midia

E virou

Modéstia as favas, há 20 anos brigo com a imprensa esportiva nacional por entretenimento e não jornalismo.  Fiz minha micro-revolução online abrindo porta pra centenas de jornalistas que hoje entendem como fazer sem emissora, como negociar direto com o patrocinador e tendo baseado valores e expectativas em cima daquilo que eu construí.

Hoje a Globo faz entretenimento, mérito do Leifert que peitou lá dentro.

Hoje os maiores captadores de receita no futebol são humoristas/comentaristas ou apresentadores de canal que não opiam, não investigam, só instigam e promovem.

Ou seja, entretenimento.

Alê Oliveira, há 10 anos, seria inviável. Tal qual o Desimpedidos, que embora seja um programa voltado pra adolescentes, também seria totalmente cortado de uma TV qualquer quando idealizado.

Centenas de influenciadores digitais bem humorados, torcedores, e também jornalistas covardes que se tornaram influenciadores de uma torcida dizendo o que ela quer ouvir transformando seu jornalismo tão defendido em piada.

Emissoras caretas tentando ser engraçadinhas e acreditando que a fórmula é idiotizar, quando na real é “suavizar”.

Futebol é Disney.

Ninguém na porta da Disney avisa o visitante que há um chinês dentro do Mickey.

A imprensa esportiva do Brasil optou por décadas a tentar tirar a mascara do Mickey. Hoje ela entendeu que promover a história dele faz mais gente ir ao Parque e, por consequência lógica, ela vender mais do produto que a sustenta em pé.

Aleluia!

Podemos sorrir vendo futebol.

RicaPerrone

O capitalismo jornalístico

Pra Amazonia ninguém olhou por todo esse tempo. Bastou o governo não agradar a mídia que ela se tornou ambientalista.

Bolsonaro é péssimo. Fala mal. Fala besteira. Alimenta uma mídia sedenta por frases infelizes, que é sua especialidade. O maior inimigo do governo é o próprio Bolsonaro.

Suas brigas são absolutamente desnecessárias. Ou é muita genialidade pra tapar o foco do que importa que são as reformas ou é muita burrice. Fico com a segunda.

Arrependido? Nunca. Era Bolsonaro ou a maior quadrilha já descoberta em todos os tempos. Não há dúvida. Se tiver, anule. Vá lá. Mas neles, não. Nunca. Jamais. Tenho pai e mãe pra olhar na cara. Não dá.

O ponto não é eleição. Já foi. Mas o pós e sua hipocrisia.

As capas de todos os jornais e sites estão enlouquecidas com 20 milhões que tiraram da prevenção de queimadas na Amazonia. Paralelo a isso os caras aprovam 1,8 BILHÕES destinados a fundo eleitoral num país que declara abertamente que não tem dinheiro pra pagar os serviços básicos em alguns meses.

Sim, é o que você entendeu. 20 milhões, problemão! Quase 2 bilhões, foda-se.

Adivinha porque?

O que os políticos fazem com parte do dinheiro? Compram mídia. Onde?

Parabéns! Você já está começando a entender o sistema e a relação imprensa x governo.

Não importa à mídia o estupro. Importa quem foi estuprado. E se o estuprador passar uma graninha aqui pra ela, nem estuprador ele é mais. Talvez “suspeito”. No máximo “tem problemas psicológicos”.

Funciona assim. Ou seja, não funciona.

Reparou que o maior problema do Brasil muda toda semana? Que os roubos bizarros e liberações de bandidos presos são todas notas de rodapé e que a barba mal feita do filho do presidente é chamada principal?

Não é mau jornalismo. É capitalismo. Aquilo que, em tese, 95% da imprensa luta contra. Veja você.

Ora, vá se fuder.

RicaPerrone

Então, Galvão…

Ídolo. Assim me refiro a Galvão Bueno e portanto aqui não vai uma linha irônica ou maldosa sobre o maior narrador que esse país já teve. Dono dos bordões mais notáveis do nosso esporte e voz oficial das maiores alegrias da minha vida.

