Sem bola

Não somos um fiasco

O conceito de que não somos o que poderíamos ser é real. Mas o conceito de sermos um fracasso olímpico é um equívoco tremendo.

Como bem disse o Leifert num corte que vi por aí, comparar o Brasil com Japão, EUA e Canadá é de uma burrice considerável. Não temos nada a ver com eles. São países que funcionam, onde o crime é crime, onde as pessoas tem educação e o mínimo do senso do inaceitável. Óbvio que estarão na nossa frente em quase tudo que fizerem.

São 32 esportes. Alguns distribuem medalhas a rodo, outros apenas 3. De modo que o quadro de medalhas diz muito mais sobre quem vai bem em determinados esportes do que quem tem possibilidade na maioria deles.

Não somos um país forte em Basquete e Handbol. Porque a gente espera que tenhamos medalhas nisso? Ah mas vamos montar um time forte! Que time forte? Seleção representa o que há daquele esporte no país. Os EUA não ganham no futebol porque não jogam. E porque achamos que vamos ganhar no atletismo se não praticamos?

Nós temos protagonistas na Ginástica, natação, volei, futebol, boxe, judô, alguns no atletismo, remo, vela, alem de outros sustos que levamos com um brasileiro fora da curva em algum esporte que não conhecemos tanto. E isso é mais do que a média.

Somos o país numero 89 no mundo em IDH. Somos o décimo terceiro país com mais medalhas olímpicas. Estamos disparado na frente dos concorrentes do nosso continente que, gostem ou não, é o nosso nível de comparação.

O projeto olímpico não pode ser sempre a farsa em busca de resultados pontuais. Projeto olímpico tem os EUA quando forma atletas em universidades e os que não vingam se formam. Aqui o esporte exclui o cara da escola pra se matar por um dinheiro pra viver. E há quem diga que esse modelo americano imperialista malvadão é ruim. Bom é o bolsa atleta.

Não adianta nada ter uma seleção feminina de futebol campeã se o futebol feminino no país for ruim. Você só camuflou um fracasso com 11 jogadoras. Não adianta ter um time de basquete se não jogamos basquete. E menos ainda adianta pedir apoio a esporte olímpico e não transmiti-lo ou esconder o patrocinador do atleta.

Nossa base de comparação é equivocada. Somos um país de analfabetos, com um dos QIs médios mais baixos do planeta, cheio de corrupção, malandragem, candidatos de dar pena em cada eleição e esperamos uma potência olímpica? Como? Qual sentido faz passar fome e esperar números expressivos?

São 15, 20 medalhas. Mas são mais medalhas que Espanha, Belgica, Suiça, Grécia, etc. Os nossos vizinhos tem 2, como Chile e Argentina. Nossa comparação é essa.

Basta parar de acreditar que um país que acha normal todos os absurdos que achamos vai entregar qualquer resultado em qualquer setor semelhante ao de paises de primeiro mundo.

Ou estaremos acreditando em mais um absurdo, o que também não seria, aqui, no caso… um absurdo.

RicaPerrone

Começou a Lacropíadas 2024

– Bem amigos, estamos ao vivo direto de Paris! Aqui hoje começa os jogos olimpicos de 2024 e você vai curtir tudo ao vivo conosco! Boa tarde fulana!

