2014

Nocaute!

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Entre socos, pontapés e alguma vontade de ver o adversário no chão, o jogo desta noite não passou de uma prorrogação das quartas de final da Copa do Mundo.   A Colômbia não queria jogar um amistoso mas sim “se vingar” de uma derrota.

Neymar, que nada tinha com isso, apanhou o jogo todo. Do chão, mostrava desespero e pedia cartões que não eram sequer discutíveis.

Faltou futebol, sobrou pancadaria.

Ganhariamos por pontos a “luta” desta noite. Mas antes que pudesse encerrar o cronômetro, Neymar acertou uma em cheio e nocauteou o adversário.

Colômbia na lona, fim da luta!

Deu Brasil, de novo.

Sem muito o que avaliar, afinal, avalio futebol, não UFC.  Contra o Equador, se a boa fé alheia permitir, tentaremos ver futebol na seleção.  Hoje, rezamos por canelas e tornozelos mais do que por gols.

abs,
RicaPerrone

O noivo e o corno

Em 2010 o primeiro amistoso da campeã Espanha foi contra a Argentina.  Os sulamericanos, humilhados naquela Copa pela Alemanha por 4×0, repetiram o placar só que desta vez a seu favor.

Incrível! A Argentina, então há 18 anos sem um título, ganhava um amistoso da campeã mundial por goleada.

Em 2014 eles fizeram uma Copa bem sem vergonha, mas chegaram na final.  Há exatos 28 anos sem ganhar uma partida de Copa do Mundo contra um “grande”, conseguiram ir até lá mesmo assim.  No máximo empatando com a Holanda e levando nos pênaltis.

A Alemanha ganhou a Copa, com toda justiça. Para comemorar, repetiu a Espanha e convidou a Argentina. Tomou de 4×2 em casa.

A Argentina é aquele corno que vai na festa de casamento da ex pra beber e fingir que não está nem ai.  O noivo se diverte, paga a festa, leva a noiva pra casa e o corno fica lá fazendo tipo de que “nem queria mesmo”.

Essa é a Argentina. Ha 21 anos sem ser campeã, há 28 sem ganhar de uma grande seleção em Copas. Há 5 anos enchendo a cara na festa de quem “comeu” sua noiva.

abs,
RicaPerrone

Sobrando o que faltou

Contra o América RN o Fluzão deixou de ter medo de ser eliminado e brincou de tomar gols.  Acabou fora, numa das mais ridículas páginas da história do clube entre 4 linhas.

Hoje, depois de um grande primeiro tempo onde os dois times buscaram o toque de bola, poucas faltas e belas jogadas, o Fluminense teve que escolher.

Estava 2×0 quando Kléver fez a falta violenta mais aceitável do mundo.  Era quase um pontapé necessário, se é que existe isso.  Expulso, com toda justiça, deixou Cristovão em situação difícil.

Ele já havia trocado Cícero por Wagner no intervalo. Até a hora que escrevo este post não entendi ainda porque.

Para o goleiro reserva entrar, optou por tirar Sóbis. Normal.  Ainda havia um jogo onde o Fluminense poderia oferecer algum perigo ao Goiás.

Até que ele tirou o Fred, colocou um zagueiro e deixou Conca e Wagner na frente esperando uma luz divida.  Eu gosto do Cristovão, mas ele faz alterações que não entendo bem.

De qualquer forma, o Fluminense optou por ter muito medo, já que faltou contra o América.

Tanto que chamou o Goiás e tomou o gol. Merecido, diga-se.

Agora 1×0 elimina o Tricolor. E lá, por isso, vai precisar fazer gols. E então Cristovão vai poder fazer o que faz de melhor, que é armar o time pra agredir.

Quando colocado em situação de administrar, até agora, não se saiu muito bem.

abs,
RicaPerrone

Obrigação de jogar futebol

Eu não sei se esse time do São Paulo será campeão, sequer se vai ser competitivo. Mas é inegável que há muito tempo o clube não tinha um time titular de tanta qualidade técnica como o atual.

Talvez, no papel, mesmo que não funcione ainda tão bem quanto outros tantos, seja um dos melhores ataques do mundo.  Se juntassem Ganso, Kaka, Pato e Luis Fabiano no Milan, a tv aqui transmitiria todos os jogos dos caras chamando de Galáticos.