Hoje ao final do jogo ele e o Casagrande reclamaram da distância do time com a imprensa. Do grupo fechado, da seleção que fala pouco, se comunica pouco, etc. E eu vou ousar discordar de você, Galvão.

Não seria hora de notarmos que nossa profissão está atolada numa lama causada por ela mesma? Que os atletas se distanciaram por algum motivo e não meramente por terem se tornado arrogantes coletivamente como numa virose?

Talvez seja o caso de uma avaliação mais ampla. Ou será acaso que pela primeira vez a imprensa nacional em massa se colocou contra um candidato e o povo a ignorou por completo?

Será que parte dos diversos “influenciadores” que surgem dia após dia não são, também, um espaço dado pela incompetência jornalística com que se trata as pessoas, os fatos, os clubes e os torcedores? O produto, até.

Fosse um trabalho bem feito e não digno de reviravolta e rejeição em massa eu estaria aqui hoje sendo um crítico da imprensa, independente, sem padrinhos e sem amigos nesse meio?

Se você e eu fossemos jogadores, ouvíssemos as barbaridades que ouvimos todo dia quando ligamos a TV, o rádio ou abrimos a web, você manteria a curta distância “da imprensa”? Sim, vamos generalizar. Porque é assim que fazemos com “o treinador brasileiro”, ” o jogador brasileiro”, e portanto eles também podem.

A distância, neste caso, é reflexo de um saco cheio, não de uma geração arrogante apenas. Tem dos dois. Mas a culpa é muito mais da imprensa e seu baixo nível do que das estrelas do show se cansarem de quem, em tese, “os promove”.

“Os meninos do Brasil” assistem tv. Eles sabem o tamanho do carinho que se tem com a Argentina, rival, e o tanto que se bate neles. Hoje, “meninos”. Ontem, “são homens! Que meninos que nada!”.

E assim vai continuar sendo. Até que o lado de cá pare de apontar o dedo e se olhe no espelho. Porque Galvão, meu ídolo, nessa discussão de dois lados só um está falindo. O outro está voando. Deve ter alguma lógica.

RicaPerrone

Blá, blá, blá….

Voltamos do comercial. Se despede da assistente de palco, tira a mão do peito dela, ajeita a camiseta e vem!

A apresentadora fecha a cara, chama a negra que ganha mal, nem obrigado diz no final. Vamos pro ar, Brasil? Puta que pariu, ainda falta o especialista.

Aquele jornalista. Não dá pra ser só com artista.

Chama um esportivo. Mas a gente não fala de esporte, ué?

Não falávamos. Mas hoje tem lacração pra falar da decisão.

Então chama o convidado. Alô rapaziada! Direto do estúdio do esporte. E aí, viado?!

Bem baixinho pergunto pro colega ao lado. Já ouvi que ele é safado. Mas… viado?

Viado!

Gente, coitado!

Qual a pauta além da homofobia? Olhei em volta, cheio de artista, ninguém sabia.

Produção! Manda a plateia calar a boca!

Calma, você tá loca!

Loca é o caralho. Odeio essas caravanas de gente feia enchendo o saco.

4, 3, 2, 1… no ar!

Bom dia! Hoje vamos falar sobre racismo, o respeito a mulher e homofobia.  Mas antes disso, quero dar bom dia para essa platéia maravilhosa que veio da Vila Mandioquinha e trouxe tanta gente linda, humilde e que nos representa.

Posso interromper, fulana?

Claro, fulaninho!

Eu queria só aproveitar pra deixar um beijo pra minha esposa amada que está em casa e também dizer que chego a me emocionar aqui. Eu morei perto da Vila Mandioquinha quando pequeno, é muito ….  (choro contido)

(aplausos)

Gente, é muito forte rever nossa gente, nosso lugar né? Vamos aplaudir fulano! Que sensibilidade! Que artista!

Mas nem só de gente como o fulano é a vida. Ciclano, direto dos estúdios do esporte, fale pra nós do absurdo que foi um jogador repetir uma música de torcida após o titulo ontem!

Pois é, fulana. Dormi mal hoje, realmente não é o Brasil que quero pra mim. Até quando? Nossa piada mata, o futebol precisa se reinventar. Não dá mais.