  • Boa tarde a todes! É uma honra estar aqui nesse espetáculo maravilhoso, nesse país incrível, nessa cidade surreal, nessa chuva abençoada, descoberta toda molhada pra poder sentir o que é Paris de verdade. To amando!
  • E já vem ali a tocha olímpica! Atenção pro começo do espetáculo que promete no Rio Sena! Vem aí os barcos com as primeiras delegações…
  • E quanta mulher, ne? É importante essa diversidade o barco com as delegações. To emocionada.
  • Ali agora a homenagem a Asxtreix Coufier, uma francesa marcante, a primeira mulher a peidar em público em Paris. Lindíssima homenagem.
  • Ah, sem dúvida. É a importância da libertação anal da mulher né? Incrível. Inclusivo! Se hoje peido, é por causa dessa mulher. Obrigada, Asxtreix!
  • Note ali ao centro do Rio vem chegando a imagem de Monalisa, é isso? Que beleza!
  • Lindíssimo. To emocionada! Monalisa vem representando a diversidade da mulher preta na cultura francesa. To emocionada.
  • Mas a Monalisa … é branca. Nao?
  • Ela se sentia preta. Foi o primeiro quadre a mudar de moldura no mundo. Emocionante!
  • Agora é pra emocionar de vez! Vem aí a opera de Paris cantando o hino frances! É Belíssimo!
  • Sem dúvida, especialmente o trecho que remete as mulheres mães solteiras de Paris que vieram da região nordeste.
  • Tem essa parte?
  • Tem, é quando fala “Qu’un sang impur Abreuve nos sillons”, que cita a região nordeste e as maes solteiras. Belissimo!
  • Que loucura. Muita emoção. Faço isso ha 133 anos e ainda me emociono com a abertura dos jogos olímpicos. Vem aí os idolos da natação! Olha o Phelps lá!
  • Incrível! Eles todos no barco claramente representando que nessa olimpiada os homens serao verdadeiros peixes fora dagua. Ta dado o recado. Muito emocionante.
  • Eles deveriam vir nadando?
  • Não sao nadadores? As meninas do atletismo vieram andando ué. Representando o esporte desde a chegada.
  • Entendi. E agora a bela homenagem revolução francesa representada pelos artistas locais.
  • Sim, revolução francesa que despertou a luta dos dos gays. Começou ali essa luta emocionante por igualdade.
  • Teve isso?
  • Sim. Eu ouvi na Globonews.
  • E vem ai o time Brasil! Nossos atletas olimpicos que vao emocionar o Brasil!
  • E de roupas simples, note que tudo foi muito simples pra se identificar com o povo que também passa dificuldades ne? Então a roupa é ruim, o material é pobre, tudo pra representar essa nossa gente sofrida mas que agora tem amor. Emocionada aqui. Vou chorar.
  • E será que vem Israel?
  • Nao deveria, ne? Mas acho que é capaz de virem sim mesmo diante da guerra.
  • Mas os atletas não tem culpa ne? Nao podemos responsabiliza-los, certo?
  • Voce acha que nao tem culpa pelos seus ancestrais terem escravizado um povo?
  • Tenho?
  • Enfim, vem chegando a hora das medalhas, veja que belas medalhas pra essa edição!
  • Fulano!
  • Fala reporter.
  • Essa medalha que só a titulo de informacao é o objetivo maior dos atletas que estao aqui.
  • Mentira!?
  • Juro. Nossa equipe apurou com fontes locais.
  • E aí vem a tocha! O final tão esperado! Quem será que vai acender a chama olimpica? Quem voce gostaria que fosse, fulana?
  • Iza!
  • Iza? Que Iza?
  • A nossa cantora!
  • Mas é Paris, ne? Acho que não vao nos surpreender a esse ponto, nao acha?
  • Mas seria belissimo expor a força da mulher apos uma traição sendo a protagonista olimpica da abertura. Uma pena se não tiveram essa sacada.
  • É verdade, seria lindo. Mas não sendo a Iza, quem você acha que em Paris, poderia…?
  • Eu deixaria a chama apagada.
  • É que ai… não pode, ne? Porque isso?
  • Voce acha que é um gatilho saudavel mostrar uma tocha de fogo pra um povo que acabou de passar pelo incendio de notre dame?
  • É, não pensei por esse lado…,
  • Sensibilidade. Paris é isso. Sao as olimpiadas da mulher, do amor, da inclusão e da emoção. To chorando.
  • Encerramos aqui a transmissão da cerimonia de abertura! Que o Brasil traga muitas medalhas, que sejam 20 dias de muitas emoções e voce acompanha tudo aqui conosco, né fulana?
  • É verdade. 20 dias de reflexão sobre o machismo, a homofobia e a inclusão. Espero muitas medalhas de bronze e prata.
  • Ouro, nao?
  • Acho brega ostentar. Acho cafona ser o primeiro sabe? A competição destroi a cabeça de jovens e temos que promover mais o terceiro lugar, entende?
  • Ok. Ficamos por aqui! E agora voce fica com o jornal das 7 que vai explicar como é bom pro brasileiro o combustivel mais caro, porque nao ter dinheiro pra carne pode ajudar no combate a obesidade. E nos esportes, a importância dos trans albinos portadores da rinite alergica na conquista do Tetra em 1994. Imperdivel.

RicaPerrone

Sim, o lixo da sociedade!

Uma vez eu disse numa live que a imprensa era o lixo da sociedade.

Frase forte. Deu alguma polêmica, mas a parte mais divertida disso é ter 90% dos colegas concordando em off e no ar não podendo dizer o que pensam por motivos óbvios.

Você ouve de 9 a cada 10 jornalistas num bar que o nível está baixo. Mas o corporativismo burro é aquele que permite a deterioração de uma classe em troca de ficar bem com todo mundo.

Hoje eu consigo afirmar sem nenhum medo de errar que vivemos o pior momento da imprensa em todos os tempos. Hoje ela milita, vende espaço, vende notícias falsas e coloca a narrativa que quer a troco de cliques desesperados de quem está falindo aos poucos.

Pior do que falir. Perder o respeito do povo. O que já aconteceu, convenhamos.

Enquanto alguns brigam como sindicalistas pela classe outros como eu expõem os absurdos pra que a gente melhore. Adivinha quem tá contribuindo de fato? Enfim.

Nosso Anderson morreu. A primeira manchete da Globo era a morte. A segunda era que ele havia assumido ser bi e relembrando uma falsa acusação de estupro contra ele.

Eu pergunto ao editor: porque? Pra que? Ele está morto, levou alegria a vida toda, atendeu a vocês sempre. Porque a manchete da morte dele é essa? Porque a lembrança é essa? Ninguém lembrava.

E então o maluco que o acusou surgiu de novo, óbvio. Viu oportunidade. A imprensa agora noticia cada frase do sujeito que fez falsa acusação de estupro com credibilidade e espaço relevante.

Vamos aos fatos?

Um maluco que casou com si mesmo e fez uma falsa acusação de estupro. Um cantor adorado pelo Brasil que nunca fez mal a ninguém. Qual o sentido em dar espaço pra o primeiro falar do segundo no momento da morte dele?