Não vou entrar no mérito individual de cada um, mas é fato incontestável que estamos falando de 4 jogadores acima da média mundial. Um tem seus problemas físicos, o outro apagão, outro pipoca, enfim. Mas tecnicamente, jogam muito futebol.

Na falta de um meia, discurso do Muricy a vida toda pra justificar a porcaria de futebol apresentado, agora tem dois. E dois que ninguém mais tem no Brasil.

Tem volantes que sabem sair jogando, um goleiro ídolo consagrado, zagueiros que considero bem aceitáveis pro Brasileirão. E não faço idéia do que estão falando quando vejo sãopaulinos dizendo que “precisam de reforços”.

Me desculpe, tricolor, mas se você precisa de reforços com esse time o Palmeiras precisa do que? E o Flamengo? E o Grêmio?  Isso só pra citar times hoje bem mais fracos que o São Paulo no papel.

A obrigação desse time, e especialmente do Muricy, é fazer isso virar futebol bem jogado. Eu honestamente nem me importo tanto com resultados, afinal vivemos deles alguns anos sem jogar nada. Hoje, até por processo de desintoxicação, gostaria de ver o Sào Paulo jogando como São Paulo. Grande, pra cima, no chão.

Eu não sei como o clube está pagando tudo isso. Mas estão lá a disposição. E assim sendo, o mínimo que se pode cobrar deste elenco é futebol.

Não se satisfaça com 1×0 de bola parada. O São Paulo já é o maior campeão do país. Mas esqueceu como ser o melhor time do país.

abs,
RicaPerrone

“Eu não sabia!”

Não que eu realmente acredite que alguém soubesse. Mas eu confesso, “não sabia”.

Eu nunca imaginei que o time de 2013 pudesse não conseguir repetir o que já provaram ser possível fazer juntos. Eu não acho que o técnico que era unanimidade em 12 de junho de 2014 possa ser um completo imbecil no dia 12 de julho de 2014.

Eu não sabia.

Nem no meu pior pesadelo imaginei o time jogar tão mal, sem meio campo e sem “brasil” em seu toque de bola.

Um time que não sorri. Só tentava evitar perder, bem diferente daquele que em 2013 tentou calar a boca de todos, e calou.

Talvez a seleção tenha mesmo um problema eterno com o favoritismo. Diz a história que sim, e no momento de maior favoritismo de sua história, também o mais trágico final.

Eu nunca atrelei a seleção ao momento do futebol brasileiro. Estamos com problemas no futebol brasileiro há décadas, e a seleção vai muito bem, obrigado. Portanto, coerentemente, não posso querer dar a este final de Copa o rótulo de “a verdade absoluta”.

Nem ignora-lo.

Mas podemos fazer dele um marco, como em 1950.

Podemos talvez lembrar que isso tudo é responsabilidade nossa. Que quem levou o futebol brasileiro ao patamar mediocre de entrar em busca de 3 pontos custe o que custar fomos nós após 82/86, especialmente nos últimos anos quando os comentaristas que hoje detonam o futebol da seleção babavam pelos títulos do Muricy.

Sejamos coerentes, honestos, menos debochados de nós mesmos.

Ninguém sabia.

Nosso problema era o Fred, nunca o David Luiz, autor das falhas mais determinantes nas duas goleadas finais.

Nós nunca olhamos pra defesa com medo dela ser vilã, e veja você, quem mais errou no fim foi ela.  Nós não temos na memória um gol perdido do Fred na Copa. Mas ainda assim passamos 30 dias dizendo que ele não prestava.

Nós não temos critério pra avaliar futebol quando a seleção está em campo. Queremos que ela nos devolva todo jogo algo que nós mesmos obrigamos nosso futebol a perder: magia, alegria e comprometimento com sua história.

Nós vendemos nossa história por qualquer um a zero de pênalti roubado. Essa é a real. Em nossos clubes, se a bola entrar, foda-se como entrou. E é assim que tratamos futebol.

Por favor, não me diga que os últimos dois jogos do Brasil refletem agora, no fim de julho, um processo de mais de 30 anos onde ignoramos o que somos em troca de não perder.