Pois é. Intervalo, voltamos já!

E Ciclano ri, grita com a redação: “ô viado! pega ali o texto pra mim!”.

Eu?

Não, manda aquela gostosa da redação. Alias manda ela vir rebolando que eu prefiro!

(risos, muitos risos em volta).

No estúdio o artista seduz a apresentadora que, casada, aceita e troca o telefone. Juntos ignoram a funcionária mais humilde, fazem piada baixinho sobre a condição daquela gente pobre na platéia.

E voltamos pro ar.

Fulano, a mulher no Brasil é vítima de muito desrespeito. Como você lida com isso?

Olha, fulana, eu amo as mulheres. Respeito mais do que tudo, acho que chegar em 2019 a gente permitir piadas e atitudes que não condizem com o que elas merecem.

(aplausos enlouquecidos)

No whatsap ele escreve em meio aos aplausos para a garota da produção. “Te chupo toda”.

Ela ri.  Responde “bobo, não me ilude”

Quando acaba ele vai embora.

Ela também. Transam no carro e só são interrompidos quando a esposa que ele ama, respeita e defende telefona e pergunta se ele quer lasanha na janta. É seu prato favorito. Ele aceita enquanto recebe um sexo oral de outra.

No caminho, já aliviado de suas tensões sexuais, posta no instagram que “fim de uma jornada de trabalho. Hora de voltar pro ninho pra ver meu amor”.

Ela sorri, se emociona.

O colega de esportes liga.

Gostou do programa?

Porra, achei foda! Ganhei 10 k no Insta!

Tamo junto, viado! Aliás, comeu aquela putinha da produção?

Quem não comeu né?

risos, muitos risos.

E aquele papo feminista? Virou viado agora?

Ahahahaha é o que elas querem ouvir né caralho?

Tamo junto, viado!  Vou pegar um negocinho ali pra fumar logo mais. Quer?

Parei. Muito violenta essa cidade. Nem dá pra sair a noite pra comprar mais a nossa maconha.

Tá foda. Tudo bandido armado.

Até quando, né?

Abraço, viado!

Seguimos a programação normal.

Seus merdas.

RicaPerrone

7/10 – Dia da independência

Há muito desconfiamos, mas era preciso uma prova determinante para poder garantir. O Brasil não é mais um país manipulado pela mídia, classe artistica e velhos partidos.

Em 2018 os três poderes escolheram dizer “não” a um só homem, que sequer tinha tempo de resposta. Eram miseráveis 8 segundos de tv, o que até outro dia determinaria a sua posição no resultado final.

E não, meus caros. Dessa vez não. Sem TV, contra a mídia, contra os ídolos e a classe artistica, sendo massacrado com meias verdades o tempo inteiro e sendo esfaqueado não podendo continuar parte da campanha, o povo escolheu quem quis.

Não, cara! Não entra na pilha de discutir se era o melhor ou o pior. O ponto é outro. Até mesmo o mais fanático petista, que por obviedade não tem intelecto para tal, deveria fazer esse raciocinio e  notar o que conquistamos hoje.

O Brasil não é mais um curral da TV. Não diz amém porque um galã de novela abre a boca. E não precisa mais da mídia pra saber quem é quem e para escolher seus lados.

Pela primeira vez na história não foram eles que decidiram o que íamos pensar. Pensamos por nós mesmos e, certos ou errados, nós decidimos.

Neste dia toda empresa deveria rever seu medo comercial de atrelar marca a opiniões, seu delírio antigo sobre rejeição e entender que o “não” só vem pra quem tem muito “sim”. Ninguém precisa rejeitar com tanto barulho o que não tem aceitação.

E agora eu pergunto a você, marca medrosa que achou que iria contra o povo se apoiasse algo que não seguisse a cartilha do detestável e rejeitadíssimo politicamente correto: como se sente tendo tido medo de agradar a maioria?

Um país covarde, manipulado e ainda nas mãos de muito político, bolsa-cabresto, entre outros, colocou uma manguinha de fora.