Chamar o cara de “ex”? Cacete, o que tem no coração do cara que faz essa notícia? No cérebro claramente nada, mas que tipo de ser humano vê uma família aos prantos e ressuscita um assunto morto que o deprecia?

Isso dentro de uma Globo. Fosse num blog qualquer de um alucinado por espaço, compreenderíamos pela insignificância. Mas numa Globo?

O crime já foi relativizado por ideal. Agora vamos usar pessoas mortas pra achar polêmica enquanto o corpo é velado? Pior! Um parceiro da casa que sempre esteve ai quando convidado.

O Brasil precisa de fatos pra poder combater o mal. E enquanto os responsáveis por entrega-los ao povo se submeter a venda escrota e sem critérios de cliques custe o que custar, seguiremos com narrativas, pão e palhaço. O circo já somos.

Que você, caro editor jornalista que está dando esse espaço, tenha uma vida feliz e que quando morrer seja anônimo. Porque se tiver alguma notoriedade pode colher a linha que ajudou a plantar.

Sim, é o lixo da sociedade.

RicaPerrone

Vai em paz, amigo!

Cantor,

Eu perdi a chance de me despedir de você. E das poucas pessoas no mundo que eu faria questão, você é uma delas. 

Na última noite antes de viajar eu fui ao bar do Zeca pra te ver porque me falaram que você não demoraria a partir.  

Você não se sentiu bem e não foi. Eu viajei sabendo que provavelmente não voltaria a te ver e por isso fiquei trocando mensagens de WhatsApp contigo, pra tentar de alguma forma te dizer o que eu queria antes de você descansar. 

Disse que você é meu ídolo, que ser seu amigo era um privilegio, que você era o sorriso mais lindo do Brasil mesmo quando os dentes não ajudavam. Aliás, acho que ainda prefiro aquele sorriso do que o novo, sabia? 

Porra, irmão. Você não tem idéia do que foram os últimos meses “pelas suas costas”.  Não queríamos que você ouvisse, mas eu adoraria que você soubesse. Todos preocupados, rezando a sua maneira e se telefonando pra saber de ti. 

Ontem falei com Dudu. Ele foi te ver, né? Nem sei se você sabe, mas ele me confortou de alguma forma ao dizer que você estava sofrendo. Porque de tudo que eu te desejo, por mais que sua presença seja fundamental pra nós, sofrer você não pode. 

Você foi o sorriso mais fácil que eu conheci. O vírus mais contagiante de alegria que já vi num ambiente.  Meu aniversário de 40 anos você que cantou parabéns. Foi o melhor que já tive e não há nenhuma chance de outro ser mais especial. 

E agora tá um silêncio, irmão… tão triste, tão vazio, tão sem sentido. Parece que ninguém mais vai sacanear o cabelo do Claumirzinho e nem falar pro André que ele é mau humorado só pra deixa-lo de mau humor. 

Quem vai me chamar de “Rica Perone” com um “r” só? 

Não fizeram dois Andersons, cara. De modo que sem você vai ser bem difícil.

Mas vai. Se é pra ir, vai. A gente aguenta, se vira, se reune, chora e depois morre de rir contando suas histórias. Vira lenda, cantor. 

O Brasil chora pelo cantor que se vai, o artista, o personagem. Nos choramos pelo insubstituível Anderson que conhecemos. O amigo. O rei da resenha. O único cantor que conheci que era pago pra fazer 2 horas de show e quando chegava a 4 o dono da casa tinha que pedir pra ele parar porque ele estava se divertindo e não trabalhando. 

Eu fui seu fã, sou seu fã e eu amei ser seu amigo. 

Vai em paz, irmão. Obrigado, obrigado e obrigado! 

RicaPerrone

Que se foda!

O carnaval do Rio de Janeiro é o maior espetáculo da terra. E se você acha que me refiro ao que fazem as escolas, se enganou.

É lindo. Eu amo. Frequento ha 27 anos. Sou Mocidade, já fui de arquibancada, credencial, frisa e camarote. Diria que conheço tudo naquela avenida. E todo ano eu consigo sair de lá surpreso.

E não, de novo, não me refiro as escolas.

Aliás, se cabe uma leve crítica, acho que os temas estão ficando batidos. 80% deles é sobre preto, mulher, orixá ou alguma crítica meio hipócrita quanto a sociedade. E explico: Como que uma escola de samba ousa ser paladina moral pra criticar sociedade com tudo que ela carrega nas costas de contravenção, lavagem de dinheiro e outros problemas menores?

Eu não me importo que ela tenha esse passado. Na real eu acho tudo isso mero abandono do estado e consequencias naturais. Mas acho que a gente tem que emagrecer pra dar dica de alimentação, né? Quando uma escola entra com um enredo sobre a situação do país, falando de polícia, pedindo paz ou algo assim e abre com saudação ao seu “presidente de honra”, é de fuder. Mas foda-se.

O meu ponto passa por isso também. E aí está o maior espetáculo da terra.