A Holanda joga o mesmo futebol há 100 anos e nunca ganhou uma Copa. Sai de cabeca erguida. Nós, que ganhamos 5, fomos a 7 finais, somos os donos do mundo quando se fala em futebol, saímos humilhados.

Não pela Alemanha, que nem deu “olé” na gente. Mas pela nossa mentalidade de acreditar que só quando chegamos no fundo do poço paramos pra pensar onde estamos indo.

Que vire um marco. Um momento para menos idiotas gritando “eu avisei” e mais sábios e bons brasileiros repensando os aplausos após o próximo 1×0 mediocre do seu time no Brasileirão.

Meus sentimentos a todos que torceram e sofreram com a seleção nessa Copa. E aos que acham graça, especialmente.

Fomos nós que perdemos de 7 pra Alemanha, nós que perdemos de 3 pra Holanda.

Somos nós os culpados. Eles, a conseqüência.

abs,
RicaPerrone

Os caras

Felipão – Vipcomm

Saiu. Os 23 caras que defendem a nossa “honra” nos próximos 2 meses estão, enfim, revelados em definitivo.

Felipão é um sujeito que não usa grandes e mirabolantes táticas para chegar onde chegou. Ele motiva, comanda e sua carreira comprova que futebol é bem mais simples do que parece ser.

Ao longo de sua carreira manteve suas convicções e raramente se deu mal. Não tem nenhum motivo para duvidar da lógica do que escolhe Felipão.  Diferente de concordar, mas é impossível não respeitar e entender.

Qualé o “absurdo” da vez? O Henrique, que joga pela direita, até de lateral direito, e é um cara de confiança dele?  Nós vamos chorar por Miranda ou Dedé na mesma intensidade que choramos por Romário, Neymar, Ganso, etc?  Não, não vamos.  É mera opção, questão de grupo talvez.  Vai saber.

Eu levaria o Miranda e o Dedé, nem o Dante. Mas eu nunca estive no grupo pra saber como se comportam e qual o papel de cada um.  Felipão lidera um grupo e sabe como poucos o que ele precisa pra se manter focado.

A Copa, tratada como “obrigação” por muita gente estúpida e ignorante, é apenas um torneio, o mais difícil de todos, onde temos por obrigação fazer o nosso melhor, que não necessariamente será o melhor de todos. Ou, entendendo que trata-se do maior esporte do mundo e do mais imprevisível, cobrar apenas um resultado beira o analfabetismo.

Coutinho, Miranda, seja lá quem for. Mais do que uma questão técnica, há um grupo.  Ninguém sabe como ele quem é relevante ou não dentro daquele grupo. Quem comanda, quem briga, quem cumpre, quem agrega.  E o quanto ele perderia os caras ao chamar alguém que nunca veio na principal convocação.

Confio no Felipão, nos 23, na camisa que vestem. #FechadocomaSeleção

E agora nós somos problema deles, e não o contrário.

abs,
RicaPerrone

Melhor a dúvida

Hoje teve Vasco na série B.  Como esperamos que aconteça quase sempre em 2014, o time venceu sem grandes dificuldades, mesmo que ainda bem desfalcado.  Mas, com uma novidade que se não determina novos valores ao menos gera dúvida nos antigos.

Marquinhos, Yago, Thalles, não é possível ainda determinar se falamos de craques, enganadores, jogadores comuns.  Sabemos quem é Barbio, até onde pode ir. Já conhecemos o futebol do Reginaldo, do Felipe Bastos, de tantos outros com uma história no futebol.

Adílson, que de acordo com essa história é um treinador pra lá de comum, escalou um time com 2 garotos abertos e outro centralizado no ataque.

Na dúvida, melhor duvidar.

Sim, pois não tenho dúvida do que faria o Barbio no jogo. Tenho todas as dúvidas sobre o que fariam Marquinhos, Yago e Thalles.  E isso já me basta como argumento para escala-los.

O 3×0, como a maioria dos jogos daqui por diante, dirão pouca coisa. É um F-1 correndo na Stock Car, o Vasco não pode ter dificuldades pra subir. E se é pra “cumprir o óbvio”, que o faça correndo riscos de encontrar algo brilhante, não insistinto na certeza do mediocre.