Faz jornalismo, Globo. Lavagem cerebral você não faz mais. Imagina as outras, coitadas, se arrastando pra ter a audiência que um vídeo de gatinho acordando tem num dia.

Acabou.

Os institutos de pesquisa erraram grotescamente, gerando até boa dose de desconfiança sobre sua boa fé.  O PT está destruído, o PSDB perdendo força absurdamente, e novos partidos, pessoas e uma nova cultura começa a se formar.

Aos poucos, é verdade. Ainda falta muito. Votamos mal, escolhemos mal, nos posicionamos mal.

Mas pela primeira vez, ainda que acabe se mostrando um equívoco lá na frente, terá sido uma escolha nossa.

Talvez o Haddad perca. Talvez o Bolsonaro. Mas ninguém foi tão desmoralizado neste 7 de outubro quanto imprensa, classe artistica e os grandes partidos que por anos nos estupraram.

Dia 28 tem mais. E aí? Vão descer pro chão ou cair do salto?

abs,
RicaPerrone

“Mortos”

“Depois da chegada da internet…”, pára! Já tá errado. Internet é meio de transmissão, não uma forma de mídia. Mídia é impressa, video, áudio. A forma com que isso é transmitida às pessoas é outra coisa. Logo, não foi a internet que “fudeu tudo”.  Foi a falta de leitura do cenário.

Quando o Flamengo diz a um reporter que “você não”, logo vem os intelectuais falar em censura, blá, blá, blá.  Mas acontece, meus caros, que a mídia em geral não entendeu ainda que ninguém precisa mais dela pra porra nenhuma. E que se ainda a usam é por mera opção.

Diferente de quanto éramos reféns de emissoras e jornais, hoje temos ligação com a fonte, canais oficiais, mil “opiniões” e “informações” que, tal qual a imprensa tradicional faz, podem ou não ser verdade.

Duvida? Olha eu aqui! Chegou aqui por que emissora?

Olha quem são os maiores influenciadores do país.  Vê se foi a Globo que fez ou se eles se fizeram sozinhos.

Ninguém mais precisa da Globo. Ninguém mais é 100% direcionado pelo que diz o cara do jornal da noite. O ator da novela não é mais o galã do país. Esse cara está fazendo video no youtube e postando prato fitness no instagram.

Se você quer continuar dando furo em 2017, meu amigo, você ultrapassa a burrice. Não há qualquer importância em “furo” quando uma informação se propaga em 30 segundos pelo planeta. Ninguém sabe “quem deu”, porque quando sair “todos já deram”.

Então dê direito. Porque aí sim, quem sabe, você ainda faça alguma diferença.

Clubes, empresas, ídolos. Eles não dependem mais da imprensa para falar com os fãs. Logo, o refém agora é você, veiculo de comunicação disputando pauta com a rede social oficial do cara.

E se mentir, fizer merda, vai ficar pra fora do treino sim. Porque?

Porque você não tem DIREITO algum a estar ali. É uma permissão que o clube te dava por necessidade, hoje te dá ou não por opção.

O ídolo não precisa mais te aturar. Ele pode te destruir. Os fãs dele estão reunidos nas mãos dele, não mais na nossa. Toda notícia mentirosa será bem pior pro jornal/jornalista do que pra vítima. É uma tendência natural porque hoje nós não somos a única via.

Pior. Diria que sequer somos a principal.

O jornal Extra faz um jornalismo de merda, um sensacionalismo tosco e usa um método de 1980 tentando impactar em 2017. É óbvio que vai ladeira abaixo. Só que agora ele não tem mais a única coisa que o mantinha em pé: importância.

Ninguém liga pro jornal, pra emissora, pro jornalista famoso. Todos tem o que querem quando querem, basta querer chegar a informação que você terá. Nós somos os caras que dão de mão beijada e superficialmente, e portanto atingimos os menos interessados e/ou capacitados.

O mercado sabe ler melhor que a imprensa. Todo mundo já percebeu. Quem quer algo mais sobre política não lê o Globo de manhã. Ele vai nos mais conceituados sites de política do mundo e se informa lá.

