fluminense fez tudo valer a pena.

Do goleiro ao centroavante, todos correram muito em busca de algo mais do que ganhar o jogo. Porque? Ora, me parece um tanto quanto simples imaginar que 35 mil pessoas fazem você ter bem mais vontade de buscar um terceiro gol do que quando 6 mil gatos pingados te pedem o magro 1×0 sagrado de todo dia.

10 reais.  É isso que vale a estréia do Brasileirão que na verdade nem sabemos se vai continuar contra um time fraco em casa, na primeira de 38 longas rodadas sem final.

O público respondeu mais uma vez a questão do “não vale nada”. Vale, desde que dentro do aceitável, vale.

E este, valia entre 10 e 20.  Casa cheia, muita festa, muitos gols, um grande futebol.

O primeiro gol do Flu  no Brasileirão foi qualquer coisa de espetacular. Brasileiríssimo!  O último, também.

E quando o jogo termina e a torcida do Fluminense aplaude o Diguinho  é porque viveu uma noite muito especial.  Hoje, o aplaudiu.

abs,
RicaPerrone

A culpa é da Copa?

Enfim, saiu a primeira notícia de fato de algo superfaturado e irregular nas obras da Copa do Mundo. O Maracanã teria usado mais de 65 milhões a mais do que deveria e ainda tem coisa mal feita na obra.

Enfim. Vamos aos fatos e não mais aos “eu já sabia”.

“Mas eu sabia!”.

Eu também. Mas entre saber que há assalto num lugar e pegar um bandido assaltando para poder prende-lo vai uma distância.  Enfim, temos erros detectados, culpados expostos e algo a investigar.

O que faz do Brasil um país interessante para os criminosos não é apenas o sistema, mas também o conceito que fazemos de “culpa”. Aqui, quando um bêbado mata alguém, proibimos a cerveja e não prendemos o bêbado.

Se num estádio dá briga, então tiramos todas as possíveis “armas” das mãos do torcedor. Uma tentativa desesperada, quase estúpida de culpar o meio utilizado e não o autor do “crime” em si.

A Copa! Ah, a coitada da Copa.  Se não fosse ela, senhores, os mesmos ladrões fariam o que fazem nos estádios com uma ponte na esquina da sua casa. E não, esse dinheiro não iria pra saúde, educação. Iria pra outra obra faraônica qualquer, mas não pra fazer mais escolas.

E se fizessem, quando fazem, também superfaturam.  E então? #NãovaiTerEscola?

A Copa é a cerveja que estamos tentando impedir para que bêbados não façam mais bobagens. O problema não está na cerveja, mas sim em quem a bebe além da conta.

A Copa não é um problema. Nem culpada de nada. Mas é o alvo mais fácil, o que menos exige raciocínio e o que nos livra de termos um  rumo em busca dos vilões de fato a partir de então.

É mais fácil reclamar da Copa do que apurar quem fez o que e, então, protestar e votar mais informado na próxima eleição. É mais fácil pra nós, jornalistas, apontar pro estádio novo do que ir atrás de tudo que foi feito por trás dele.

É mais fácil pra todos que haja sempre “uma copa”. A culpa será sempre dela.

abs,
RicaPerrone