Vivemos num país que há uns 5 anos não consegue mais conviver. A soma de política com redes sociais transformou o Brasil num hospício onde todo mundo discute política e seguimos com placas nos banheiros avisando ” não urine fora do vaso”. Ou seja…

E ali, naquela avenida, há uma mistura sem igual que eu precisava rever. O povo da esquerda está nas escolas. São formadas por minorias que tendem a esse viés político. O povo do dinheiro mais capitalista está nos camarotes e nas frisas. E ali, frente a frente, sem a porra de uma rede social no meio, todo mundo bebe junto.

Onde foi que perdemos isso? Onde que você ser Vasco e eu Flamengo me incomoda menos do que você ser de direita e eu de esquerda? Em que bar isso rompeu uma amizade? Malditas redes sociais onde se interpreta o tom, se responde em segundos e se expõe amigos por um ideal.

Bendita seja a avenida. Onde o patrão paga uma nota pra ver sua empregada sambar. Onde o radical bolsonarista aplaude a escola que passa fazendo militância pra esquerda. E onde o esquerdista não se importa de receber e fazer pelo dinheiro da elite capitalista.

Passa o político, o contraventor, o delegado, o prefeito, o governador e a puta. E todos sorrindo de mãos datas, porque ali, naquela avenida, por 4 noites, há um buraco negro onde literalmente tudo é interrompido.

Pode falar de um condenado no microfone? Pode, claro! Ele é da escola. Pode a polícia toda nos camarotes vendo isso? Claro, ela vai fazer o que? E o governador que tenta prende-los, como fica? De lado, tomando uma. E que se foda.

São milhares de pessoas bebendo com enormes diferenças. Brigas? Quase zero.

Como?

Cadê aquele povo que fica online caçando almas e cancelando pessoas? Devem estar avaliando as escolas pela TV tentando destruir algum famoso que por ela desfila. Ou talvez criticando o espetáculo por não ter capacidade de compreende-lo.

E quer saber? Foda-se. Ninguém ali se importa.

Eu consegui num intervalo de 40 segundos abraçar um deputado bolsonarista, o Eduardo paes e o interprete da minha escola. Olhei pra trás e pensei “porra, alguém vai filmar isso me cancelar”. E que se foda também! Eu me amarro nos três.

Sou Mocidade, aplaudo o Salgueiro. O mangueirense me abraça quando a escola passa e elogia. E o cara com o boné do MST brinda com o caveira do Bope o abre alas da Vila. Que se foda!

Sabe aquele país feliz e quase idiota que a gente vivia? Então, agora ele é só idiota.

As horas de Brasil retrô vividos na avenida são um soco na nossa cara. Sabe aquele amigo que você deixou de seguir por política? Ele te vê depois de 2 anos e … e agora? Passo? Abraço? Dou um sinal? Ele me odeia?

Dá cá um abraço, viado! Foda-se!

A real é que o Brasil é um puteiro e o Rio de Janeiro é a mais “honesta” manifestação do que de fato somos.

Prefiro. Fica as claras. Sem tipo. Gosto? Não. Mas a sapucaí me ensinou a entrar no modo “pausa mental” e ter algumas noites onde na real eu nem me importo com o que acredito. Literalmente, foda-se.

O Brasil que eu cresci era um lixo como o de hoje, mas a gente tinha um diferencial: a alegria. O Brasil não é intolerante religiosamente, nem racista, nem um povo escroto. A gente só jogou holofote pra essas micro minorias de idiotas e achamos que eles representam muita gente. Somos um povo idiota, mas generoso, feliz, acolhedor e divertido.

Nós somos a Sapucaí. Ou eramos.

Tanto faz. Amanhã voltamos a nos preocupar com o Brasil, porque seguramente não são 5 dias de festa que vão mudar alguma coisa. Temos 360 dias pra pensar nisso.

Nestes 5, honestamente, que se foda!

Rica Perrone

Não, Cláudia!

Não, musa. O Brasileiro não está sendo analfabeto no caso da implicancia com as leis de incentivo a cultura. Na verdade a ignorancia é de vossa classe, que invariavelmente cresceu em Nárnia e ainda não saiu dela.

E com todo respeito a você, que eu sou fã, a crítica vai alem. A enorme maioria dos artistas e não a você, que apenas representou o que eles pensam.

Eu tenho dezenas de amigos artistas e essa discussão é constante. A maior parte deles se acha fundamental, necessário, diferente, superior. E eu lamento mas no dia que um artista for mais necessário que um médico, um bombeiro, um policial ou um bom professor o mundo acabou.

E eu sei que ele já acabou há decadas.

O pedestal artistico que vocês tiveram por décadas via monopolio Global não existe mais. Alguns já perceberam, outros não. Não somos mais um povo todo que os idolatra por tudo que dizem. A gente melhorou um pouco e hoje conseguimos entender vossa qualidade profissional sem não notar vosso interesse comercial.

Como você acha que se sente um sujeito que vê a enchente levar sua casa toda, ouvindo o governardor dizer que não há dinheiro pra obras e artistas consagrados recebendo bilhões pra fazer suas peças?

“Ah mas sem incentivo não tem como”. Então, Claudia… se eu quiser abrir uma padaria sem dinheiro também não tem como. Porque quando você quer atuar eu que pago?

Porque todo empreendedor tem riscos no pais mais cheio de impostos do mundo e vocês querem garantias de lucro pra trabalhar?