“Nichou”.  A cobertura palmeirense é feita por torcedores do Palmeiras, não mais por nós. Modéstia a parte notei isso em 2005 quando fiz um site que cobriria o SPFC, não que replicaria notícia alheia apenas.

Hoje todo time tem 5 sites e eles todos são mais influentes em suas torcidas do que os jornais, rádios e revistas que insistem em arrotar caviar quando não comem nem mais a mortadela.

Acabou, gente. Nós não disputamos espaço mais entre nós. É contra “todos”. E a “censura” que você chora hoje por corporativismo se chama “direito”. O seu de a vida toda falar o que quer, o deles em hoje poder dizer que “Você, não”.

Eu apóio. Do lado de cá, ainda que não pratique o “jornalismo”, eu apoio.

Enquanto vocês estão preocupados em transitar bem entre colegas, tem gente que transita bem no futebol.

E é aí que a sua conta não fecha e você “morre”.  Todo mundo sabe que jornalista não tem NENHUMA especialização em futebol que o credencie a avaliar porra nenhuma.

Tem coisas que não se ensina em faculdade. Futebol é uma delas. Economia, política, culinária, também.  Ou seja, ser “jornalista”não te faz especialista em nada.  Acabou o caô. Fomos descobertos.

Descanse em paz.

abs,
RicaPerrone

Volta, Odvan!

Eu não consigo atrelar cabelos e selfies a desempenho. Fosse assim, Cristiano Ronaldo, o mais “gazela” de todos, não seria o exemplo de profissionalismo que é.

O jogador moderno se depila porque o homem moderno o faz. Não porque jogam bola. Tiram selfies porque nós tiramos, e fazem cabelinhos invocados porque nós também fazemos e existem 700 produtos que fazem até mesmo do mais puro bombril uma seda.  E não, não estou sendo preconceituoso com o cabelo bombril, até porque tenho um.  O ponto é que se fosse referência e preferência teriam 700 produtos fazendo o papel inverso, e não é o caso.

Brincam em redes sociais porque brincamos. E não, eles não tem “que tomar mais cuidado porque pode gerar…”…

Parem com essa idiotice de culpar o GTA por cada carro roubado que existir. Como diz um grande amigo meu, se influência virtual fosse tão determinante para a vida real, haveria muita gente atirando pássaros em porcos verdes.

Outro dia, mimimi porque Flamengo e Vasco se “zoaram” na rede social.  Ok, “coisa de brasileiro vira-lata”, pensamos.  Mas aí o Barcelona fica puto porque 2 dias depois de ser eliminado o Daniel Alves sorri para a vida.

Nas notícias sobre Neymar e seleção, num desses portais que já foi referência e hoje brinca de ser EgoSports, atrelava-se ao descomprometimento do Neymar ele estar 24h depois de um jogo numa festa. Caraca, o que há de mal num jogador ir para a balada 24h depois de um jogo?

Além dos lamentáveis e coordenados por jornalistas de má índole episódios da caipisaquê do Fred e uma provocação de uma organizada com um clube as vésperas de um clássico sugerido pelo próprio jornal que disse ter “chegado cedo e visto a surpresa”.

Aí Michel Bastos ficou chateado.  Segundo ele, durante uma briga na Libertadores entre São Paulo x River, o chamaram de “negro”.

Uai, Michel? Tu é negro, irmão.  Qual problema nisso?

“Ah mas o tom…”.  Pô, calma lá.  No meio de socos e pontapés de um SPFC x River Plate queremos determinar limites para ofensas entre os dois lados que trocam cotoveladas e cusparadas?

Eu cuspo, você me quebra uma perna, tudo bem. Se eu for racista com você, você magoa?

Por favor, vai. Não entrem no mimimi das “mimiminorias” virtuais que encontram em qualquer bosta um motivo pra sair de suas vidas mediocres em troca de parecer engajado num facebook qualquer. É pedir com alguma escrotidão para um ser humano sair na porrada com outro e dentro dessa briga de desequilibrados um par de regras sobre limites nas ofensas.

E pior: achar que “negro” é ofensa no meio disso tudo.