Mais garotos! Mais chances de errar. Tanto quanto de acertar.

abs,
RicaPerrone

Dançando com a irmã

E a nossa querida e tradicional Taça Guanabara é a mais nova vítima dos pontos corridos e dos dirigentes que fazem campeonatos no Brasil.  Insatisfeitos com a fórmula que dava ao estadual do RJ uma rara sensação de emoção ainda, resolveram acabar com tudo e transformar o que pouco empolgava num quase velório.

A frigidez do Maracanã neste domingo é imperdoável.

Um Flamengo campeão pra quase ninguém. Tendo que explicar que é título e que este, por sua vez, não te coloca mais na final. Ou seja, agora sim, pode dizer:  “A Taça Guanabara não vale nada”.

Conseguiram.

Independente disso, não havia uma final no Maracanã. Há algum tempo o Botafogo deixou claro que não quer jogar o estadual e chamou pra si enorme responsabilidade em fazer uma boa Libertadores.

O Flamengo, que faz boa Libertadores, também resolveu fazer um bom estadual.

De taça na mão, em paz com a torcida e as tabelas, finge que comemora o ex-título da Taça Guanabara.  Agora, um mero troféu de turno.

Culpa de quem organiza. Sem ter nada com isso, o Mengão caprichou no figurino e foi ao baile.

E na falta do quem conquistar, dançou com a própria irmã.

Não deixa de ser uma dança. E, também, um baile.

abs,
RicaPerrone

A retomada

Dudu, Lucinha, Rogerinho, membros da bateria, da velha guarda, de outras relevantes áreas da escola. Todos voltando.  A Mocidade, de novo, nos braços do povo.

Ontem, em Padre Miguel, ao final do ensaio de rua a comunidade invadiu a quadra antiga comemorando a “troca de poder” na escola e fazendo um raro espetáculo de euforia e união sem câmeras de tv.

Algumas pessoas filmaram. E o que você assiste a seguir é mais do que um ensaio, uma batucada ou uma “festinha”. É a volta de um gigante.

Bom te ver sorrir, Mocidade!

#AMocidadeVoltou

Foi só futebol

Em 2008 Valdívia marca o segundo gol do Palmeiras sobre o São Paulo e elimina o tricolor.  Na comemoração, muda de direção e passa na frente do Rogério para mandá-lo calar a boca com um gesto.

Rogério não gosta. No meio de um empurra-empurra, dá um “tapa” no rosto do chileno.

Dois dias de discussão na tv para tentarmos achar um vilão e um mocinho, ou, no máximo, dois vilões.  Valdívia é um tremendo folgado, Ceni um puta cara cheio de si.  O encontro dessas duas personalidades não daria certo no Big Brother, num emprego, nem num campo de jogo.

É do jogo. Basta ter jogado pra saber.

Você tem todo o direito de ser marrento e provocar, desde que saiba o que isso vai gerar. Hipocrisia  condenar o Ceni por se irritar com Valdívia.  Quem não se irritaria?

E o chileno, por sua vez, faz isso contra o SPFC e contra o Itaperuna. É dele, e apanha o suficiente por isso.

O gesto de Valdívia alimenta o futebol.  Se eu fosse o Rogério, teria enfiado o pé nele, exatamente como tentou fazer. Mas também, se eu fosse o Valdívia, talvez fizesse questão de passar de novo na frente do Rogério comemorando a vitória.

O problema é que estamos sempre dispostos a nos colocar apenas em um dos lados.  E dependendo do que for, achará um vilão e um mocinho.

“Ah mas o Valdívia não fez nada!”.

Fez, claro que fez.  E dai?! Qual problema se ele é provocador desde que aguente as consequências?

Não vejo mal nenhum numa dancinha que menospreze o adversário. Desde que o dançarino apanhe sem se fazer de vítima.

Ação, reação.  Futebol.

Só isso.

As “lindas cotoveladas de Pelé” são hoje os detestáveis “jogadas de mau caráter”.

É a nova geração. Aquela onde o Merthiolate não arde…

abs,
RicaPerrone