Pior: A enorme maioria não tem como anunciar seu negócio. Vocês, pela fama, já partem desse beneficio. E ainda assim querem o nosso dinheiro pra fazer peça de teatro?

Não tem gente pra ir? Então não faz. Porque se eu quiser abrir uma loja de tubaina e não tiver quem compre eu quebro. E é assim pra todo cidadão do país. Do mundo, aliás.

Porque vocês, artistas, acham que são tão mais importantes? Que diferença faz na vida do brasileiro que não tem o que comer segundo vosso queridinho, em ter uma peça de teatro?

Já ouvi um artista me dizer que a arte é tão importante quanto a saude. E eu juro que não consigo entender como um sujeito que acha isso passa sequer num exame pra tirar Carteira de habilitação tamanha burrice.

Explica pra nós, Claudia. Se você, consagrada, rica, famosa, precisa de garantias pra empreender e trabalhar, porque o Tião do boteco ali da esquina precisa se endividar?

Porque nós não temos saúde e transporte mas queremos sua peça de dança?

Porque eu tenho que pagar cada viagem ou gravação que faço por trabalho e você quer que a sua seja paga por mim?

Não é uma dose de arrogância entender que a sua arte é fundamental pra mim? Você paga impostos pra ter várias coisas que você não tem. E não reclama. E ainda acha que somos analfabetos em achar anormal um artista rico querer garantias do meu dinheiro pra não levar prejuizo?

Olha, meus caros, vocês não tem culpa de viver num universo paralelo de fama, poder e vaidade. Mas daí a querer que a gente sustente isso são outros 500.

Corram riscos. É assim que a banda toca. Pra todos. Ou todes. Enfim.

Rica Perrone

4 passos para começar a apostar em futebol

De forma simples, 4 passos pra você entender como funcionam as apostas esportivas.

1- Como funciona?

Você vai encontrar nas casas de apostas um número em cada opção que chamamos de “odd”. Aquele é o valor que sua aposta vai te pagar caso você acerte. Ou seja.

Corinthians 2.1 – Empate 3.0 – Palmeiras 2.4

Você aposta 100 reais que o Corinthians vence o jogo. Se você acertar, você recebe 210 de retorno. Tirando seus 100, 110 de lucro. E obviamente isso elevado a mil reais renderia 1200 e assim por diante.

Se você errar, perde tudo.

2- Só pode apostar no vencedor?

Não. As casas de apostas te oferecem centenas de apostas por jogo. Quantos escanteios, gols, placar exato, quem marca, quanto acaba o primeiro tempo, cartão vermelho e assim por diante. Quanto mais específica e difícil de acontecer, mais alto o valor de retorno. Por obviedade, quanto mais fácil, menos você ganha.

Portanto, ao buscar o resultado altamente lucrativo, use o bonus da casa para não perder seu dinheiro.

Você verá valores como 2,5, 3,5. E se perguntará: Como assim 3,5 escanteios no jogo? É a forma didática de te dizer que você apostando em mais de 3,5 escanteios no jogo com 3 você perde, com 4 você ganha.

3- Como funciona o bonus?

A casa determina que você ganhara X% sobre seu primeiro deposito. Algumas até 300, outras até 200, até 500 reais já chegou. Mas são campanhas que começam e terminam e não um valor fixo.

Você deposita 300, ganha mais 300. Pode sacar? Não! Tem regras. Mas o tal do risco que você quer correr pra ganhar uma bolada está nesse dinheiro que, em tese, nem era seu. Aproveite-o!

4- Vou ficar rico com apostas?

Pode acontecer, é claro. Mas a normalidade é você encontrar ao longo do tempo o seu perfil de apostar. O cara que aposta alto nas zebras e quando ela sair valeu o investimento, o que aposta 50 reais, 20 reais por jogo pra se divertir, ou o profissional que usa estatísticas pra ganhar sempre pouco a pouco e faz disso quase que um negócio.

O risco está sempre ali. O de perde tudo e também o de ganhar uma bolada. A única coisa que explica a febre pelas apostas é que você tem muito mais chance e mérito em acertar uma vitória do time X ou um gol do Fulano do que jogar 6 numeros da mega sena. No futebol você pode analisar o cenário e arriscar.

Entendi! E agora? Por onde começo?

Você escolhe uma casa de apostas, faz seu cadastro e coloca seu deposito pra ganhar o bonus oferecido. Vamos sugerir a você a Novibet, que é uma casa muito grande da Europa que não vai te gerar o desconforto da dúvida quanto a seriedade.

Ali você pode se cadastrar clicando aqui e terá R$ 500 reais de bonus se depositar 500. Se depositar menos terá o valor dobrado até 500 no máximo.

E depois? Só escolher seus jogos e apostar. Se não for lucrativo ou uma perda de dinheiro, no mínimo o futebol se tornará muito mais interessante pra você. Todo jogo é um drama, todo jogo vale e todo dia você tem a esperança de ganhar um dinheiro extra.

Dica: Nunca aposte mais do que 20% do total da sua banca num só jogo. Assim você poderá perder e continuar com saldo para recuperar nas próximas partidas.

Clique no banner abaixo, faça seu cadastro e boa sorte!