Eu apostaria meu braço esquerdo que Odvan foi chamado de macaco mais de 50 vezes na carreira e em todas elas ou sentou a perna no sujeito ou ofendeu de volta. E que em 90% dos casos quando o jogo acabou, isso nem foi lembrado.

Simplesmente porque o mundo era mais tolerante ao racismo? Não, porque tinhamos mais o que fazer do que reclamar em rede social e, portanto, as coisas tinham as dimensões que mereciam, não as que virtualmente conquistavam.

Racismo é crime.  Dizer “eu te mato” no meio de uma briga não é uma ameaça de morte.  Você não pode chegar no meio de uma briga onde cada um dos envolvidos já xingou o outro de “filho da puta”, “corno”, “gordo”, “viado”, “petista” e outros tantos e pinçar uma das ofensas pra transformar em crime.

Por favor, senhores. A vida um pouco mais como ela é. Não como ela deve parecer ser no instagram.

Acredite: você é bem mais tosco fazendo de cada um desses fatos uma novela virtual do que o David Luis quando toma uma caneta e posta foto de lingua de fora.

Recomendo esse trecho: https://youtu.be/T4VyyHOu8SQ?t=2m40s

abs,
RicaPerrone

Grenalizaram

Garotos não jornalistas tomando espaço dos jornalistas.  Torcedores derrubando a credibilidade dos profissionais de imprensa.

O público buscando cada dia mais quem torce do que quem finge ser superior a tudo aquilo.

Há uma crise no jornalismo esportivo brasileiro, uma resposta dos torcedores e uma tendência fácil de explicar.

No Sul, tem o Grenalizando. Um programa de torcedores que tratam o futebol como ele é. Sem a falsa ideia de que não torce pra ninguém, de que não sente raiva, de que não fala palavrão e não reage de forma apaixonada após a partida.

No Rio tem o Rock Bola (e também o Popbola) que são parecidos, no rádio, mas tão sensacionais quanto. Eles destruiram a audiência dos “debates malas” padrão de futebol das rádios AM.

Surgiu agora essa polêmica no final de semana. Jornalistas reclamando dessa “inversão de valores”.

Ora, meus caros colegas, vamos saber reconhecer derrotas. Ainda mais as que são por goleada. Se o torcedor sem diploma se comunica com torcedores melhor do que nós, ou somos muito ruins, ou eles muito bons.

Partindo de um meio termo, estamos fazendo algo errado, eles corrigindo pro lado certo sem ter tido 4 anos de aula de como se comunicar. Talvez porque sejamos arrogantes, talvez porque tenhamos perdido a paixão.

E sem paixão, como sempre digo, não tem como trabalhar com esporte ou qualquer outro entretenimento.

Pessoas de olhar opaco, transmitindo “cansaço” de tudo aquilo,  um ar de quem “já viu de tudo e nada mais mexe com ele”, ou aquele discurso imbecil que tanto contesto nos padrões ESPN Brasil onde se avalia tudo que deu errado pra depois, se der tempo, falar do que foi apaixonante.

Na Copa, pra se ter idéia do tamanho da estupidez, a ESPN colocou no ar ao vivo um uruguaio e um argentino chorando de alegria pela classificação de seus países como comentaristas. Não houve um jornalista na emissora capaz de torcer pela seleção brasileira.

O torcedor ama futebol e seu clube. Quando procura futebol ele quer lazer, não problemas. Ele quer um espelho de alguém que sinta o que ele sente, que seja capaz de entende-lo, não de menospreza-lo.

As demissões em massa, a perda de espaço e a troca de “profissionais” por torcedores não é apenas uma tendência como também uma aula prática.  Aprende quem quiser/puder.

Eu estive na Copa do Mundo e quando o Brasil fez o gol contra a Croácia, o primeiro da Copa, o primeiro gol em copas de muitos jornalistas que ali estavam, a maioria não tirou as mãos do teclado pra vibrar.

Sem exageros. Se sou editor de um portal/emissora, tanto faz, e meu funcionário que cobre futebol não reage a um gol da seleção na Copa, em seu país, no jogo de abertura, eu mando embora.