Tigrinho: A maior covardia do ano

Nós temos que tentar, embora no Brasil, sermos o mais honesto que pudermos. Vejo uma onda de influenciadores sendo perseguidos por promover o tal jogo do Tigrinho e do aviãozinho.

Segundo dizem são jogos de azar e não pode. E portanto eles são uns filhos da puta que devem pagar e ser cancelados por receber dinheiro pra promover um produto disponivel no mercado.

Eu vendo publicidade. Eu não sei se tudo que vendo está correto, pois obviamente eu recebo a oferta, vejo se a empresa funciona legalmente e anuncio. Eu, a Globo, a Folha, o UOL, quem quer que seja. Quem diz se a empresa pode ou não funcionar não são os meios de divulgação.

Mas é fácil espancar uma galera que está ali anunciando algo que não convém.

Ok, mas me dá um minuto do seu dia antes de bater o martelo.

Eu anuncio Betano. A Globo anuncia todas as casas de apostas. Os portais de internet TODOS anunciam casas de apostas.

Os clubes anunciam casas de apostas.

E nenhum de nós esta fazendo nada de errado.

Mas dentro de todas essas casas esta lá o Tigrinho e o Aviãozinho.

Me explica. Porque meia duzia de influenciadoes? Quem é o Fantastico, da Globo, pra explodir esses conteudos se a casa anuncia e lucra com o mesmo produto?

Que diabos de hipocrisia deslavada é essa?

Pesquise você mesmo. O Tigrinho e o aviãozinho estão aqui no meu canal, na camisa do seu time, no intervalo da emissora.

Como que você escolhe meia duzia, condena e finge que não é parte disso?

Ou estamos todos errados ou estamos, pra variar, vendo a imprensa escolher pessoas pra destruir enquanto ela faz igual.

Ou será que o % que os influenciadores levavam tirava das emissoras uma parte?

Porque o brasileiro segue o que a porra da imprensa diz sem se perguntar o óbvio?

Ou tem alguma explicação pra que todos anunciem o cassino onde está a maquininha que é polemica e quem fala direto da maquininha está mais errado?

Acho mais simples. Ninguém tá errado. O jogo existe. A maquina de pegar ursinho de pelucia tambem. Nos dois casos alguns vão ganhar e a maquina vai lucrar mais do que as pessoas.

Qual a diferença? Não jogue, ué. O Estado quer ser nosso pai e mãe. Eu me nego a ser um filho da puta.

RicaPerrone

O padrão que nos convém

As vezes – quase sempre – nós brigamos por uma vida que podemos ter e pedimos o mesmo pra quem pode escolher a vida que quiser.

Já me casei algumas vezes. Já fiquei solteiro algumas outras. As duas vidas são completamente diferentes, cheias de prazeres e problemas que nem se comparam. Mas porque as pessoas “certas” tem que seguir um padrão conservador mesmo aos olhos progressistas?

Ontem li uma matéria que questionava o estilo de vida do Leonardo di Caprio. Ele namora garotas jovens, troca de namorada sempre, segue sendo ótimo no que faz e é a mídia que faz de suas relações uma novela, não ele que as expõe.

“Leonardo deveria se casar e amadurecer”, dizia a matéria, escrita por uma progressista feminista dessas que quer que a família seja destruída em redes sociais.

Mas ué?

Defina “amadurecer”.

Porque eu não tenho a menor convicção de que ter uma família faz mais bem ao homem do que andar sozinho, bebendo com amigos e trocando de mulher todo mês. Já vivi os dois mundos intensamente. E nunca me vi mais ou menos cheio de valores por uma dessas condições.

Talvez meu momento de maior equilibrio emocional, inclusive, tenha sido quando aprendi sozinho que não precisava de ninguém pra ser feliz. Talvez eu seja menos correto quando só, mas talvez eu seja mais eu mesmo.

A sociedade criou um padrão. Você casa, tem filhos e paga por isso parceladamente até o final da vida pra “não morrer sozinho”. Hoje tem uma geração que junta os trapos, viaja e não tem filhos.

Será que essa gente, sem família doriana, é menos feliz do que quem viveu pra pagar fraldas e colégios?

Não vejo nada de errado na vida que meus pais escolheram. Mas não acho que é uma demonstração de infantilidade não querer ter a mesma vida.

Que mal lhe faz Leonardo di Caprio em sair com diversas mulheres, todas elas até onde se sabe por livre e espontanea vontade, e viver sozinho, rico, bem sucedido e fazendo o que bem entende?

“Ah mas lá na frente ele vai sentir falta”. E você, com 3 filhos que mal te visitam, não sente falta de ter vivido mais pra você do que pra eles?

São escolhas. E não há uma escolha certa.

Deve ser fantástico ter filhos. E também é fantástico conhecer um lugar novo por mês num belo hotel que com filhos fatalmente você não poderia ir tantas vezes.

É muito bom chegar em casa e ter sua mulher pra jantar e ver um filme. Não é menos bom sair quando quer, a hora que quiser, beber e rir com amigos até as 4 da manha numa calçada suja sem compromisso com nada.

Vivi as duas vidas algumas vezes. Casei-me 4 vezes, fui solteiro, dono de bar, famosinho, morando sozinho. Vivia no pagode, sem hora pra chegar ou dormir. Minha vida era caoticamente perfeita! Hoje, calmamente perfeita. E tudo bem. Em nenhum dos dois momentos eu fui menos responsável.

A teoria do mar gelado é perfeita. Quando você pula incentiva os outros a pularem. Se no barco, tomando sol, você pensa muito antes de pular. E porque não pular é uma escolha ruim? Porque a maioria já pulou. E ser diferente do que te determinam socialmente é muito caro.

Se o Neymar vai a festas e gosta de mulheres é um problema, diz o mesmo sujeito que pede a geração Romário e Edmundo de volta.

Ué?

Todo solteiro quer alguém. Todo casado quer a vida de solteiro. É instinto humano de achar que o que o outro tem é melhor do que o seu, meramente porque você conhece todos os seus problemas e dele só sabe as glórias.

Se beber, não case. Mas se casar, não encha o saco de quem não casou. E se optar por viver como um adolescente até os 60, meus parabéns! É a coragem que muitos queriam ter e não tem.

Se há alguem com inveja nessa relação besta de encontrar um certo e errado é aquele que jura estar certo.

Como diria aquele samba. “Deixa eu beber em paz”. E mais, diria outro “pago tudo que consumo com suor do meu emprego”.

Na vida a coisa mais feia é gente que vive julgando a vida alheia.

RicaPerrone

O diário de um cancelamento

Era dia 14 de agosto. Fui pra São Paulo gravar os podcasts do Denilson e do Meireles e também ir ao jogo SPFC x Corinthians ver meu Tricolor se classificar. No dia seguinte eu iria pra Orlando, onde tiraria 30 dias de férias pra cuidar da minha saúde que anda uma bosta. 

Gordo, né? Vocês sabem como é. O gordo é a alegria do mundo, mas ele sente dor em tudo, batimento sobe, fica ansioso, come mais e só um Rivotril ou um hambúrguer o acalmam de fato. 

E então, indo pro Denilson, um motoboy passa e rouba meu celular.  Eu não sabia que era um sinal “motoboys na sua vida! Atenção!”. Achei que era so um aparelho. Enfim. Me fudi, não fui pro jogo, viajei pros Eua sem celular e levei 3 horas e meia pra encontrar a casa que aluguei. 

Começamos bem! 

Lá estou nos EUA cuidando da saude. Perdi 5 quilos, tomei sol, meu batimento foi de 110 pra 65! Eu tava me achando um atleta quase. Aí eu via a loja do dukin donuts e lembrava que eu era só gordo mesmo. 

Bom, tô relaxadão. 

Aí acordo um dia, abro meu Instagram e pessoas me xingando. Mas xingando de verdade! Não era aquela coisa do meu dia a dia de “foi pênalti”, “não foi”, “seu clubista!”. Era ameaça de morte, ofensas pesadas. Não entendi, comecei a procurar. Eu não tinha feito nada ué? De onde veio aquilo? 

Achei um perfil sobre racismo me chamado de Bolsonarista e contando um caso de forma bem escrota. Que eu agredi um entregador por ele não subir na minha casa.  Eu postei nos stories e falei “que absurdo!”. 

Ah, o entregador nem era preto. 

Fiquei nervoso. Comi um donut.  Tinha parado de fumar, fui no smoke shop e comprei logo dois. 

Aí achei que era um perfil covardão de militante democrático que tenta destruir quem pensa diferente democraticamente. Mas em seguida vieram outros 2 perfis (todos com viés politico) e 3 sites (todos de esquerda) e começaram a repetir a narrativa. E ela não fazia sentido porque eu dizia no video que ele subiu, que quando disse que não iria eu respondi que “tudo bem”, e que portanto não havia discutido com ele por esse motivo. 

Agressão? Que agressão? Eu peguei um alfajour e joguei nas mãos dele na hora que discutimos pra ele ir embora e entrei. 

Surgiram Felipe Neto e Janones. Fiz uma conta rápida: Isso tem 3 meses, a entrevista foi vista por 50 mil pessoas das quais NENHUMA sequer notou esse trecho.  E do nada um dia ela sai em diversos sites do mesmo perfil e com um deputado petista tentando se promover em cima. 

Ah, não Rica! Não vai me dizer que você achou que foi orquestrado! Ai ai ai! 

Comi outro donut. Tava puto. 

Meu advogado me ligou. “O que houve?”.

– Não sei! 

Ai notei que tinha uma divisão muito difícil de explicar. O carioca entendeu fácil porque eu esperava que ele fosse subir. Aqui, 99% das vezes eles sobem. O paulista achou um absurdo, porque lá ha 15 anos entrega na porta do prédio. 

Quando isso começou a virar um massacre eu fui na rede social, olhei e deletei.  Não queria ficar vendo. Não tinha o que fazer. Gravei um vídeo, expliquei, e fim de papo. Vou fazer o que? 

 Alguns veículos de imprensa sérios me procuraram e perguntaram o que houve. Contei, a notícia saiu sobre a repercussão e não sobre uma suposta agressão. Simples! Era só isso.

No meu planeta duas pessoas discutirem porque não se entenderam é a coisa mais banal do mundo. Mas como eu não sou da patota, não fiz o L, precisamos dizer que alguém que votou no Bolsonaro é violento e escroto. Mais um dia de imprensa, nada anormal. 