E não é uma forma de falar. Eu mandaria embora 80% dos meus colegas jornalistas se fosse chefe deles. Não sou. Sou meu chefe, apenas. E me oriento para tentar estar sempre o mais próximo do que sente um torcedor, não do que acha um jornalista.

Grenalizaram o Rio Grande do Sul! Porque não há diploma pra falar de amor. Apenas apaixonados conseguem.

E nós, jornalistas, frígidos, estamos cada vez mais sozinhos. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

A prova da burrice

 

Vasco e Flamengo jogam domingo a preços não populares valendo porra nenhuma pelo falido estadual.  Essa frase é repetida pela mídia todo santo dia, tal qual qualquer posição contra ou negativa sobre o nosso futebol.

Quando trata-se de um evento, seja ele qual for, diz a lógica que você deve promovê-lo, ainda mais se sobreviver de seu sucesso.

Eurico Miranda voltou ao futebol e a sua moda, antiga, forçada, até equivocada, conseguiu dar uma aula de marketing para todos esses novos dirigentes de terno e MBA na casa do caralho, e mais ainda pra essa imprensa tosca que incentiva dia após dia o torcedor a não consumir mais o produto que ela mesmo vende.

Vasco e Flamengo se tornou um grande jogo pela promoção dele. Se voluntária ou não, tanto faz. Mas Eurico conseguiu, com a boca, sem MBA, fazer o que qualquer Chael Sonnen sabe fazer no esporte: promoveu o espetáculo.

Haverá 50 mil pessoas no Maracanã. Hoje a tarde venderam 15 mil. Filas e mais filas. E ninguém quer necessariamente avaliar o nível técnico, o que vale o jogo ou os preços do ingresso.

Querem ver porque o jogo foi vendido como “algo imperdível”.

E então, aos duzentos anos e no alto de seu retrocesso, Eurico Miranda consegue ser melhor promotor de eventos que todos os novos dirigentes e a péssima mídia esportiva que ainda não sacou sua real função no processo.

E não, não quero exaltar o Eurico Miranda por isso. Quero mostrar o quanto somos estúpidos ao enfiar porrada no que é nosso o tempo todo.

Torcedor quer motivos pra CONSUMIR futebol. E a mídia faz de tudo pra afasta-lo dele.

Burrice. Esse é o nome.

Algo que, com todos os defeitos do mundo, Eurico não é.

E teremos o Flamengo x Vasco que merecemos. Em meio a um torneio tosco, sem valor, sem qualquer motivo se não a simples vontade de vencer o rival.

abs,
RicaPerrone

A verdade jornalística

Quem diria? O momento que mais gostei nesta Copa do Mundo veio da imprensa argentina e seu super herói.

Acima você vê a imprensa argentina encontrando Diego após a vaga pra final. Juntos eles cantam e debocham do Brasil, no papel deles, que é de rivalizar conosco, e de fazer o tal “jornalismo”.

E ai eu te pergunto.  É mais jornalismo a Fernanda Gentil chorar no ar, os argentinos cantarem e explodirem de alegria por uma vaga ou um bando de babaca de terno e gravata se fazendo de imune as paixões do futebol detonando tudo que é nosso?

Qual a “verdade” que você quer no jornalismo?

A que finge ser superior a tudo isso ou a que se coloca ao lado como seres humanos iguais a você?

Porque acharam “do caralho” o Loco vibrando e falando palavrão pelo país dele? Porque é lindo o Barcos na arquibancada vendo seu país?  Porque somos tão cafajestes com as nossas coisas?  Porque treinam jornalistas para serem sexólogos frígidos?

Se o Pelé viesse na direção dos jornalistas brasileiros após a vaga pra final, metade sairia de perto, a outra metade colocaria o microfone nele pra captar e dizer: “Que ridiculo! Nao reconhece a filha e canta com a seleção”.

Sim! Sou um jornalista muito mais “argentino” do que brasileiro. E por isso mesmo, os odeio!  Afinal, a idéia é essa.

abs,
RicaPerrone