Irritado, sem ação, comi uma lasanha. Foda-se.

Eu já estava com os batimentos a 110 em repouso. Fumando de novo, tomando Rivotril e queria reagir. Meu instinto é me defender. E meu advogado dizendo “não. Espera.”. Torturante! Mas esperei. 

E comi um hambúrguer do Five Gays. 

E aí vinha a dúvida. O cara, se aparecer, é um oportunista que vai fazer uso da narrativa da imprensa ou vai ser honesto? 

Aguardemos. 

Eu já sabia que tinha emissora atrás do cara pra me fuder. Tinha pauta de tv pronta pra ir pro ar com a minha cara desde que o entregador falasse o que eles queriam ouvir. 

Eu tenho amigos em todos os jornais, sites e emissoras. Eu sei tudo que vai acontecer.  E também sei dos podres de muita gente que se acha corretíssima. 

E então ele apareceu. Ele e o advogado deram uns depoimentos, meio que se protegendo por não saber juridicamente o que seria. Eu fiz o mesmo, mas fiquei quieto porque eu já havia falado. 

Dois dias depois veio o que eu queria pra agir. O que ele registraria oficialmente?  Eu podia processa-lo. Era a palavra dele e a minha, sem testemunhas. Mas porra, eu to sendo massacrado, to errado e vou processar o cara? Tirar grana dele? Era uma alternativa mas não dava nem pra considerar transformar isso numa disputa judicial. E então ele registrou oficialmente a queixa.

Injuria. Só. Sem discriminação, agressão, nada! Só a injuria. 

Liguei pro advogado e falei “pode entrar em contato, o moleque é honesto”. 

As pautas foram caindo. Como que a gente publica uma injuria se falamos em agressão? Como que ele conta que foi na porta do apartamento a discussão se insinuamos que ele desceu pra agredir o rapaz? 

Fudeu, né? Mas o processo dessa vez vai chegar. Cansei. 

E então comi um pudim. 

Chamei o Marcinho no direct. Falei “mano, independente das questões jurídicas que isso vai dar, quero me desculpar porque te xinguei primeiro e portanto to mais errado ne.”. Ele ficou aliviado, falou que não aguentava mais aquilo. Conversamos sobre o Vasco, Neymar, vi que ele era do pagode como eu.  Tranquilo. Gente nossa. 

Mandei meu advogado acertar com o dele uma quantia pra ajudar a melhorar a moto dele como um pedido de desculpas e soltaríamos uma nota sobre isso encerrando as mentiras.  Em momento algum ele tentou me extorquir.  

Tudo feito. Postado. E a imprensa que achou relevante não achou mais relevante registrar a verdade e o fim da história. Porque será? 

Quem viu, viu. 90% de quem leu, não sabe que eu e ele esclarecemos publicamente que não houve agressão, discriminação, nada disso. 

E, enfim, em paz, eu pude comer uma pizza. 

Fui pra Cancun. Ia voltar pra ver a decisão. Mas tinha tanto motoboy em São Paulo puto achando que eu era louco por pedir que alguém subisse e ainda acreditando na narrativa de que o agredi que eu tive medo de ir ao jogo. Fiquei.

Fui campeão da Copa do Brasil no México. Chorei igual uma gazela, diga-se. E comi pra comemorar, claro!

Todo bobo andando com a camisa tricolor nas ruas do México e ouvindo “San Pablo!” a cada esquina porque né… time internacional é foda. 

E então voltei. Puto! Mas voltei e agora fico rindo da zoeira que os entregadores fazem comigo. Tô sofrendo bullyng! Toda vez que um me encontra ele me zoa dizendo “não vou subir nao hein saopaulino”.  Mas sobem. Todos. 23 pra ser exato desde que voltei. Ou seja 100% dos pedidos, só pra explicar que não sou maluco nem folgado. 

Ok, folgado eu sou. 

Agora é processo, advogado, encheção de saco, jornalista fodido me ligando pedindo desculpas pra eu não processar porque a mulher dele tá gravida…  E eu, idiota, não processo porque fico com pena. 

Eu tenho tanto defeito, posso fazer uma lista sem fim. Mas eu não sou bolsonarista, petista, não sou homofóbico, racista, mal educado, não agrido ninguém, trato as pessoas bem pra cacete, não sou burro, fascista e nem covarde. Consigo tomar cerveja com o líder do Psol, com o Bolsonaro, um policial e um bicheiro.  Consigo discordar de um dirigente e ouvir tudo que ele pensa sobre.  Consigo que todo jogador me atenda quando eu ligo. E que todo clube me receba quando eu preciso de algo. 

É que vocês se preocupam demais em ter moral com o chefe. Preocupem-se em ter público, respeito dos protagonistas do que você cobre e não o tapa nas costas do editor. Ele vai ser demitido um dia e não vai te ajudar.  Parecer ser alguém no ar que você não é no bar te deixa sob o risco constante de ser desmascarado. E viver pisando em ovos não faz bem pra saúde. 

Só eu sei o que me doeu devolver aquele alfajour pro entregador. Pra um gordo profissional um Havana é um Havana. E era de chocolate branco! 

Isso sim me fez sofrer.

Paz. Vou almoçar. 

RicaPerrone